O celular privado de Rafael tocou, e ao ver o número soube que algo estava errado.
Atendeu na mesma hora.
— Fala.
Do outro lado, a voz de Arthur veio tensa.
— Senhor… me perdoe, mas a senhora…
Rafael já estava de pé antes mesmo da frase terminar.
— O que tem a senhora?
— Ela informou que iria até a casa da senhora Kato e pediu que apenas seguíssemos o carro… disse que iria dirigindo.
Rafael apertou o telefone.
— E?
— Quando o veículo chegou ao destino… quem desceu foi a secretária dela. Lurdes.
Silêncio.
Pesado.
— E vocês não perceberam que estavam seguindo outra pessoa? — a voz de Rafael saiu baixa. Perigosa.
— Não, senhor. A senhora nunca fez esse tipo de manobra… e sabemos dos riscos que ela corre.
Arthur respirou fundo.
— A secretária disse que foi buscar documentos urgentes. Mas a senhora Kato negou qualquer pedido.
Rafael fechou os olhos por um segundo.
— Ok.
Desligou.
— Moreira.
— Sim, senhor.
— Ative o Viper. Quero saber onde a senhora está.
Moreira não questionou.
Caminhou até o quadro na parede. Digitou o código. O compartimento se abriu.
De lá, retirou o equipamento. Um grande notebook com insígnias militar.
Os códigos começaram a correr na tela.
Rastreamento ativo.
Alguns segundos depois.
— Senhor… A senhora esteve no sanatório municipal.
Silêncio.
— E agora está na mansão.
Rafael deu dois passos para trás.
Lentos.
Como se o corpo tivesse entendido antes da mente.
Ela descobriu.
— Guarde.
A voz saiu seca.
— Cancele todos os meus compromissos de hoje.
— Sim, senhor.
Mas Rafael já não estava mais ali.
Ele mesmo dirigiu. Quando chegou à mansão, Maria veio ao encontro.
— Senhor Montenegro…
— Onde está a senhora?
— No escritório sul, senhor. Já tem mais de uma hora e—
Ele não esperou o resto. Seguiu direto. Passos firmes. Rápidos.
A porta estava fechada. Ele abriu. Entrou. E parou.
Valentina estava sentada.Imóvel.
O olhar perdido em algum ponto distante.
Aquele escritório…
era de Vittória.
Agora parecia um lugar errado para qualquer um.
Ele fechou a porta atrás de si.
O som ecoou.
Ela levantou os olhos.
E o que havia ali…
não era só raiva.
Era pior.
Decepção.
— Valentina…
Ela não respondeu.
Só olhou.
Uma lágrima escapou.
Ela limpou na mesma hora.
— Você ia me contar quando?
Rafael deu dois passos em direção a ela.
— Não se aproxima.
A mão dela se ergueu.
Ele parou.
Imediatamente.
Recuou.
E sentou no sofá.
— O que você queria que eu dissesse? — ele falou, baixo. — Que internei minha mãe em um sanatório?
Ela o encarou.
— Por quê?
Uma pausa.
— Eu quero saber a causa.
Ela respirou fundo.
— Sua mãe é manipuladora. Egoísta. Fria.
O olhar dela endureceu.
— Mas louca?
Rafael passou as mãos pelas pernas.
— Eu queria te contar.
— Mas não sabia como.
— Não sabia?
Ela deu um riso curto.
Sem humor.
— Eu te perguntei várias vezes, Rafael.
— Era só falar.
Ele abaixou a cabeça.
— Eu sei.
O silêncio pesou.
— O que mais você está me escondendo?
Ela deu um passo em direção a ele.
— Esse é o momento de falar tudo.
Rafael desviou o olhar.
— Eu pensei que você confiava em mim.
Ela virou.
Foi até a janela.
As mãos apoiadas no vidro.
— Quando você ia me contar que sua mãe orquestrou todos os meus sequestros?
Rafael fechou os olhos.
A mão fechou em punho.
Silêncio.
— Por que não fala nada?
Ela virou.
A voz mais firme.
— Eu estou te dando a chance de falar.
Ele respirou fundo.
— O que você queria que eu fizesse, Valentina?
A voz dele saiu mais pesada agora.
— Minha mãe mandou matar a Sara.
Ela ficou em silêncio.
— Escondeu o corpo.
— Manipulou tudo.
Ele levantou o olhar.
— Você sabe do que ela era capaz.
Uma pausa.
— Quando eu descobri sobre os sequestros… eu tirei tudo dela.
Valentina deu dois passos para trás.
— Quando?
Silêncio.
— Quando você descobriu?
Ele abriu a boca.
Hesitou.
— No Japão.
O mundo dela pareceu inclinar.
— Então…
Ela riu.
Sem som.
— Desde o Japão você sabia?
O olhar voltou para ele.
Cortante.
— E me deixou aqui?
— Morando com ela?


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