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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 268

O hall do sanatório era limpo demais. As luzes frias no teto deixavam tudo com uma aparência impessoal, quase estéril. O cheiro de desinfetante pairava no ar com tanta força que Valentina sentiu a garganta apertar logo nos primeiros passos.

Bianca caminhava ao lado dela, mais séria agora. Sem as piadas do carro. Sem o tom leve de antes.

Na recepção, o nome da suposta avó com Alzheimer abriu portas suficientes para que um dos administradores viesse atendê-las pessoalmente. Um homem magro, de voz baixa e sorriso protocolar, que falava sobre segurança, conforto e excelência médica como se estivesse vendendo um hotel cinco estrelas.

— Nossa prioridade é o bem-estar dos pacientes — dizia ele, conduzindo Bianca por um corredor lateral. — Temos acompanhamento integral, equipe especializada, atendimento humanizado...

Valentina ouvia.

Mas não escutava de verdade.

Os olhos dela corriam pelo lugar.

Portas fechadas.

Passos apressados de enfermeiros.

Um médico atravessando o corredor sem olhar para ninguém.

Ali tudo parecia organizado na superfície.

Só na superfície.

Bianca seguia fazendo o papel combinado com uma naturalidade surpreendente.

— E os quartos são individuais? — perguntou, olhando em volta. — Porque minha avó odeia barulho.

— Dependendo do plano e da necessidade clínica, sim — respondeu o diretor. — Temos algumas alas mais reservadas.

Valentina deu dois passos mais lentos.

Depois parou.

Alguma coisa.

Um som.

Um grito.

Não alto no início. Mas suficientemente agudo para atravessar o corredor como uma lâmina.

Ela virou o rosto na mesma hora.

Bianca ainda conversava com o diretor.

— ...e ela tem fases muito difíceis, então eu preciso ter certeza de que...

Outro grito.

Mais forte agora.

Feminino.

Desesperado.

— Eu sou Vittória Montenegro! Soltem-me! Soltem-me agora!

O sangue de Valentina gelou.

Sem pensar, ela se afastou discretamente.

Primeiro um passo.

Depois outro.

Até sair do campo de visão do diretor e seguir o som pelo corredor lateral.

Uma enfermeira passou correndo por ela.

Depois outra.

Um médico.

O coração de Valentina começou a bater tão forte que o som parecia preencher a própria cabeça.

Ela virou a esquina.

E viu.

A porta de um dos quartos estava aberta.

Lá dentro, Vittória lutava contra duas enfermeiras enquanto uma terceira tentava conter seus braços. O cabelo estava desgrenhado, quase todo branco. O rosto sem maquiagem parecia anos mais velho. Os olhos, antes frios e soberanos, agora brilhavam com um desespero descontrolado.

— Eu sou a mãe dele! — gritava. — Eu sou a mãe de Rafael Montenegro! Vocês não podem me deixar aqui!

Mais duas pessoas entraram.

Um médico preparava uma seringa com movimentos rápidos.

— Não! Não encoste em mim! — Vittória gritou de novo. — Foi pela família! Eu fiz tudo pela família!

Valentina ficou petrificada no corredor.

Incapaz de piscar.

Incapaz de respirar direito.

O médico se aproximou e, com a ajuda das enfermeiras, aplicou o calmante.

Vittória continuou se debatendo por alguns segundos.

Depois a força começou a desaparecer.

Os gritos viraram sons confusos.

A cabeça caiu de lado.

As enfermeiras a prenderam com faixas aos pulsos.

Amarrada à cama.

Sedada.

Silenciada.

Valentina levou a mão à boca.

Sentindo o estômago revirar.

Uma das enfermeiras saiu do quarto apressada, ajeitando a manga do uniforme. Quando viu Valentina ali, desacelerou apenas o suficiente para parecer profissional.

— Desculpe pelo transtorno.

Valentina forçou a própria voz a sair.

— O que aconteceu com essa senhora?

A enfermeira soltou um suspiro cansado.

— Mania de perseguição.

Valentina não desviou os olhos do quarto.

A mulher continuou:

— Ela vive dizendo que o filho a internou aqui contra a vontade dela. Diz que é uma rainha, que é a mãe de um homem importante…

A enfermeira deu um meio sorriso.

Quase impaciente.

— Mas ela está aqui porque tentou matar a nora. Sequestrou a moça, mandou fazer coisas horríveis. Quase conseguiu.

O corpo de Valentina inteiro esfriou.

A enfermeira continuou, sem imaginar com quem falava.

— O filho dela, pelo menos, é um amor. Vem aqui com frequência. Sempre educado, calmo… Um rapaz tão bom e simpático.

Ela balançou a cabeça.

— Uma pena a mãe ser completamente louca.

E saiu.

Valentina permaneceu imóvel por mais alguns segundos.

Depois olhou outra vez para dentro do quarto.

Para Vittória.

Para o corpo preso à cama.

Para o rosto consumido.

Era difícil conciliar aquela imagem com a mulher elegante, venenosa e impecável que tinha conhecido na mansão Montenegro.

Aquela ali parecia uma sombra.

Um resto.

Uma ruína viva.

Valentina deu um passo para dentro do quarto.

Depois outro.

Devagar.

Como se qualquer movimento mais brusco pudesse quebrar a cena.

Capítulo 268 — O corredor dos segredos 1

Capítulo 268 — O corredor dos segredos 2

Capítulo 268 — O corredor dos segredos 3

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