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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 421

Henri encostou a testa na dela, num gesto lento. E então, sem pressa, ele a abraçou.

— Nada do que eu faça por você me faz ser merecedor de tudo isso — murmurou.

Catarina afagou levemente as costas dele e respondeu com calma:

— O amor não é sobre merecimento… é sobre o que a gente escolhe sentir, viver e construir juntos.

Os dois se sentaram à mesa, e Henri fez questão de servi-la com cuidado, como se aquele gesto simples tivesse um valor especial. Quando começaram a comer, o silêncio entre eles não era desconfortável, era daqueles que apenas quem se ama consegue compartilhar.

Catarina respirou fundo, encarando por alguns segundos o vapor que subia da xícara. Então decidiu iniciar a conversa.

— Já parou para pensar em como será a nossa vida?

Ele parou de comer no mesmo instante e a encarou.

— Eu penso nisso desde o dia em que te reencontrei — revelou.

Os olhos dela se iluminaram, e ela inclinou o corpo um pouco para frente, curiosa, quase ansiosa.

— Então, me conta.

Henri respirou fundo, como quem estava prestes a abrir uma porta que guardava mais sentimentos do que palavras.

— Primeiro… vamos nos casar numa tarde linda, quase no pôr do sol — começou, falando devagar, como se estivesse enxergando cada cena. — Depois, podemos ficar aqui até que a nossa casa fique pronta.

— Nossa casa? — perguntou, um pouco confusa. — Eu amo esse lugar — acrescentou, olhando em volta com carinho.

Henri sorriu ao ver a reação dela.

— Eu também amo — ele respondeu, acompanhando o olhar dela. — E agora, com você aqui, eu amo ainda mais. Mas eu não vou te dar menos do que você merece, Cat. Eu quero construir um castelo para você.

Catarina arregalou os olhos, surpresa pela intensidade do que ele disse.

— Um castelo? — repetiu, quase rindo.

Ele assentiu com a cabeça, sem desviar o olhar.

— Um castelo do nosso jeito. Vai ser o lugar mais seguro, mais feliz e mais verdadeiro que você já teve. Eu não quero só um teto… Eu quero um lar construído do nosso jeito, com tudo o que amamos e com a sua participação em tudo.

Ela entendeu exatamente o que ele queria dizer, porque, sem perceber, sua mente voltou ao dia em que foram comprar os móveis da casa e ele decidiu tudo sozinho, sem perguntar a opinião dela. Aquela lembrança já não fazia mais parte da vida que estavam construindo, mas era impossível esquecer como se nada tivesse acontecido.

— Eu nunca sonhei tão alto assim… — confessou baixinho.

Segurando a mão dela, ele declarou:

— Então, é hora de começar.

Enquanto conversavam, o telefone de Henri começou a tocar no quarto. Ele pediu licença e se retirou para atender, procurando o aparelho sobre a cômoda. Ao ver o nome da mãe na tela, já imaginou sobre o que seria a ligação.

— Oi, mãe — atendeu rapidamente.

— Bom dia, meu amor. Onde você está?

— Bom dia. Estou na vila.

— Você não dormiu em casa?

— Não. Eu preferi vir para a minha.

— Isso é verdade — ele concordou, rindo junto.

Ela olhou em volta, observando cada canto da sala, como se enxergasse cenas antigas ainda vivas no ar.

— É estranho ver que esta casa, que já foi tão cheia de vida, com crianças correndo, gritando, brincando, discutindo por qualquer bobagem… agora está ficando vazia e silenciosa.

Acompanhando o olhar da esposa, Oliver respirou fundo.

— Os filhos crescem, amor. A gente os cria para o mundo, não para a nossa sala — disse com delicadeza. — Mas, ainda assim, dói um pouco aceitar.

Engolindo o nó na garganta, Aurora assentiu. Não era tristeza de verdade, era saudade que ainda estava aprendendo a se comportar.

— A verdade é que, por mais que eu esteja feliz pelas escolhas deles, uma parte de mim queria congelar o tempo… só um pouquinho — admitiu.

Oliver apoiou a mão sobre a dela.

— E ainda assim, mesmo com tudo isso, eu tenho certeza de que os melhores capítulos ainda não terminaram.

Aurora o encarou, sem entender totalmente.

— Você acha?

— Acho — ele respondeu com perseverança. — Porque agora vai começar a fase de receber a casa cheia novamente… mas dessa vez com noras, genros e netos.

Aurora sorriu com os olhos marejados.

Era verdade. A vida não estava diminuindo. Estava se transformando.

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