Nuria
A sala estava mergulhada em silêncio, quebrado apenas pelo zumbido suave do aparelho de ultrassom.
Deitada sobre a maca, com a blusa erguida e o gel frio espalhado pela minha barriga, eu tentava manter o controle da respiração, mas o coração… esse travava uma guerra entre o medo e a esperança.
O médico deslizava o transdutor lentamente, os olhos fixos no monitor, enquanto eu encarava o teto como se ele pudesse me dar alguma resposta.
Como se eu pudesse fingir que não sentia o estômago revirar a cada segundo.
"Está tudo bem," ele murmurou, com a calma treinada de quem já viu de tudo. "Só mais um instante. Vamos encontrar o ângulo ideal..."
Mas ele não terminou a frase.
A porta se escancarou com um estrondo que me fez saltar na maca.
O cheiro veio antes.
Stefanos.
Mas não era só ele.
Era ele em fúria.
Era caos, tempestade e lobo descontrolado.
Tudo ao mesmo tempo.
Tudo o que eu temia... e secretamente esperava.
O médico se sobressaltou, quase deixando o transdutor cair das mãos.
"Senhor... Alfa!" exclamou, tentando recuperar a postura. "Que bom que chegou. Sua Luna... achou que talvez não desse tempo. Ainda estamos no início do exame, se puder, por favor, sente-se."
Stefanos entrou como um trovão contido, o corpo rígido, os olhos em prata líquida, tão afiados que poderiam cortar o ar.
Não disse nada.
Mas veio até mim.
Devagar. Em silêncio. Como uma força da natureza que se recusa a explodir (por enquanto).
E então, pegou minha mão.
Não olhou nos meus olhos.
Mas a segurou.
Com firmeza. Com calor. Com um tipo de urgência que dizia tudo sem precisar de palavras.
E foi naquele toque... só naquele toque... que eu soube:
Ele estava lutando contra o próprio instinto.
Tentando não quebrar o mundo inteiro com as próprias mãos.
Tentando não me quebrar… junto com ele.
"Stefanos..." murmurei, mas a voz não saiu inteira.
Eu sabia que ele estava prestes a brigar. E, de certa forma, eu merecia.
Mas eu não queria dar falsas esperanças.
Não queria ouvir que não havia um bebê ali, e sim... o vazio.
Uma ausência cruel. Um erro do destino.
Algum problema silencioso que não levasse à vida, mas à perda.
Eu não suportaria ver o desespero nos olhos dele de novo.
Aquele olhar que já carregava o peso do mundo e que, se quebrasse por minha causa,
me arrastaria junto com ele
"Vou ativar o som agora," disse o médico.
E então… veio.
Tum-tum. Tum-tum. Tum-tum.
Rápido. Forte.
Meu peito se desmanchou.
As lágrimas caíram antes que eu pudesse impedi-las.

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