O avião começou a perder altitude lentamente.
Do lado de fora da janela, o céu parecia mais amplo do que em qualquer outro lugar do mundo. Um azul frio, limpo, atravessado por nuvens finas que pareciam rasgar o horizonte.
Rafael observava em silêncio.
Lá embaixo, a paisagem era diferente de tudo que ele estava acostumado a ver.
Nada de grandes cidades.
Nada de arranha-céus.
Nada de movimento constante.
Apenas campos vastos, vento, e um mar de terra aberta que parecia não ter fim.
Ele virou o rosto lentamente para Valentina.
— Patagônia?
Ela sorriu.
Um sorriso aberto, quase orgulhoso.
— Sim.
O avião inclinou levemente enquanto se alinhava à pista.
— Eu imaginei que você fosse me levar para algum lugar turístico — comentou Rafael, olhando novamente pela janela.
— Essa parte do mundo eu não conheço — continuou ele.
Valentina cruzou as pernas, tranquila.
— Eu também não conhecia.
Ele ergueu uma sobrancelha.
— Então por que aqui?
O avião tocou a pista com um leve impacto.
Valentina apoiou o cotovelo no braço da poltrona.
— Porque a Patagônia é um dos lugares mais extremos do planeta.
Ela apontou pela janela.
— Esse pedaço específico da Argentina foi construído praticamente contra o vento. Río Gallegos começou como um pequeno porto de abastecimento no século XIX.
Rafael olhou novamente para a paisagem.
— Não parece ter mudado muito.
Ela riu.
— Não mesmo.
O avião diminuiu velocidade enquanto taxiava.
Valentina continuou, quase como se estivesse apenas compartilhando curiosidades.
— O lugar sempre foi isolado. Frio, vento constante… e por muito tempo foi uma base importante para aviadores que cruzavam o sul do continente.
Ela apoiou o queixo na mão.
— E também foi uma rota estratégica durante a Guerra das Malvinas.
Rafael voltou a olhar para ela.
— Você estudou o lugar.
— Claro.
Ela sorriu de lado.
— Eu não traria o poderoso Rafael Montenegro para o fim do mundo sem saber onde estou pisando.
Ele soltou um riso baixo.
— Fico aliviado.
O avião finalmente parou.
Quando a porta se abriu, o vento frio entrou imediatamente na cabine.
Valentina apertou o casaco.
— Ok… talvez eu tenha subestimado um pouco o frio.
Rafael pegou o próprio casaco com calma.
— Você escolheu um lugar congelante.
— É parte da experiência.
Eles desceram a escada do avião.
O ar era seco e cortante.
O céu parecia ainda maior visto do chão.
Na pequena área de desembarque, um homem aguardava próximo a um carro utilitário.
Ele caminhou até eles e abriu um sorriso cordial.
— Bem-vindos a Río Gallegos.
Ele ajudou a retirar as malas.
— Espero que tenham trazido casacos. Este fim de semana promete ser bem frio.
Rafael franziu levemente a testa.
De todos os lugares possíveis no planeta…
Valentina escolheu um congelando.
Ela apenas sorriu.
— Trouxemos sim. Obrigada.
O homem fechou o porta-malas.
— Serei o guia de vocês este fim de semana.
Eles entraram no carro.
Valentina acomodou-se primeiro.
Rafael entrou logo depois.
Enquanto o veículo começava a se mover pela estrada, ele observava tudo ao redor.
A cidade era pequena.
Casas baixas.
Pouco movimento.
Nada de luxo.
Nada de ostentação.
Era como se o mundo moderno tivesse decidido parar alguns quilômetros antes dali.
Ele segurou a mão de Valentina.
Os dedos dela estavam gelados.

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