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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 128

Valentina acordou com a sensação de que tinha sido atropelada.

Não era uma dor específica. Era pior do que isso. Um cansaço profundo, espalhado por cada músculo, como se o corpo tivesse sido exigido além do que conseguia suportar. Os ombros pesados. As pernas rígidas. A cabeça latejando baixo, insistente.

Ela abriu os olhos devagar.

Por alguns segundos, não soube onde estava.

Ela tentou se mexer — e percebeu.

Estava abraçada a Rafael.

O corpo dele a envolvia com firmeza tranquila, um braço ao redor de suas costas, a mão repousando entre seus ombros como se tivesse sido colocada ali para impedir qualquer queda. O rosto dele estava próximo demais. Os traços relaxados de um jeito raro, quase vulnerável.

Ele dormia profundamente.

Valentina prendeu a respiração.

O coração acelerou por um instante, confuso demais para entender se aquilo era consequência da noite… ou algo que tinha acontecido depois.

Ela não se lembrava de nada da noite — apenas do banho e do momento em que o cansaço a puxou para o escuro.

Com cuidado extremo, como se qualquer movimento pudesse acordá-lo ou quebrar algo invisível entre eles, Valentina começou a se soltar do abraço.

O corpo protestou quando se afastou. Não queria cooperar. Não queria sair dali.

Mas ela conseguiu.

Sentou-se devagar na cama, respirando fundo, e foi então que percebeu a própria roupa. A camiseta estava grudenta, úmida de suor frio, desconfortável demais para ignorar.

Levantou-se com cautela e seguiu para o banheiro.

A água quente trouxe algum alívio, mas também trouxe perguntas. Enquanto escorria pelos ombros e pelas costas, Valentina tentou puxar a memória da noite anterior.

Nada.

Quando saiu do banho, foi até o closet. Voltou vestida com roupas limpas e confortáveis quando algo chamou sua atenção.

Na mesa de cabeceira, do lado de Rafael, havia um copo com água, um termômetro e comprimidos separados com cuidado.

Remédios para febre.

Valentina franziu a testa.

Olhou de novo para Rafael, ainda dormindo.

— Estranho… — murmurou.

Aproximou-se da cama e, sem pensar muito, ajustou a coberta sobre ele. Um gesto automático.

Então saiu do quarto.

A ala estava silenciosa, mas ao chegar à pequena sala anexa, Valentina parou.

A mesa estava posta.

Café da manhã completo. Chá quente. Frutas cortadas com precisão. Tudo organizado ali — quando normalmente as refeições aconteciam na sala principal da mansão.

Moreira estava de pé, ao lado da mesa.

— Bom dia, senhora. — disse, com um leve inclinar de cabeça.

— Bom dia… — respondeu ela, ainda confusa. — Isso tudo é para mim?

— Sim. — respondeu ele, naturalmente. — Como está se sentindo agora? A febre baixou?

Valentina piscou.

— Febre?

Moreira a observou por um segundo a mais do que o habitual.

— Sim, senhora. — disse. — A senhora teve febre durante a madrugada. O médico foi consultado. O senhor… — ele fez uma pausa mínima — …não dormiu até que a temperatura estabilizasse.

Algo apertou no peito dela.

— Eu não lembro disso. — disse, baixo.

— É comum. — respondeu Moreira, servindo o chá.

Valentina se sentou.

Comeu devagar. Não sentia fome, apenas a necessidade estranha de comer algo para fortalecer seu corpo.

Moreira colocou um comprimido ao lado do prato.

— O médico recomendou. Para garantir que a febre não retorne.

Ela assentiu e tomou o remédio sem discutir.

Foi então que a porta se abriu com força demais para aquele ambiente silencioso.

Rafael entrou.

O olhar dele percorreu a sala em um segundo — rápido, tenso — e só relaxou quando a encontrou sentada à mesa.

Mas o rosto permaneceu sério.

— Por que levantou tão cedo? — perguntou. — Você deveria estar descansando.

Valentina ergueu o olhar.

— Estou bem. — respondeu, calma. — Só estava com fome.

Ele se sentou à frente dela.

Começou a comer, mas sem tirar os olhos dela. Observando. Conferindo.

Valentina respirou fundo.

— Eu… — hesitou. — Te dei trabalho ontem à noite, não dei?

O silêncio caiu pesado.

Moreira entendeu antes de qualquer ordem.

— Com licença. — disse, retirando-se discretamente da sala.

Não perguntou por quê.

E Rafael não explicou.

Quando atravessou o corredor externo da ala, o ar pareceu mudar.

Yamamoto o aguardava.

De pé, postura impecável, mãos cruzadas à frente do corpo. O rosto calmo demais para aquele momento. Homens como ele não demonstravam pressa — faziam o tempo esperar.

— Senhor Montenegro. — cumprimentou, inclinando levemente a cabeça. — Temos um assunto para encerrar.

Rafael não respondeu de imediato.

Ajustou o paletó. Endireitou os ombros.

— Sim. — disse, por fim. — Vamos resolver isso agora.

Os carros partiram poucos minutos depois.

A mansão ficou para trás, substituída por uma área afastada da cidade, industrial, silenciosa demais para ser comum. Um galpão isolado, pertencente à família Yamamoto — daqueles que não constavam em registros públicos e não recebiam visitas indesejadas.

Ali, as coisas terminavam quando precisavam terminar.

Rafael desceu do carro sem expressão.

O cheiro de metal, óleo e concreto frio tomou o ar.

Dentro do galpão, um homem estava amarrado a uma cadeira. Ferido, cansado, vivo — por enquanto. O único que sobrevivera ao sequestro.

Yamamoto entrou primeiro.

— Você teve tempo suficiente para pensar. — disse, em japonês, a voz tranquila demais para a situação. — Agora vai nos dizer quem mandou tocar na senhora Montenegro.

O homem ergueu o rosto, os olhos cheios de medo.

Rafael permaneceu alguns passos atrás.

O mesmo homem que, horas antes, ajustava uma coberta com cuidado.

O mesmo homem que sussurrava palavras para alguém que não podia ouvir.

Ali, ele era outro.

Frio.

Calculado.

Decidido.

Porque o mundo não era justo.

E homens como eles não podiam se dar ao luxo de fingir que era.

Enquanto Valentina descansava, envolta pelo silêncio seguro da mansão, o preço da segurança dela estava prestes a ser cobrado.

E alguém ia pagar por isso.

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