A água engoliu o mundo.
Fria.
Profunda.
Pesada como pedra amarrada ao tornozelo.
Valentina abriu os olhos — mas tudo era borrado, turvo, distorcido.
O coração batia rápido demais, como se tentasse escapar do corpo.
Os sons chegavam abafados, como se viessem de outro planeta.
Um grito.
Outro.
E outro.
A superfície parecia longe. Longe demais.
O ar acabou.
O pânico veio.
Eu vou morrer aqui.
As mãos dela subiram, tentando nadar — mas o corpo não obedecia, porque o trauma falava mais alto que qualquer instinto.
A lembrança da infância. Um corpo batendo na água. Um clarão.
Isabella sendo puxada.
Isabella subindo.
Isabella.
Não Valentina.
A mão que deveria tê-la alcançado passou longe.
E o mundo de Valentina escureceu um pouco mais.
O corpo dela afundou mais um palmo.
O vestido pesado grudava na pele, puxando para baixo.
Os sapatos escorregavam.
Os pulmões ardiam.
Até que— Braços fortes a envolveu.
Um segurança da mansão a agarrou pela cintura e a puxou para cima, rompendo a superfície com força.
Valentina saiu da água ofegante, tossindo, incapaz de falar, o ar rasgando a garganta.
Do lado oposto da piscina…
Rafael emergiu carregando Isabella.
Ela se agarrava ao pescoço dele como uma vítima de naufrágio.
— Rafael! Meu Deus, obrigada! Obrigada! — ela soluçava, ensopada, teatral, exagerada, perfeita para uma manchete.
Rafael respirava fundo, mas seus olhos estavam escuros — irritação pura, brutal, fervendo por dentro.
Ele colocou Isabella com cuidado na borda da piscina.
Ela se deitou ali, mão no peito, como se tivesse sobrevivido ao fim do mundo.
— Eu tentei me explicar… — Isabella arfava — ela… ela me empurrou… eu queria me desculpar… mas Valentina… ela ficou louca… eu… eu não sei o que fiz para merecer isso…
Valentina olhou, ainda nos braços do segurança.
Molhada.
Tremendo.
Sem conseguir formar uma frase.
Aquelas palavras caíram sobre ela como tijolos.
Vittoria surgiu correndo, histérica, agarrando Isabella pelos ombros.
— Minha querida! Meu Deus! O que essa garota fez com você?!
Valentina tentou falar.
Tentou mesmo.
— Eu… — tossiu — …ela que…
Mas Isabella cortou, gemendo como mártir:
— Eu só tentei conversar… e ela me empurrou… eu escorreguei… achei que fosse morrer…
As mulheres ao redor se aproximaram, horrorizadas, murmurando como aves de rapina.
— Coitada da Isabella…
— Essa Valentina é completamente instável…
Valentina piscou rápido, tentando recuperar o ar.
O segurança a colocou sentada na borda da piscina.
As mãos dela tremiam.
O corpo não obedecia.
Ela mal via direito — só vultos, luzes, sombra, água escorrendo pelos cílios.
E então ouviu o mais cruel:
— Meu filho! — Vittoria, em pânico — eu disse que ela não prestava.
Valentina fechou os olhos.
Ar.
Ar.
Preciso de ar.
— Rafael… — Isabella implorou, agarrando o pulso dele — não a culpe… eu entendo… eu me descontrolei com ela mais cedo… sei que errei e vim me desculpar … mas eu… eu pensei que fosse morrer… — um soluço ensaiado — se você não tivesse pulado… e me salvado.
Rafael finalmente falou. A voz era grave.
— Chega.
Ele olhou para Valentina.
Mas antes que qualquer coisa pudesse ser dita…
Isabella fez o golpe final.
— Eu só tive medo… — ela sussurrou, perfeita, delicada — e ela me empurrou…
As pessoas ao redor murmuraram de novo.
Valentina abriu os olhos.
E pela primeira vez desde o casamento…
Ela sentiu que não tinha forças para lutar ali.
E então…
Isabella desmaiou.
Simples assim.
Teatral.
Conveniente.
Ensaiado com a precisão de quem treinou a vida inteira para ser vista.
— Meu Deus! Ela desmaiou! — Vittoria gritou, como se a própria filha estivesse morrendo em seus braços. — Chamem a ambulância! AGORA!
O segurança tentou dizer algo sobre Valentina, mas Vittoria o ignorou completamente.
— Rafael, pegue ela! — Vittoria ordenou, a voz histérica.
E Rafael…

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