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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 125

O hospital estava mergulhado em um silêncio controlado.

Aquela hora da madrugada em que tudo parecia existir em estado de espera. As luzes permaneciam acesas, brancas demais, mas os corredores estavam quase vazios. Passos surgiam aqui e ali, espaçados, cuidadosos, como se até o prédio soubesse que algo grave tinha acabado de acontecer e ainda não tivesse decidido como reagir.

O ar cheirava a antisséptico e metal frio.

Nada ali convidava ao descanso.

Mas também não havia pressa.

A luz branca refletia no chão encerado como se tudo ali fosse feito para não permitir sombras. Ainda assim, elas existiam. Invisíveis. Pairando.

Valentina estava deitada em uma maca, inconsciente, fios conectados ao corpo, o peito subindo e descendo num ritmo monitorado por máquinas que apitavam em intervalos regulares. O rosto estava pálido, limpo demais, quase em contraste violento com tudo o que tinha acontecido horas antes.

Rafael estava ao lado dela. De pé, imóvel, como se qualquer movimento pudesse quebrar algo frágil demais para ser tocado.

A mão dele envolvia a dela.

Os dedos de Valentina estavam frios no começo. Agora, não mais. Mesmo inconsciente, ela mantinha os dedos fechados nos dele com uma força silenciosa, quase desesperada. Não era consciente. Não era escolha. Era o corpo dela recusando a ideia de ficar sozinha outra vez.

Rafael percebeu isso no instante em que tentaram afastá-lo.

— Senhor, precisamos levá-la para exames mais profundos. — disse uma enfermeira, com a voz treinada para soar calma.

Ele assentiu, mas não soltou a mão.

— Só um segundo. — pediu, baixo.

A enfermeira hesitou, olhando para as mãos unidas.

— Senhor…

Valentina se mexeu levemente. Um franzir quase imperceptível na testa. E os dedos apertaram mais.

Rafael engoliu em seco.

— Ela não vai soltar. — disse, sem olhar para ninguém. — Nem eu.

Houve um silêncio curto, constrangido.

— Podemos levá-los juntos até a porta do centro de imagem. — sugeriu o médico, observando a cena com atenção profissional… e humana.

Rafael assentiu.

A maca começou a se mover, e ele caminhou ao lado dela, mantendo a mão firme na dela como se aquilo fosse a única coisa que ainda ancorava ambos no mesmo mundo.

Moreira vinha alguns passos atrás.

Foi só quando chegaram ao corredor secundário que Rafael sentiu.

Uma dor aguda atravessou o braço esquerdo.

Não havia percebido antes. Adrenalina tinha sido eficiente demais. Agora, com o caos distante, o corpo cobrava o preço.

O sangue escorria pelo braço molhando a manga da camisa, manchando o tecido claro em tons escuros.

— Senhor Montenegro. — Moreira chamou, baixo. — O seu braço.

Rafael olhou rapidamente, como se aquilo fosse irrelevante.

— Depois.

— O senhor precisa ser atendido.

Ele respirou fundo.

— Depois.

Valentina se mexeu de novo. Um som baixo escapou dos lábios, quase um gemido inconsciente. Rafael inclinou-se imediatamente, o corpo reagindo antes da razão.

— Eu estou aqui. — murmurou, sem saber se ela podia ouvir. — Já acabou.

Os monitores continuavam apitando. Ritmo estável.

— Senhor. — o médico insistiu agora, firme. — Ela está fora de perigo imediato. Mas você não.

Rafael fechou os olhos por um segundo.

Não queria soltar.

Não queria se afastar nem por um metro sequer. O pensamento de não estar ali quando ela acordasse atravessou o peito como uma lâmina lenta.

— Eu fico. — disse, baixo. — Aqui.

— Então vamos fazer isso direito. — o médico respondeu. — Ela vai para observação. Você vem comigo agora. Cinco minutos.

Rafael olhou para a mão deles.

Valentina continuava segurando.

— Eu não consigo. — disse, com honestidade crua. — Ela não solta.

O médico observou com mais atenção.

— Não é incomum. — disse, mais suave. — Trauma profundo. O corpo reconhece segurança antes da mente.

A palavra ficou suspensa no ar.

Segurança.

Moreira desviou o olhar por um instante.

— Vamos levar os dois. — decidiu o médico. — Macas paralelas. Atendimento simultâneo.

Rafael assentiu.

Enquanto ajustavam a posição para transferi-lo, Valentina soltou um pequeno suspiro — e apertou a mão dele outra vez, como se tivesse sentido a possibilidade de perdê-lo ali também.

Rafael sentiu o peito apertar de um jeito que nenhuma bala tinha conseguido provocar.

— Tudo bem. — sussurrou, inclinando-se mais perto. — Eu não vou a lugar nenhum.

Ela não respondeu.

Mas não soltou.

E naquele corredor branco, entre máquinas, sangue seco, silêncio e promessas não ditas, Rafael percebeu algo com uma clareza quase dolorosa:

Ele não tinha apenas chegado a tempo.

Ele tinha se tornado o lugar onde ela se agarrava para continuar viva.

O quarto estava quase às escuras.

A única luz vinha do monitor ao lado da cama, piscando em verde e azul num ritmo constante, firme demais para quem acabara de escapar da morte. O som era baixo, regular. Um lembrete cruel de que o corpo descansava — mas a alma ainda estava longe disso.

Valentina dormia.

Não era um sono tranquilo. Os cílios tremiam de tempos em tempos, o maxilar se contraía em pequenos espasmos involuntários, como se o corpo ainda não tivesse entendido que estava segura. Um hematoma escurecia a lateral do pescoço. Marcas leves nos pulsos denunciavam as amarras que haviam sido retiradas horas antes.

Rafael estava sentado ao lado da cama.

Não na poltrona confortável que alguém empurrara para ele depois.

Mas na cadeira dura, comum, quase esquecida no canto do quarto.

O braço esquerdo estava enfaixado do ombro até o antebraço. O tiro de raspão não fora grave — os médicos disseram isso mais de uma vez —, mas a dor persistia, latejante, como uma punição atrasada. Ele não reclamara. Não pedira analgésico extra. Não mudara de posição.

A mão dele permanecia presa à dela.

Valentina segurava seus dedos com força, mesmo inconsciente. Um reflexo profundo, instintivo. Como se o corpo tivesse entendido, antes da mente, quem a trouxera de volta.

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