Nuria
Acordei com algo quente ao redor da minha cintura. Forte. Firme. Quase possessivo.
Stefanos.
Seus braços me envolviam como grades, como se, mesmo dormindo, ele tentasse me manter segura dentro de um casulo feito de força e calor. O peito dele pressionava minhas costas, e sua respiração roçava na curva do meu pescoço, irregular, pesada.
Virei o rosto devagar e vi o que não esperava.
Mesmo dormindo… ele parecia exausto.
Os ombros estavam tensos, como se carregassem um fardo invisível. A mandíbula cerrada, o maxilar pulsando. A expressão não era serena. Era fechada. Tensa. Pronta pra guerra.
Toquei de leve o rosto dele com a ponta dos dedos, querendo afagar. Acalmar. Dissolver aquela tensão que parecia colada na pele dele.
Ele abriu os olhos.
E o que vi ali me fez prender o ar.
Cinza chumbo.
Nada do brilho sarcástico. Nenhum traço do calor que ele costumava me lançar quando acordava ao meu lado.
Só o peso denso de alguém em estado de alerta constante.
O Alfa furioso estava ali.
Nos olhos. No corpo. No ar entre nós.
"Ei…" murmurei, hesitante. "Está tudo bem?"
Ele não respondeu de imediato. Apenas soltou o ar devagar, como se estivesse voltando de um lugar escuro.
"Desculpa por ontem…"
"Você não tem que se desculpar," ele disse por fim, a voz rouca, arranhada pelo cansaço. "A gente sabe quem é o verdadeiro culpado, Nuria. E não é você."
Fechei os olhos por um instante. Ele sempre sabia o que dizer. Mesmo quando o mundo parecia ruir.
"Ter pesadelos, sentir medo… isso é o que faz de você normal. Eu não me importo com isso. Me importo com você. Com o que você sente. Então não peça desculpas."
Me encolhi um pouco sob o lençol, desviando o olhar até alcançar a porta.
Ou o que sobrou dela.
Estilhaçada. Escancarada. Um lembrete brutal de que, mesmo quando o perigo não é real… o instinto dele sempre é.
"Você… quebrou a porta por causa de um pesadelo meu?"
"Não foi só um pesadelo pra mim," ele murmurou, e então me soltou. Saiu da cama, pegou a camisa jogada na cadeira e a vestiu com movimentos bruscos.
"Stefanos, acho que a gente precisa conversar sobre isso…" falei, a tensão crescendo dentro de mim.
"O que tem pra conversar?" ele rebateu, já se afastando. "Você se assustou. E eu também, por estar longe. Achei que… pudesse ser uma invasão. Foi só um mal-entendido."
Virou-se e foi ao banheiro. Me levantei e o segui.
"Tem certeza que foi só isso?" perguntei, observando enquanto ele escovava os dentes com mais força do que o necessário.
"Tenho." A resposta veio seca, sem me encarar.
"Como está o Rylan?" tentei mudar de assunto.
"Não sei."
Franzi o cenho.


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