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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 250

Rafael acordou primeiro.

Por alguns segundos permaneceu de olhos abertos no escuro suave do quarto, ouvindo apenas o som baixo do vento do lado de fora e a respiração tranquila de Valentina ao lado dele.

Ela ainda dormia.

O rosto parcialmente afundado no travesseiro, o cabelo espalhado, uma das mãos descansando perto do peito como se até dormindo precisasse proteger alguma coisa dentro de si.

Rafael ficou observando.

Havia uma calma estranha dentro dele. Estranha porque ele não estava acostumado a ela. Estranha porque, durante muitos anos, tudo o que existiu ali foi peso, culpa, cálculo, raiva.

Agora não.

Agora o peito estava menos duro.

Menos cheio de ferrugem.

Ele respirou fundo, passou a mão pelos cabelos e se sentou devagar na cama, tomando cuidado para não acordá-la.

Vestiu apenas a calça, calçou as meias e saiu do quarto em silêncio.

A casa ainda estava quieta.

A neve do lado de fora parecia deixar o mundo inteiro mais lento, mais abafado, mais íntimo.

Rafael foi até a cozinha e parou no centro dela, olhando em volta como se estivesse num território desconhecido.

Porque estava.

Ele sabia comandar salas de reunião, derrubar concorrentes, conduzir negociações bilionárias, prever movimentos do mercado com precisão quase cirúrgica.

Mas café da manhã?

Aquilo era outra espécie de guerra.

Pegou o celular.

Abriu um vídeo.

Depois outro.

E mais outro.

Tutorial de omelete.

O rosto permaneceu sério o tempo inteiro, como se estivesse analisando uma operação de risco.

Na pia, três ovos descansavam ao lado de uma tigela.

Ele os encarou como se fossem adversários.

Deu um suspiro baixo, pegou um e tentou quebrá-lo na borda da tigela.

A casca abriu torta.

Parte caiu dentro.

Ele praguejou baixo.

Valentina despertou com o cheiro do café alguns minutos depois.

Ainda sonolenta, demorou um pouco a se lembrar onde estava.

E então…

A lembrança veio como um sussurro preso entre o sono e a memória.

Eu te amo, Valentina.

Ela abriu os olhos completamente.

Ficou imóvel por um segundo, olhando o teto.

Depois se sentou devagar na cama, o coração batendo diferente.

— Eu estava sonhando — murmurou para si mesma.

Levantou-se e foi até o banheiro.

Parou diante do espelho, o cabelo bagunçado, a camisola amassada, o rosto ainda marcado pela noite curta.

E a frase voltou.

Nítida demais para parecer invenção.

Eu te amo, Valentina.

Ela franziu a testa para o próprio reflexo.

— Só isso. Eu estava sonhando.

Apoiou as mãos na pia e soltou o ar devagar.

— Acorda, Valentina. Faltam quinze dias para o fim do contrato. Ele jamais falaria que te ama.

Disse aquilo com firmeza, como se a própria voz fosse capaz de organizar o que o coração se recusava a aceitar.

Lavou o rosto.

Prendeu o cabelo de qualquer jeito.

E saiu do quarto.

O cheiro do café estava mais forte agora.

Quando entrou na cozinha, parou.

Por um momento, realmente parou.

Rafael estava de costas para ela, sem camisa, usando apenas a calça e as meias, o corpo grande demais para aquela cozinha pequena, o celular apoiado perto da fruteira enquanto ele assistia com expressão severa a um tutorial de omelete.

A cena era tão improvável, tão absurdamente humana, que Valentina sentiu o peito doer.

Daquele jeito manso e cruel que só acontece quando a felicidade encosta sem pedir licença.

Ela ficou em silêncio.

Só olhando.

O maxilar dele tenso de concentração.

A forma como segurava o garfo como se fosse uma arma mal projetada.

Os ombros largos.

A pele morena marcada pela luz fria da manhã entrando pela janela.

Aquilo era tão íntimo, tão ridiculamente lindo, que ela abriu um sorriso sem perceber.

Rafael tentou mexer a tigela.

Errou de novo.

Foi então que Valentina se aproximou sem fazer barulho e o abraçou por trás.

Os braços envolveram a cintura dele e o rosto dela encostou entre as escápulas nuas.

— Rafael… — murmurou, rindo baixo. — Isso são ovos, não contratos.

Ele soltou um suspiro que era metade rendição, metade riso.

— Contratos são mais fáceis.

Ela riu e beijou de leve as costas dele.

— Deixa que eu faço.

Rafael ficou em silêncio por um segundo, como se ainda pensasse em defender a própria dignidade.

Depois assentiu.

— Só vou deixar porque realmente não faço ideia do que estou fazendo.

Valentina afrouxou o abraço e passou ao lado dele.

— Isso ficou bem claro.

Ele lançou um olhar enviesado para ela.

— Cruel.

— Honesta.

Rafael recuou um passo e a observou assumir a cozinha com naturalidade.

Ela pegou outra tigela.

Quebrou os ovos de primeira.

Temperou.

Mexeu.

Tudo rápido, prático, sem cerimônia.

— Você está me saindo uma fraude — disse ela, sem olhar para ele. — O grande Rafael Montenegro derrotado por um omelete.

Ele cruzou os braços, encostado no balcão.

— Cuidado. Você está muito confortável em me humilhar.

Valentina sorriu de lado.

— E você está muito confortável em aparecer sem camisa numa cozinha de casa pequena.

Ele arqueou uma sobrancelha.

— Isso é uma reclamação?

Capítulo 250 — Paz em Neve 1

Capítulo 250 — Paz em Neve 2

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