O amanhecer em Genebra era lindo, a luz atravessava as cortinas com delicadeza, dourando o quarto aos poucos, como se respeitasse o descanso que ainda existia ali. O mundo do lado de fora já tinha voltado ao seu ritmo — elegante, frio, preciso —, mas dentro daquele quarto… o tempo parecia ter escolhido outro caminho.
Valentina abriu os olhos devagar.
Por um instante, não se moveu.
Sentiu.
O calor.
O peso do braço de Rafael ao redor da sua cintura.
A respiração dele, estável, próxima demais.
Ela não virou de imediato. Ficou ali, encaixada, permitindo aquele raro momento de ausência de tensão.
Mas ela virou. Devagar.
Os olhos encontraram o rosto dele ainda relaxado pelo sono, os traços mais suaves do que ela estava acostumada a ver. Sem a rigidez. Sem o controle absoluto.
Humano.
E, talvez por isso, mais perigoso do que nunca.
Valentina ergueu a mão sem pensar muito e passou os dedos de leve pela mandíbula dele, sentindo a textura da barba, como se quisesse confirmar que ele estava mesmo ali.
Os olhos dele se abriram no mesmo instante.
Direto para os dela.
Sem surpresa.
— Eu deveria fingir que ainda estou dormindo? — a voz saiu baixa, rouca.
Ela sorriu de lado.
— Agora já perdeu a chance.
Rafael a observou por um segundo mais longo, sem pressa.
— Está me analisando de novo.
— Sempre.
Ele puxou ela um pouco mais para perto, o suficiente para diminuir qualquer espaço que ainda existisse.
— E qual é o diagnóstico hoje?
Valentina sustentou o olhar, sem recuar.
— Ainda não decidi.
— Então fica mais um pouco — ele murmurou.
Ela poderia ter respondido.
Não respondeu.
Porque, naquele momento… ela quis ficar.
E ficou.
O tempo passou sem que eles marcassem.
Sem relógio.
Sem compromisso.
Só quando a luz já invadia o quarto sem pedir licença é que Valentina se afastou, sentando na cama e passando a mão pelos cabelos.
— A gente precisa voltar.
Rafael não respondeu de imediato.
Apenas a observou.
— Eu sei.
Ela virou o rosto para ele.
— E você está tranquilo demais pra alguém que acabou de assistir um leilão daquele nível.
Ele se sentou, apoiando os braços nos joelhos.
— Eu sempre estou tranquilo.
Ela soltou um pequeno riso.
— Mentira.
Rafael ergueu o olhar para ela.
— Eu só não reajo quando esperam que eu reaja.
Valentina sustentou o olhar por um segundo a mais.
— Vamos nos arrumar, oh senhor que não reage — disse por fim, levantando.
Fazendo Rafael sorrir com sua leve argumentação.
O café da manhã foi servido no quarto.
Simples.
Valentina serviu o café com calma, empurrando uma xícara na direção dele.
— Como o mercado vai reagir amanhã após a abertura do pregão?
Rafael pegou a xícara, girando levemente o líquido escuro.
— Só vamos saber amanhã.
— E você está bem, aquela empresa teve sucesso.
— Eu sei, o que me preocupa não é a empresa dar um salto, é sustentar esse salto, então vamos esperar
Ela levou a xícara aos lábios.
— Quanto tempo demorou para você levar a Montenegro ao nível que está?
Ele a observou.
— 7 anos.
— 7 anos? E aquela empresa nem um ano tem.
— Por isso digo que uma jogada de sorte não define o jogo ainda, e não se preocupe eu ainda tenho dinheiro para nós dois.
Valentina revirou os olhos mas não respondeu.
A despedida de Genebra não teve drama.
E nem precisava.
O carro os levou até o aeroporto com a mesma precisão silenciosa de tudo naquela cidade. O céu estava limpo, mas o frio ainda mordia a pele, lembrando que aquele lugar nunca foi feito para ser confortável demais.
Valentina olhou pela janela uma última vez.
O lago.
As ruas.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário