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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 427

Mais uma vez, a insegurança bateu forte no peito dela.

Se eles já estavam na capital, se já dormiram ali, se já tinham passado a noite juntos… por que ele precisava deixá-la na vila para depois voltar sozinho?

Aquilo não fazia sentido.

Ele poderia fazer qualquer coisa com ela junto. Qualquer coisa.

Afinal, era seu noivo. Era o homem que dizia não conseguir passar uma noite longe dela.

Então… por que não a queria ao lado agora?

A resposta veio como um estalo doloroso dentro dela, não uma certeza, mas um medo, um sussurro amargo de dúvida:

“Ele não poderia fazer o que precisava com você presente… porque outra pessoa estaria envolvida.”

Uma única imagem passou por sua mente como um golpe:

O nome na tela do celular: A mensagem ousada. O convite.

Um nó se formou em sua garganta tão forte que ela teve que disfarçar, respirando fundo para não revelar o impacto.

O café parecia ter perdido o gosto. As mãos ficaram inquietas em seu colo e, por um momento, não conseguiu sequer olhar nos olhos dele.

Henri colocou mais café na própria xícara, completamente alheio à tempestade silenciosa que se formava dentro dela.

— Vai ser um dia cheio… — comentou casualmente.

E Catarina, com o coração preso naquele nó, só conseguia pensar:

Cheio de quê?

Sua boca queria perguntar, queria tirar aquela dúvida que latejava como um espinho preso no peito, mas o medo de parecer invasiva, desconfiada, exagerada, a deixou completamente paralisada.

Era como se cada palavra que tentasse formar ficasse presa no nó em sua garganta.

Queria perguntar: “Por que você precisa voltar sozinho?”

Mas não conseguia. Tinha receio de parecer insegura, ou ouvir algo que não queria. E, principalmente… tinha medo de descobrir que o que viu no celular dele tinha, sim, algum significado.

Quando terminaram o café, ela voltou ao quarto para se vestir e se preparar para retornar à vila. Tentou se concentrar no que fazia, mas a sensação de inquietação parecia acompanhá-la como uma sombra.

Ao sair do quarto, encontrou Henri na sala. Ele estava mexendo no celular, concentrado… até perceber sua presença. No mesmo segundo, virou o aparelho para baixo, escondendo a tela de forma rápida demais para ser inocente.

Mesmo sendo um gesto mínimo, aquilo caiu como um peso dentro dela, aumentando ainda mais suas dúvidas.

— Já está pronta? — ele perguntou, tentando soar natural.

— Sim — respondeu ela, controlando o tom.

— Ótimo. Vou pegar minhas coisas no quarto e já vamos.

Ele passou por ela depressa, indo em direção ao quarto. Catarina ficou parada ali, lutando contra a avalanche de pensamentos. Alguns minutos depois, ele voltou já vestido, com as chaves na mão.

— Vamos.

Eles saíram da casa de praia juntos.

Por que ele está estranho justo hoje? Justo no dia seguinte àquela mensagem na tela do celular?

Por que a pressa? Por que o distanciamento? O que aconteceu para que toda a leveza da madrugada… de repente… desaparecesse?

Respirando fundo, tentou se recompor, mas a sensação de que algo estava muito errado só aumentava. E ela ainda não fazia ideia de que as respostas que temia… estavam mais próximas do que imaginava.

— Não me desaponte, Henri… — sussurrou, quase sem voz. — Pelo amor de Deus, não me machuque novamente…

A frase saiu baixa, como um pedido feito ao vento, mais para aliviar o próprio peito do que para ser escutada por alguém.

De repente, a porta da casa atrás dela se abriu, fazendo-a se assustar levemente. Andrea apareceu no batente com um sorriso, mas o sorriso sumiu assim que notou a postura da filha.

— Filha, querida… eu não sabia que você já tinha chegado.

Num movimento rápido, Catarina passou a mão pelo rosto, enxugando as lágrimas com as costas das mãos antes de se virar para a mãe. Forçou um pequeno sorriso.

— Acabei de chegar… — murmurou, mas a voz saiu trêmula demais para passar despercebida.

Andrea não precisava de explicações. Bastou um segundo observando o rosto da filha, os olhos vermelhos, a expressão abatida… para perceber que algo estava muito errado.

— Catarina… — ela chamou, dando um passo à frente. — O que aconteceu, meu amor?

Catarina baixou a cabeça, sem saber por onde começar. O peito subia e descia com a respiração insegura, denunciando tudo aquilo que ela tentava esconder.

Andrea se aproximou devagar, como quem tinha medo de tocar numa ferida aberta.

— Filha… olha para mim — pediu, com a voz materna que sempre a acolhia. — Onde está o Henri? E por que você está assim tão abatida?

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