O salão principal da mansão Montenegro parecia ter sido desenhado para intimidar.
Valentina entrou de volta como quem pisa em território inimigo.
Ela caminhou até uma mesa lateral, serviu um pouco de água e observou o ambiente.
As mulheres estavam reunidas ao redor de Isabella Moretti como discípulas diante de uma santa cuidadosamente maquiada.
Isabella falava sobre moda, viagens, exposições, jantares em Paris, a Vogue, os fotógrafos preferidos, com quem tinha feito parceria, quais eventos fechados iria abrir na próxima temporada.
E aquelas mulheres penduravam elogios como joias no colar dela.
— Isabella, querida, aquela campanha que você fez em Milão foi divina!
— Seu vestido na gala de Veneza… eu fiquei encantada.
— Você nasceu para essa vida!
Valentina observava de longe.
Tinha a consciência aguda de que era invisível.
Mas invisível por escolha deles — não por incapacidade dela.
No canto oposto do salão, os homens discutiam números astronômicos, fusões internacionais, mercado europeu, acordos sigilosos.
Rafael já estava entre eles.
E ele não conversava:
ele comandava o círculo.
Mesmo em silêncio, a energia dele puxava atenção.
Valentina desviou o olhar.
Mas Rafael não.
Como se tivesse um sensor calibrado apenas para detectar o movimento dela.
Os olhos cinza atravessaram o salão, passando por empresários, luzes e mesas…
até colarem nela.
Valentina sentiu.
Na pele.
Como uma pressão suave, mas inevitável.
E virou-se, fingindo que precisava ajustar algo na mesa.
Isabella percebeu.
Claro que percebeu.
O sorriso dela vacilou por meio segundo — mas ela recuperou a pose.
Vittoria, do outro lado, assistia tudo com atenção de quem coleciona munição.
Valentina caminhou para o outro lado do salão, como quem tenta escapar da atenção concentrada demais.
Pegou um canapé, agradeceu ao garçom e se posicionou perto de uma mesa de centro, analisando alguns quadros na parede.
Fingia interesse.
Era isso que se fazia quando se estava entre predadores.
Atrás dela, conversas femininas escorriam como mel adulterado:
— Isabella, quando você volta pra Itália?
— Rafael deve estar radiante com sua presença novamente!
— A família sempre te mimou tanto...
A última frase era um corte.
Mas Valentina não demonstrou.
Ela apenas deu um pequeno sorriso — o suficiente para não parecer afetada, mas não grande o bastante para parecer falsa.
Uma das esposas que estava perto dela — loura, fina, cheia de jóias — olhou Valentina de cima a baixo.
O olhar era rápido, cirúrgico, julgador.
— Você é a… esposa, certo? — perguntou, com a voz doce feita para cortar.
Valentina devolveu o olhar com calma.
— Sou Valentina Montenegro. — respondeu, simples, polida.
A mulher sorriu daquele jeito que não alcança os olhos.
— Ah, claro. Sou Cíntia Vargas. Vittória comentou que você estudou nos Estados Unidos… mas… — ela hesitou, querendo ferir — …não lembro de tê-la visto nos eventos do círculo europeu.
Valentina inclinou a cabeça.
— Talvez porque eu estava ocupada trabalhando, senhora Vargas.
A mulher travou. Uma das amigas dela pigarreou, escondendo um riso envergonhado.
Isabella notou.
Os olhos dela foram imediatamente para Valentina.
— Valentina não é como nós, senhora Vargas.
Ela é… bem… da classe trabalhadora.
Valentina respirou fundo. E sorriu.
— Sim, sou da classe que paga impostos para os políticos. Com licença senhoras.
Vittória apareceu sorriso falso controlando a crise.
— Querida Cíntia, não leve a mal. Valentina ainda não tem… treino social para certas mesas. Mas é útil para meu filho. Venham, experimentem este vinho…
E olhou para Valentina como se fosse arrancar a pele dela.
Rafael observou tudo bebeu mais um gole de uísque — mas a mandíbula dele apertou.
Valentina sorriu.
E saiu antes de ser ouvir algo desprezível de Vittória novamente.
Isabella se aproximou do bar com um sorriso automático. Encostando em Rafael.
— Rafael, querido, preciso te mostrar um convite de Paris — disse, colocando a mão no braço dele.
Rafael moveu o braço para tirar a mão dela — educado, mas firme.
— Agora não. — disse, frio.
Isabella congelou.
E Rafael…
virou o rosto de novo.
Procurando Valentina.
Isabella sentiu o estômago virar.
E isso a irritou ainda mais. Porque não importava quantas joias usasse…
nem quantos países tivesse visitado…
nem quantas línguas falava…
Ele sempre procurava a outra com o olhar.
Quando a orquestra mudou o tom, Valentina sentiu a pressão do salão apertar o peito.
— Eu preciso de ar — murmurou.
E saiu discretamente pela lateral do salão.
O corredor lateral estava silencioso, iluminado apenas por luzes embutidas que desenhavam sombras longas pelo chão.

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