A casa já estava aquecida quando eles voltaram para a cozinha.
Os casacos tinham sido abandonados sobre uma cadeira perto da porta. O frio da Patagônia continuava do lado de fora, mas ali dentro o calor da lareira transformava o pequeno espaço em algo acolhedor.
Valentina havia trocado o salto por um par de chinelos simples.
O cabelo estava preso de qualquer jeito, algumas mechas soltas caindo sobre o rosto enquanto ela lavava um tomate na pia.
Rafael observava a cena enquanto cortava o pão sobre a tábua de madeira.
Era estranho.
Estranhamente bom.
Ela parecia completamente à vontade ali.
Como se aquela casa pequena, perdida no fim do mundo, fosse o lugar mais natural para ela estar.
Ele acendeu o pequeno rádio antigo que ficava sobre o balcão da cozinha.
A estática durou apenas um segundo.
Logo depois, uma música mexicana animada começou a tocar.
Valentina começou a balançar o corpo automaticamente.
Para um lado.
Depois para o outro.
Ela cantarolava algo que provavelmente nem sabia direito o que era.
Rafael parou de cortar o pão.
E ficou apenas olhando.
O sorriso apareceu devagar.
Ela não percebeu.
Continuou se movimentando pela cozinha, mexendo na panela da sopa de aspargos enquanto a música tocava.
Rafael deixou a faca de lado.
Caminhou até ela.
Sem aviso, abraçou sua cintura por trás.
Valentina riu.
Mas não parou de se mover.
Continuou balançando o corpo no ritmo da música, agora com ele grudado nela.
— Senhor Montenegro, está invadindo meu espaço culinário.
— Estou investigando a chef.
Ela virou o rosto.
— E qual o veredito?
Ele murmurou perto do ouvido dela:
— Perigosa.
Valentina se virou dentro dos braços dele.
A música continuava no rádio.
Os dois tentaram acompanhar o ritmo, improvisando alguns passos de dança apertados demais para qualquer coreografia decente.
Ela apoiou as mãos nos ombros dele.
Rafael segurava sua cintura.
Eles riram quando quase tropeçaram um no outro.
Mas continuaram.
Colados.
Simplesmente se movendo juntos.
Quando a música terminou, Valentina fez uma pequena reverência exagerada.
— Obrigada, senhor, por essa dança maravilhosa.
Rafael pegou uma mecha de cabelo que havia caído sobre o rosto dela e a colocou delicadamente atrás da orelha.
— Disponha, minha bela dama.
Ela virou-se novamente para a cozinha.
O jantar já estava praticamente pronto.
A sopa de aspargos apenas precisava ser aquecida.
O salmão já estava grelhado.
A salada fresca descansava numa tigela simples.
Rafael terminou de cortar o pão enquanto ela organizava tudo na mesa.
— Venha comer — disse ela finalmente. — Espero que goste.
Ele puxou a cadeira e sentou.
O sorriso não saía do rosto dele.
Valentina percebeu.
— O que foi?
— Nada.
Ela serviu a sopa.
Ele levantou para pegar o vinho e serviu primeiro a taça dela.
Depois a própria.
Valentina ergueu uma sobrancelha.
— Já é a segunda taça, senhor Montenegro. Está tentando me embebedar?
Ele sorriu de lado.
— Está funcionando?
Ela lançou um olhar afiado para ele.
Mas divertido.
— Não vou te contar nem sob tortura o que estamos fazendo aqui antes da hora.
Rafael murmurou algo baixo que fez Valentina rir.

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