Jenna
A mansão estava silenciosa demais para uma noite como aquela.
E eu estava no limite.
Os últimos acontecimentos pareciam ter sugado cada gota de energia do meu corpo. Levaram embora o sono, a paz e até a capacidade de organizar os próprios pensamentos. E, como se não bastasse, meu coração ainda batia em descompasso… com nome e sobrenome: Rylan Bastien.
O jeito como ele me olhava... como me defendia… como me tocava.
Era afeto, mas também fogo. Era proteção, mas também desejo. Uma mistura perigosa para alguém como eu, que nunca soube muito bem o que fazer com sentimentos assim.
Não éramos nada oficial. Mas, ao mesmo tempo, éramos tudo o que parecia certo agora.
Suspirei fundo, tentando afastar aquele turbilhão interno. Equilibrei a bandeja nas mãos, um chá quente e torradas. Nuria mal tinha comido, e depois do dia que tivemos, era o mínimo que eu podia fazer.
Ela precisava de mim. E eu... precisava mantê-la firme.
Mesmo cansada, mesmo confusa, não era hora de pensar em mim. Nuria sempre colocava todo mundo antes dela. E agora, mais do que nunca, ela também precisava de alguém que cuidasse dela, como ela sempre cuidou dos outros.
E eu prometi que estaria aqui. Então estaria.
Caminhei pelos corredores ainda meio apagados, meus passos ecoando baixinho, tentando não acordar ninguém. Foi então que senti.
A presença.
Parada no fim do corredor, entre a escuridão e a sombra da escada.
Johan.
Ele encostado casualmente na parede, com os braços cruzados, como se estivesse ali por acaso. Mas algo nos olhos dele dizia o contrário.
"Boa noite, Jenna," disse com um sorriso enviesado. "Vai levar chá pra nossa querida Luna?"
Continuei andando, tentando passar por ele, mas ele deu um passo pro lado, bloqueando meu caminho.
"Com licença."
"Não vai responder minha pergunta, criada?" suas palavras me fizeram o encarar.
"Sim, estou levando para a Luna, como o Alfa mandou."
"Não sabia que ela tinha uma criada só para ela. Como as coisas mudaram no tempo que fiquei fora." ergui minha sobrancelha.
"Só ser Luna já é um status de prestígio, Johan. Deveria aceitar que seu tio escolheu alguém para ele e ficar do lado deles." ele riu, como se eu tivesse contando uma piada.
"Vamos ver até quando eles vão levar essa farsa. Meu tio não fica com uma mesma loba por muito tempo, e não acho que essa será diferente." aquelas palavras me irritaram, mas não falei nada sobre isso. Ele não tinha informações e tinha certeza que era isso que ele queria.
"Se já acabou de destilar o seu veneno, me deixe passar, pois tenho mais o que fazer..." tentei dar mais um passo, mas ele me bloqueou.
"Além de bonita, é afiada, gosto disso...," disse, do nada. "Nunca tinha reparado nisso direito. Não acha que uma loba como você merece mais do que ser só criada de Luna?"
Meu sangue gelou. "Não sei do que você tá falando."
Ele se aproximou um passo. Depois outro. E logo estava perto demais. O cheiro dele era denso, azedo. Sujo.
"Eu posso te ajudar, sabe? Você não precisa viver à sombra dela. Eu só preciso de algumas... informações. Um favor de vez em quando." Sua mão tentou roçar meu rosto. "O que ela esconde? Qual o verdadeiro segredo da Nuria?"
Afastei o rosto, o coração martelando no peito, os músculos tensos de puro instinto.
"Eu não sei de nada," murmurei, tentando manter a voz firme, mesmo com o medo subindo pela garganta.



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