O jantar de gala da Montenegro seguia com a elegância impecável que todos esperavam daquele evento anual.
Garçons circulavam silenciosamente entre as mesas, servindo vinho e pratos cuidadosamente preparados. A luz dourada dos lustres refletia nos cristais e nos talheres de prata, criando um brilho suave sobre o salão.
O som discreto da orquestra preenchia o ambiente sem dominar as conversas.
Valentina estava sentada ao lado de Rafael, conversando com algumas pessoas da mesa, quando algo chamou sua atenção.
Algumas cadeiras à frente.
O pai de Rafael.
O senhor Montenegro estava sentado alguns lugares adiante, conversando com dois empresários estrangeiros.
Valentina franziu levemente a testa.
Algo estava diferente.
Ela olhou ao redor da mesa dele.
Faltava alguém.
Vittória.
A sogra nunca perdia um evento como aquele.
Nunca.
Valentina manteve o olhar por mais um segundo, como se a resposta pudesse aparecer sozinha.
Não apareceu.
— O que foi?
A voz de Rafael veio baixa ao lado dela.
Calma.
Atenta.
Valentina virou o rosto devagar.
— Sua mãe ainda não veio da Suíça?
Rafael não respondeu de imediato.
A mão dele parou por um segundo sobre a taça antes de continuar o movimento.
O silêncio durou pouco.
Mas foi suficiente.
— Vittória está em Londres — disse ele, por fim. — E não quis comparecer ao evento.
Simples.
Direto.
Sem espaço para perguntas.
Valentina sustentou o olhar por um segundo a mais do que deveria.
Então assentiu de leve.
Mas algo não encaixava.
Ela se lembrou da conversa que havia escutado dias antes.
Enzo.
E aquela frase dita quase casualmente.
"Se você chama o sanatório municipal de Suíça."
Valentina sentiu um pequeno aperto no peito.
Mas antes que pudesse pensar mais sobre aquilo, Bianca apareceu ao lado da mesa.
— Val!
Valentina levantou o rosto.
— Oi, Bi.
Bianca se aproximou com uma taça de champanhe na mão.
— Estou entediada.
Valentina riu.
— Impossível.
— Muito possível.
Bianca olhou ao redor.
— Esses empresários estão falando de números há vinte minutos.
Valentina sorriu.
— Isso é praticamente poesia para Rafael.
Bianca olhou para ele do outro lado da mesa.
— Sim.
Ela fez uma pausa.
— Mas definitivamente não é para mim.
Valentina riu novamente.
A conversa seguiu leve por alguns minutos.
Coisas banais.
Vestidos.
Viagens.
Alguns comentários discretos sobre as pessoas do salão.
Até que, por reflexo, Valentina olhou novamente para o outro lado do salão.
E viu.
Enzo.
Sentado algumas mesas adiante.
Ao lado dele…
Helena.
Os dois conversavam tranquilamente com outras pessoas, como se estivessem apenas aproveitando o evento.
Como se nada estivesse fora do lugar.
Valentina observou por um segundo.
Depois voltou a atenção para Bianca.
O jantar seguiu sem incidentes.
Pratos foram servidos.
Discursos ocasionais.
Conversas sociais.
Nada fora do esperado.
Quando finalmente o jantar terminou, as pessoas começaram a se levantar.
Alguns voltavam para a pista de dança.
Outros circulavam pelo salão.
Valentina levantou-se devagar.
— Vou ao banheiro — disse para Rafael.
Ele assentiu.
— Eu espero você.
Ela caminhou pelo corredor elegante que levava aos banheiros do salão.
O silêncio ali era quase reconfortante depois do burburinho do evento.
Valentina entrou.
O banheiro era amplo, decorado em mármore claro, com espelhos enormes e iluminação suave.
Ela lavou as mãos.
Respirou fundo.
O reflexo dela no espelho mostrava uma mulher impecável.
Mas a mente dela ainda estava presa naquela pequena ausência.
Vittória.
Quando ela se virou para sair…
ouviu uma voz.
— Oi, minha querida.
Valentina levantou os olhos.
Helena.
Ela estava encostada elegantemente perto do espelho.

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