Valentina acordou com o coração acelerado.
Por um segundo, não sabia onde estava.
Nem quando.
Nem como.
A última coisa que lembrava era o chão frio do quarto… o rosto ardendo… e a sensação sufocante de que o mundo inteiro tinha decidido esmagá-la naquela noite.
Agora estava na cama.
Com o cobertor puxado até a cintura.
A luz apagada.
O silêncio pesado demais para ser natural.
Ela piscou algumas vezes, tentando forçar a memória a preencher as lacunas… mas tudo o que encontrou foi um vazio nebuloso, quente, desconfortável.
Devagar, sentou-se à beira da cama.
A cabeça latejava.
O estômago embrulhava.
E o rosto… bom, o rosto queimava como lembrança viva do tapa.
Quando finalmente respirou fundo, a primeira coisa que fez foi caminhar até a porta.
Girou a maçaneta.
Nada.
Trancada.
Não precisou tentar uma segunda vez para entender.
Nem bater.
Nem chamar.
Ela conhecia bem o tipo de silêncio que responde com “não adianta”.
Aquele silêncio era Montenegro.
Valentina encostou a testa na porta por um instante, o ar entrando e saindo rápido demais pelos pulmões.
— Ótimo. — murmurou, com um sorriso torto, ácido. — Prisioneira… mas com cama macia.
Quando virou para dentro do quarto, viu a bandeja sobre a mesa:
café da manhã impecável, frutas cortadas, pão fresco, chá de camomila ainda quente.
E ao lado, sobre a cadeira…
O conjunto bege que Clara tinha escolhido para ela.
Elegante.
Discreto.
Sem vida.
Valentina soltou um riso.
Aquele riso que não vem de humor — vem de desespero embalado em ironia.
— Prisioneira bem alimentada, pelo menos. — ela disse, mexendo a xícara como se interpretasse a própria tragédia.
Tirou a camisola da gaveta.
Tomou banho devagar, deixando a água quente tentar dissolver a vergonha, a humilhação, a raiva… e a pergunta que voltou como um eco:
Por que ele me carregou?
Por que me trouxe até aqui?
Por que me trancou?
Quando saiu do banheiro, colocou a camisola ao invés da roupa bege.
Um pequeno ato de rebeldia.
Mínimo.
Insignificante.
Mas era tudo que ela tinha.
Sentou-se na cama, puxou o celular do criado-mudo e o ligou.
O aparelho vibrou por quase dez segundos, como se tivesse acumulado o desespero do mundo inteiro.
Bianca (34 chamadas não atendidas).
Valentina suspirou… e apertou o sorriso mais sincero em dias.
Abriu as mensagens:
“AMIGAAAAAAAAAAAAA
VOCÊ FOI ABDUZIDA PELOS ALIENS MONTENEGRO???”
“SE TIVER VIVA, PISCA!!!”
“Lucas está insuportável. Me mordeu. Disse que eu ‘mereço coisa melhor’. Eu mereço é terapia.”
Valentina riu baixo, um riso cansado, mas verdadeiro.
E então veio a última mensagem de Bianca:
“Mano… olha ISSO.”
Link anexado.
Valentina clicou.
O vídeo abriu.
Fernando Avelar.
Sentado diante de um painel de imprensa.
Todo arrumado, mas visivelmente pálido.
Microfones à frente.
Jornalistas filmando.
E ele dizendo — com a voz trêmula, ensaiada, derrotada:
“Eu… venho a público me retratar. A senhora Valentina Montenegro não me assediou.
Não me provocou.
Eu menti.
Peço desculpas a ela, ao Grupo Montenegro e ao público.”
Valentina levou a mão à boca.
— Meu Deus…
Ela rolou a tela.
Outro link.
CENTRAL DE NEGÓCIOS – URGENTE
GRUPO AVELAR É ADQUIRIDO PELO GRUPO MONTENEGRO APÓS COLAPSO REPENTINO NAS AÇÕES.
Valentina sentiu a espinha gelar.
Isso não era coincidência.
Nem destino.
Nem justiça divina.
Era Rafael.
O peso da descoberta caiu sobre ela como uma marreta silenciosa.
Ele tinha visto.
Ele sabia.
Ele derrubou um empresário inteiro… em menos de doze horas.
Tudo sem levantar a voz.


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