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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 11

O escritório de Rafael estava mergulhado em silêncio.

Do lado de fora, São Paulo fervia, mas ali dentro só se ouvia o zumbido baixo do ar-condicionado e o som distante do tráfego.

O tablet repousava sobre a mesa, o brilho da tela ainda aceso.

Na imagem, Valentina sorria — aquele sorriso ensaiado que ela dera durante o chá no Jóquei.

“O senhor Montenegro sempre foi direto no que quer.”

A voz dela ecoou pelo alto-falante.

Rafael encostou-se na cadeira, os olhos fixos na tela, o maxilar travado.

Aquela frase ficou rodando na cabeça como uma lâmina.

Um toque na porta.

Antes que pudesse responder, ela se abriu.

— Bom dia, senhor Montenegro.

Rafael não precisou olhar para saber quem era.

Revira os olhos.

— Já disse que tem que ser anunciado, Lucas.

Lucas Medeiros entrou, o terno meio amassado, o sorriso insolente de quem nunca entendeu o perigo que é brincar com um Montenegro.

— Eu, anunciado? Jamais. Ia estragar a surpresa.

Ele se jogou na poltrona à frente da mesa, cruzando as pernas como se estivesse em casa.

— Então? — perguntou, o olhar caindo sobre o tablet. — Como está a vida de casado?

Rafael soltou um suspiro lento, sem disfarçar o tédio.

— O que quer, Lucas? Estou ocupado.

— Nada demais. — respondeu o amigo, sorrindo. — Só que meus pais me arrumaram um encontro às cegas hoje e eu precisava lembrar que alguém está em situação pior que a minha.

Rafael ergueu uma sobrancelha.

— Sempre tão trágico.

Lucas apoiou o cotovelo na mesa, divertido.

— Trágico é ver o todo-poderoso Rafael Montenegro domesticado. — debochou. — Quem diria, o homem que sempre fugiu de compromissos agora é marido de uma advogada.

Rafael pegou o tablet e desligou a tela com um toque seco.

— Cuidado com o que fala.

— Relaxa. — respondeu Lucas, rindo. — Sabe o que dizem? O amor humilha até os mais arrogantes. E você, meu caro... adora ser humilhado.

Fez uma pausa, o olhar afiado.

— Imagina quando ela souber a ver—

— Chega. — interrompeu Rafael, a voz firme, cortante.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

Lucas piscou, se recostando na cadeira.

— Desculpa. — murmurou. — Eu... não devia ter falado disso.

Rafael se levantou, caminhou até a janela.

A luz da manhã desenhava sombras nas paredes.

— Se não tem medo da morte — disse, sem se virar — ou medo de ficar sem a língua, sugiro que nunca mais toque nesse assunto.

Lucas levantou as mãos num gesto de rendição.

— Ok. Esquece o que eu disse.

Mudou de tom, leve:

— Então vamos ao clube mais tarde? Depois do meu fiasco romântico?

Rafael girou lentamente o copo de uísque na mão.

— Talvez.

— Leve sua esposa. — provocou Lucas. — O pessoal quer conhecer a senhora Montenegro.

Rafael virou-se, os olhos frios.

— A sociedade adora um espetáculo.

— E você é o mestre deles. — disse Lucas, sorrindo. — Até mais, “senhor casado”.

Ele se levantou e saiu, assobiando baixo.

A porta se fechou, e o silêncio voltou.

Rafael olhou para o tablet ainda sobre a mesa.

Por um segundo, o dedo quase tocou o botão para ligar a tela outra vez.

Mas não.

O relógio da cabeceira marcava 22h47.

O quarto estava mergulhado em penumbra, só o abajur aceso lançava um círculo tímido de luz sobre a cama.

Valentina estava sentada, de robe, com o olhar fixo na janela. Lá fora, São Paulo pulsava — viva, barulhenta, indiferente. Ali dentro, o silêncio era uma sentença.

O celular vibrou em cima do criado-mudo.

Ela levou um susto. Quase não ouvia o toque há dias; ninguém ligava, ninguém ousava.

Quando viu o nome na tela, o coração bateu diferente.

Capítulo 11 — Ecos e Farpas 1

Capítulo 11 — Ecos e Farpas 2

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