Stefanos
Ainda sentia Nuria contra o meu peito, o cheiro dela tentando me ancorar à realidade, quando bateram na porta.
Uma batida curta. Rápida. Urgente.
Meu corpo entrou em alerta automático.
"É isso que eu quero dizer com sempre tem algo a mais..." Nuria suspirou me encarando.
"Te prometi o céu, não disse que já estávamos lá." ela sorriu de lado e beijei seus lábios com carinho.
A afastei devagar, sentindo o calor dela me escapar, e caminhei até a porta.
Rylan estava lá.
Pálido. O maxilar travado. As mãos fechadas em punhos inúteis ao lado do corpo.
O sangue gelou nas minhas veias.
"Fala," ordenei, sem rodeios, pressentindo que tínhamos outro problema a caminho.
Ele abriu a boca… e hesitou.
Procurava as palavras certas. E eu odiei isso. Cada segundo de silêncio era uma tortura.
"Diga logo o que aconteceu, Rylan," rosnei. "Não temos tempo para essa enrolação."
Ele engoliu seco.
"É sobre Johan," disse, enfim.
Soltei uma risada seca. Ácida. Um som que arranhou minha garganta como cacos de vidro.
"Claro que é," murmurei. "O que ele aprontou agora? Fugiu? Derrubou mais algum segurança? Está de volta a essa casa? Me diz onde ele está que eu mesmo o coloco de volta no carro. Ele vai para aquela escola de uma forma ou de outra."
Rylan olhou para baixo, o desconforto estampado em cada traço do seu rosto.
Ao meu lado, Nuria apertou minha mão com força, levando a outra à boca, como se já soubesse o que eu me recusava a aceitar.
Um nó se formou no meu estômago.
"Rylan," minha voz saiu ainda mais baixa, como uma ameaça contida. "Fala."
Ele fechou os olhos por um segundo.
"O carro..." sua voz quebrou. "O carro onde Johan estava... foi atacado."
Meus músculos travaram.
"Explodiram o carro, Stefanos," ele continuou, como se arrancasse as palavras à força. "Não houve sobreviventes. Nenhum. Nem o motorista. Nem os seguranças. Nem ele."
O mundo parou.
Por um segundo, eu não ouvi nada. Não vi nada.
Só o som do meu próprio lobo uivando. Um som de luto. De perda.
"Repete," sussurrei, minha voz falhando.
"O carro foi interceptado na estrada," ele disse, a voz firme, mas quebrada. "Não sabemos quem foi. Pedi para me enviarem as câmeras de segurança por onde eles passaram. Não tiveram nem chance de tentar escapar."
O chão sob meus pés pareceu ceder.
Nuria soltou um grito sufocado e caiu de joelhos no chão, chorando como se o próprio coração tivesse sido arrancado.
Mas eu...
Eu fiquei ali.
Parado.
Vazio.
O filhote que carreguei nos braços.
O menino que protegi de todos os monstros do mundo.
Meu sobrinho. Meu filho.
Reduzido a pedaços numa estrada qualquer.
O lobo dentro de mim uivou de novo. Mais alto. Mais furioso.
E eu explodi.
Um rugido rasgou minha garganta e o ar ao nosso redor vibrou com o impacto.
Nuria tentou se levantar, tentou me segurar.
"Stefanos, se acalme..." ela implorou, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
Mas eu não ouvi.
Não podia ouvir.
Minha cabeça estava cheia do som da explosão que eu não vi. Dos gritos que não ouvi. Do sangue que não pude impedir de ser derramado.
Rylan tentou me interceptar.
"Stefanos, calma. Não é seguro..."
"SAI DA MINHA FRENTE!" rugi, empurrando-o com força contra a parede.
Desci as escadas como um furacão, os olhos ardendo, o coração aos pedaços.
Eu precisava ir até lá.
Precisava ver com meus próprios olhos.
Precisava acreditar que era mentira. Que de algum jeito, Johan ia estar lá, resmungando, rindo, irritante como sempre.
Ou então eu precisava matar quem tivesse feito isso com ele.
Nuria desceu atrás de mim, os passos apressados, a voz dela me chamando, mas eu não conseguia parar.
"Stefanos! Por favor!"
"Você não pode ir sozinho!"
"Escuta a gente!"



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