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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 418

Depois do jantar com a família, Henri foi para o quarto se deitar, mas o sono simplesmente não veio. Por mais que o dia tivesse sido praticamente perfeito, algo dentro dele continuava inquieto, a falta que sentia de Catarina o deixava com a sensação de estar incompleto, como se uma parte dele tivesse ficado na vila.

“Será que ela sente a minha falta tanto quanto eu sinto a dela?”

A pergunta ecoava em sua mente enquanto ele se virava de um lado para o outro, sem encontrar posição confortável.

Após longos minutos de tentativa, suspirou, desistindo.

Levantou-se da cama, calçou os chinelos e decidiu tomar um pouco de ar. A casa já estava silenciosa, as luzes apagadas revelavam a imersão na tranquilidade da noite.

Caminhou pelo corredor com passos lentos, como se não quisesse perturbar aquela quietude. Parou diante do quarto da pequena irmãzinha, abriu a porta com cuidado e olhou para dentro. A menina dormia profundamente, com as mãos fechadas e o rosto relaxado, parecendo um anjinho num sonho protegido.

Aquela cena arrancou um sorriso discreto dele.

Ele ficou ali por alguns instantes, observando o jeito calmo de Helena, sentindo uma paz tocar seu peito. Era estranho como, mesmo em silêncio, certos momentos conseguiam dizer tanto.

Depois de fechar a porta devagar, seguiu em direção à cozinha e empurrou a porta que dava acesso ao quintal. O vento noturno o recebeu de imediato, fresco, trazendo o cheiro da plantação e o som distante das folhas roçando umas nas outras.

Ele apoiou as mãos no batente da porta, respirando profundamente enquanto observava as árvores balançando sob o luar. Aquela casa, aquela fazenda… Tudo ali lhe transmitia paz, mas a ansiedade em seu peito o consumia por dentro, impedindo qualquer chance de tranquilidade. Era como se seu corpo estivesse ali, mas sua alma permanecesse inquieta, pedindo algo que ele não sabia como preencher, ou talvez soubesse: Catarina.

Sem conseguir dominar aquele turbilhão de sentimentos, ele voltou para dentro, pegou as chaves do carro e decidiu dar uma volta. Talvez o vento, o silêncio da estrada ou simplesmente o movimento o ajudassem a organizar os pensamentos.

Dirigiu até a vila, passando em frente à casa dos pais de Catarina. As luzes estavam apagadas, sinal de que todos já dormiam, inclusive ela. Por alguns segundos, ficou ali, parado, olhando, imaginando se atrás daquela parede ela também pensava nele, se também estava acordada, se sentia o mesmo aperto.

Sem coragem de descer, continuou dirigindo até chegar diante da pequena casa da vila, aquela onde iriam morar juntos. Já fazia tempo que não colocava os pés ali.

Desligou o carro, respirou fundo e desceu.

A chave encaixou na fechadura com a mesma facilidade de sempre. Ao empurrar a porta, deparou-se com a casa arrumada do mesmo modo que havia deixado. A única coisa que diferenciava o ambiente era que os móveis estavam cobertos por lençóis brancos, protegidos da poeira e do tempo. Ele caminhou devagar até a cozinha e observou os eletrodomésticos novos, esperando por uma rotina que nunca começou.

Era impossível não imaginar Catarina ali, cozinhando, rindo, abrindo portas, enchendo aquele lugar com cheiro de bolo, café ou conversa. Tudo parecia tão pronto… e ao mesmo tempo tão vazio.

Henri voltou para a sala e sentou-se no sofá coberto, apoiando os cotovelos nos joelhos e entrelaçando as mãos. Sentiu o peso da melancolia. Sabia que as coisas finalmente estavam dando certo para ele, mas naquele momento, a paciência não fazia parte de seu vocabulário. Sentia uma urgência ardendo dentro do peito, uma ânsia quase dolorosa de ver tudo resolvido de uma vez.

— Eu não aguento mais esperar… — sussurrou, cansado, passando as mãos no rosto.

De repente, um ruído do lado de fora da casa chamou sua atenção.

Parecia o som nítido de passos, lentos, arrastados, mas cada vez mais próximos.

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