Valentina voltou ao salão com passos controlados.
Externamente, nada tinha mudado.
O vestido impecável. A postura elegante. O sorriso no lugar.
Mas por dentro…
as palavras de Helena ainda ecoavam.
Ações na Montenegro.
Testamento.
Informações que ela não deveria saber.
Ou pior…
que alguém tinha escolhido não contar.
O som da orquestra parecia distante agora.
As conversas ao redor, irrelevantes.
Valentina percorreu o salão com o olhar por um instante.
E então encontrou Rafael.
No mesmo lugar.
Conversando.
Seguro.
Intocável.
Como se o mundo estivesse exatamente sob controle.
Como sempre.
Ela caminhou até ele.
E, quando ele a olhou…
sorriu.
Aquele sorriso que sempre funcionava.
Mas dessa vez…
não apagou o que estava na mente dela.
Os convidados começaram a se dispersar pelo salão conforme a noite avançava.
Alguns seguiam para a pista de dança.
Outros se agrupavam em pequenas rodas de conversa, trocando cartões, risos discretos e promessas de novos negócios.
Rafael apoiou a mão na lombar de Valentina, guiando-a entre as mesas com naturalidade.
— Vamos? — murmurou, próximo ao ouvido dela.
Valentina assentiu.
Antes que pudessem sair, Bianca apareceu novamente, puxando Lucas pelo braço.
— Ei, ei… vocês não vão fugir assim sem se despedir.
Lucas riu.
— Ela está emocionalmente abalada, releva.
— Eu não estou abalada — Bianca rebateu, cruzando os braços. — Eu estou investida na felicidade da minha amiga.
Valentina riu.
— Você vai sobreviver até amanhã.
— Não sei se vou — Bianca respondeu dramática. — Mas vou tentar.
Ela abraçou Valentina com força.
— Estou feliz por você. De verdade.
Valentina sorriu, retribuindo o abraço.
— Eu sei.
Bianca se afastou, então olhou para Rafael.
— Cuida dela.
Rafael sustentou o olhar, tranquilo.
— Sempre.
Lucas apertou a mão dele em seguida.
— Bom evento, Montenegro.
— Obrigado.
Mais alguns executivos se aproximaram, cumprimentando Rafael com formalidade.
— Excelente organização, Montenegro.
— Como sempre, impecável.
Ele respondeu com acenos discretos, poucas palavras, sem perder a atenção em Valentina ao seu lado.
Quando finalmente o fluxo diminuiu, Rafael voltou o olhar para ela.
— Agora sim.
Valentina entrelaçou os dedos nos dele.
— Agora sim.
Os dois caminharam juntos em direção à saída.
As portas se abriram.
E o ar da noite os envolveu, mais frio, mais silencioso.
O contraste com o salão era imediato.
Valentina respirou fundo.
Como se estivesse deixando algo para trás.
Ou talvez…
levando mais do que gostaria.
O caminho de volta foi silencioso.
Não desconfortável.
Mas diferente.
A cidade passava pelas janelas do carro em luzes borradas, enquanto Valentina mantinha o olhar perdido do lado de fora.
A cabeça dela não desacelerava.
Helena.
O testamento.
As ações.
E, principalmente…
Rafael.
Ela desviou o olhar discretamente para ele.
As mãos firmes no volante.
O rosto calmo.
Controlado como sempre.
Como se nada tivesse saído do lugar.
Como se o mundo fosse exatamente o que ele dizia ser.
E talvez fosse.
Ou talvez… ela só ainda não tivesse visto tudo.
O carro entrou pelos portões da mansão Montenegro.
Tudo iluminado.
Impecável.
Intocável.
Como o homem ao lado dela parecia ser.
Rafael desceu primeiro e abriu a porta para ela.
Valentina aceitou a mão dele.
Mas dessa vez…
não sorriu imediatamente.
Ele percebeu.
Claro que percebeu.
O quarto estava silencioso quando entraram.
Valentina caminhou até a janela.
Tirou os brincos devagar.
Colocou sobre a mesa.
Rafael tirou o paletó.
Afrouxou a gravata.
Observando.
Sempre observando.
— Você ficou quieta — disse ele, por fim.
Valentina demorou um segundo a mais do que o normal.
Olhava a própria imagem refletida no vidro escuro.
— Só cansada.
Mentira.
Pequena.
Mas ainda assim, mentira.
Rafael não rebateu.
Aproximou-se.


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