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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 107

A casa Yamamoto acordava antes das pessoas. O aroma suave de arroz recém-preparado, caldo quente e chá verde já ocupava os corredores quando Valentina chegou à sala de refeições, acompanhada por Rafael e Moreira.

O ambiente era diferente do jantar da noite anterior.

Mais claro. Mais íntimo.

Menos ritual — mais cotidiano.

A mesa baixa já estava posta.

Pratos pequenos, dispostos com simetria cuidadosa. Arroz branco fumegante. Peixe grelhado em porções delicadas. Ovos preparados de forma simples, legumes cozidos no ponto exato, sopa leve, frutas cortadas com precisão quase artística. Tudo servido sem excesso, sem pressa, sem desperdício.

O senhor Yamamoto estava à mesa.

Postura impecável, expressão neutra, lendo algo em um tablet antes de pousá-lo com calma. À direita, Akemi já se encontrava sentada, elegante mesmo em roupas mais simples. À esquerda, Hana conversava em voz baixa com uma funcionária, interrompendo-se ao notar a chegada deles.

Rafael foi o primeiro a cumprimentar.

— Bom dia, senhor Yamamoto.

— Bom dia. — respondeu ele, com um leve aceno de cabeça. — Senhora Montenegro.

Valentina inclinou-se levemente, respeitosa.

— Bom dia. — respondeu, simples.

Sentaram-se.

Por alguns segundos, ninguém falou.

E não era constrangimento. Era costume.

Valentina serviu-se com cuidado, observando os gestos dos outros, absorvendo o ritmo. Comeu devagar, sentindo o corpo ainda um pouco deslocado no tempo.

Akemi quebrou o silêncio com suavidade.

— Senhora Montenegro, espero que tenha dormido bem.

Valentina assentiu.

— Dormi, sim. — respondeu. — O jet lag ajudou… acabei pegando no sono mais rápido do que imaginei.

A frase era verdadeira.

Mas incompleta.

A lembrança veio sem pedir licença:

o calor, o braço de Rafael, o despertar embaraçoso.

O coração deu um pequeno salto.

Valentina abaixou o olhar para o prato, concentrando-se demais no arroz.

Rafael percebeu.

Não virou o rosto por completo. Não fez gesto algum que chamasse atenção. Apenas lançou um olhar breve, lateral — o suficiente para confirmar que ele sabia.

E sabia muito bem.

Yamamoto pousou os hashis com calma.

— Hoje teremos um dia dividido. — disse, direto. — Os assuntos de negócios exigem atenção total.

Rafael assentiu.

— Estarei à disposição.

— As senhoras — Yamamoto continuou, agora olhando para Akemi e Hana — cuidarão da senhora Montenegro.

Hana sorriu de imediato, satisfeita.

— Será um prazer. — disse, olhando para Valentina. — Há lugares que merecem ser vistos sem pressa.

Akemi concordou com um leve movimento de cabeça.

— Prepararemos algo leve. — completou. — Nada que canse.

Valentina sorriu, sentindo-se inesperadamente acolhida.

— Agradeço. — respondeu. — Vai ser bom conhecer um pouco mais.

O café seguiu com comentários simples. Yamamoto falou brevemente sobre o clima. Akemi comentou sobre o chá servido. Hana fez uma observação divertida sobre como estrangeiros sempre subestimavam o cansaço do fuso horário.

Moreira quase não falou — apenas escutava, atento, tomando notas mentais.

Quando terminaram, Yamamoto levantou-se primeiro. Um gesto pequeno, suficiente para encerrar a refeição.

— Vamos. — disse a Rafael.

— Sim, senhor.

Rafael levantou-se também.

E então fez algo que Valentina não esperava.

Aproximou-se dela.

Não foi encenação exagerada. Não houve plateia silenciosa, nem pausa dramática. Apenas um gesto simples — natural demais para parecer ensaiado.

Rafael inclinou-se e beijou a bochecha de Valentina.

— Tenha um bom dia, querida. — disse, baixo.

Por meio segundo, Valentina ficou imóvel.

O coração esqueceu o ritmo.

Depois, sorriu.

Pararam diante do espaço principal do templo.

Algumas pessoas oravam. Outras apenas ficavam ali, paradas, em silêncio. Valentina hesitou por um instante. Não por respeito ao ritual — mas por algo mais íntimo.

Respirou fundo.

— Faz tempo que não entro em um lugar assim. — disse, em voz baixa.

Hana a olhou com curiosidade suave. — Por quê?

Valentina demorou um segundo a responder. — Perdi meus pais recentemente. — falou sem dramatizar. — E… acho que ainda não consegui me reconectar com Deus. Passei mais tempo me perguntando “por quê” do que confiando.

Nenhuma das duas respondeu de imediato.

Akemi apenas inclinou a cabeça, respeitosa. Hana tocou levemente o braço de Valentina, um gesto simples, sem pena.

Valentina fechou os olhos por um instante. Não pediu nada. Não prometeu nada. Só ficou ali.

Depois abriu os olhos e deu um pequeno passo para trás, abrindo espaço para quem viesse.

— Obrigada por trazerem aqui. — disse, sincera. — Mesmo que eu ainda não saiba exatamente o que fazer com tudo isso.

— Não precisa saber agora. — Hana respondeu. — Alguns lugares servem só para lembrar que o tempo existe.

Seguiram para o jardim lateral.

Pedras grandes, musgo, árvores antigas. Um pequeno lago refletia o céu, e carpas se moviam lentamente sob a água.

Valentina se abaixou um pouco para observar os peixes. — Eles são lindos. — comentou. — E tão calmos…

Fez uma pausa. — Quer dizer… parecem calmos. Mas estão sempre se movendo.

Akemi assentiu. — A calma verdadeira não é ausência de movimento.

Valentina sorriu. — Gosto disso.

Caminharam mais um pouco, conversando sobre coisas simples: viagens, diferenças culturais, pequenos hábitos. Nada forçado. Nada ensaiado.

Valentina falava quando sentia vontade. Ouvia quando achava melhor. Não tentava impressionar.

Em certo momento, sentiu um leve arrepio — aquela sensação incômoda de estar sendo observada. Olhou discretamente para trás.

Um homem conversava com um monge próximo à entrada lateral. Nada demais.

No retorno ao carro, Hana caminhou ao lado de Valentina. — Você é diferente do que imaginei. — disse, sem malícia.

Valentina riu. — Isso é bom ou ruim?

— É real. — Hana respondeu. — E isso é raro.

Akemi entrou no carro primeiro. — Vamos. — disse. — O dia ainda será longo.

Enquanto o templo ficava para trás, Valentina encostou a cabeça no banco. Sentia-se cansada. Mas estranhamente leve.

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