Entrar Via

Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 126

O dia amanhecia devagar. Não houve luz invadindo o quarto nem o sol anunciando vitória. Era um amanhecer discreto, quase contido, como se o próprio mundo tivesse decidido não fazer barulho depois do que acontecera naquela noite.

Valentina acordou sem sobressalto.

Foi o silêncio que a trouxe de volta.

Um silêncio diferente. Controlado. Organizado demais para ser natural. Cortado apenas por um som repetitivo, baixo, insistente — um bip regular que marcava o tempo com precisão clínica.

Ela piscou algumas vezes.

O teto era branco.

As luzes, suaves.

O ar, frio e limpo demais.

Hospital.

A palavra se encaixou na mente antes que qualquer emoção viesse junto.

Ela tentou se mexer.

O corpo respondeu com atraso, pesado, como se estivesse saindo de um lugar fundo demais. Não havia dor aguda. Não havia choque. Apenas um cansaço que parecia morar nos ossos.

E então as lembranças vieram.

Não em ordem.

Não completas.

Fragmentos.

Luz amarela.

Concreto.

Uma arma erguida.

Um som seco — talvez um tiro, talvez vários.

Ela tentou organizar.

Havia alguém caindo.

Havia gritos.

Havia fumaça.

E havia… ele.

Ou talvez fosse só desejo.

Talvez fosse a mente tentando costurar um final que fizesse sentido.

Valentina fechou os olhos por um instante, respirando fundo.

Tudo estava embaralhado.

Ela lembrava de medo.

De certeza de morte.

De pensar que ninguém viria.

Depois… nada.

O vazio.

Ela abriu os olhos de novo.

Foi então que percebeu que não estava sozinha.

Rafael dormia no canto do quarto.

Não ao lado da cama.

Não segurando sua mão.

Mas perto o suficiente para não ser coincidência.

Estava sentado na poltrona destinada a acompanhantes, o corpo inclinado levemente para o lado, a cabeça apoiada de forma desconfortável, como alguém que adormeceu vencido pelo próprio limite.

O braço esquerdo estava enfaixado.

Valentina demorou alguns segundos para processar aquilo.

O coração deu um salto curto, pesado.

Ela observou com atenção agora.

A camisa estava trocada, limpa, mas o tecido amarrotado denunciava horas sem movimento. O curativo subia do antebraço até próximo ao ombro, firme, recente.

Ele se machucou.

A constatação veio sem drama — mas com peso.

Ela puxou o ar devagar, sentindo algo estranho se espalhar dentro do peito. Não era pânico. Não era dor.

Era uma mistura confusa de alívio, culpa e algo quente demais para aquele quarto frio.

Tentou lembrar.

Ele tinha chegado?

Tinha sido real?

A imagem vinha quebrada:

ele de pé,

uma arma,

uma voz dizendo algo firme…

Mas nada se fixava por completo.

O trauma tinha embaralhado tudo.

Ela não sabia dizer quanto era memória e quanto era construção da mente tentando se proteger.

Valentina mexeu a mão devagar sobre o lençol.

Os dedos tremiam levemente.

O corpo ainda estava em alerta, mesmo ali.

A porta do quarto se abriu com cuidado.

Ela virou o rosto no mesmo instante.

O médico entrou em passos leves, consultando o prontuário — e parou ao vê-la acordada.

— Bom dia, senhora Montenegro. — disse, com um sorriso tranquilo. — Vejo que acordou.

Valentina assentiu de leve.

— Onde… — a voz saiu baixa — …onde eu estou?

— Hospital metropolitano. — respondeu ele. — Está segura.

A palavra pousou com cuidado.

Segura.

Ela olhou instintivamente para Rafael.

Dormindo.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário