Stefanos
O silêncio depois da destruição era ensurdecedor.
Fiquei parado no meio do hall, olhando ao redor.
Madeira quebrada. Vidros estilhaçados. Móveis partidos ao meio.
O reflexo exato do que eu sentia por dentro.
Minhas mãos ainda tremiam, mas agora era diferente.
Não era raiva.
Era algo pior.
Era o vazio.
Por um instante, senti o peso dos olhos de Nuria e Rylan sobre mim.
Mas não me movi.
Eu sabia o que precisava fazer.
"Quero ir até lá," disse, minha voz soando como uma lâmina fria no ar.
Nuria tentou se aproximar.
Rylan também.
Mas eu já estava andando.
Nada que eles dissessem me faria parar.
**
A viagem até o local do ataque foi feita em silêncio.
O carro deslizou pela estrada sombria, o som dos pneus no asfalto molhado era o único ruído preenchendo o espaço sufocante.
Quando paramos, desci antes mesmo do motorista desligar o motor.
O cheiro de queimado ainda pairava no ar, espesso, grudento.
O gosto metálico da morte impregnava tudo.
A estrada estava devastada.
Destroços espalhados.
Manchas escuras na terra.
Fragmentos de metal contorcido misturados a cinzas.
E sangue.
Muito sangue.
Me aproximei devagar, sentindo o peso da cena me esmagar.
Ali, naquele chão sujo e queimado, Johan tinha deixado de existir.
Não havia corpo.
Não havia rosto.
Não havia nada que eu pudesse enterrar de verdade.
Só a certeza amarga de que ele estava morto.
De que alguém ousou desafiar o sangue da Boreal.
Fechei os olhos por um instante. Eu tinha me deixado levar. Ele tinha me acusado de não ser mais o mesmo e ele tinha razão. Eu não era e isso me custou a vida dele. Quantas mais eu teria que pagar por ter sido fraco? Por ter mostrado minha vulnerabilidade? Por ter sido o mais próximo de um companheiro?
Quando os abri, já sabia o que precisava fazer.
"Rylan, mande uma mensagem para o nosso general." Ele assentiu saindo e me virei para entrar no carro que tinha me trazido até ali.
Nunca mais aquela imagem sairia da minha mente, mas ela seria a força que me impulsionaria na minha nova guerra.
Voltei para a Boreal ainda com as botas sujas de lama, fuligem e sangue.
O hall continuava destruído.


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