O escritório da M&K ainda carregava o ritmo acelerado do início da semana quando as portas se abriram.
Valentina entrou com passos firmes, o som do salto marcando presença no mármore claro como um anúncio silencioso de que ela tinha voltado — e voltado pronta.
Nada nela lembrava a mulher que, poucas horas antes, estava em outro país, em outro clima, em outra versão de si mesma.
Ali… ela era outra.
Foco.
Precisão.
Controle.
— Senhora, como foi em Genebra?
Valentina virou levemente o rosto, encontrando Lurdes já de pé ao lado da mesa, com aquele sorriso discreto de sempre.
Ela sorriu de volta, mais leve.
— Frio.
Lurdes soltou uma risada baixa.
— Diferente daqui, né? Eu nunca fui… mas vejo umas fotos lindas.
Valentina apoiou a bolsa na cadeira, tirando o casaco com calma.
— Eu tirei várias. Depois vou postar.
— Vou querer ver, senhora.
— Vai ver sim.
Um segundo de pausa.
Humano.
Simples.
E então… acabou.
Valentina puxou a cadeira e se sentou.
— Vamos trabalhar. Imagino que essa semana o escritório está cheio.
Lurdes assentiu na mesma hora.
— Coloca cheio nisso, senhora. Essa semana está intensa.
— Quando não está?
— Justo.
Lurdes colocou o tablet sobre a mesa.
Valentina já pegou.
Destravou.
Começou a ler.
Os olhos percorriam as informações com velocidade, absorvendo, filtrando, organizando. O ambiente ao redor parecia diminuir, como sempre acontecia quando ela entrava naquele estado.
— O caso do Enzo é amanhã — disse, sem levantar o olhar.
— Sim, senhora.
Ela deslizou o dedo pela tela.
Releu um trecho.
Parou.
Pensou.
— Tenho que falar com ele.
Lurdes apenas assentiu.
Valentina pegou o telefone sem hesitar.
Discou.
Chamou.
Do outro lado, não demorou.
— Valentina.
A voz dele veio firme, controlada… mas com aquele tom que sempre carregava um leve interesse a mais do que deveria.
Ela ignorou.
— Preciso que venha ao meu escritório.
Uma pausa curta.
— Agora?
— Sim, agora. Preciso ajustar suas falas e sua postura para amanhã.
Silêncio de um segundo.
— Estou a caminho.
A ligação caiu.
Valentina colocou o telefone sobre a mesa e voltou ao tablet.
— Lurdes, separa os documentos da audiência. Quero tudo revisado antes dele chegar.
— Já deixo organizado.
— E me traz um chá.
Lurdes levantou uma sobrancelha, sorrindo de leve.
— Voltou chique de viagem.
Valentina não levantou o olhar.
— Estou aprendendo.
— Claro.
Lurdes saiu.
E o silêncio voltou.
Enzo chegou em menos de vinte minutos.
Pontual.
Como sempre.
Mas havia algo diferente na forma como ele entrou.
Observador.
Como se estivesse avaliando o ambiente antes mesmo de falar.
— Achei que ainda estivesse na Europa.
Valentina levantou o olhar apenas quando ele já estava à frente da mesa.
— Cheguei ontem a tarde.
— E já está trabalhando, o jet lag não te derrubou?
— Não. Um simples jet lag não é páreo pra me derrubar.
Ele sorriu.
Ela apoiou o tablet de lado.
— O caso é amanhã.
Ele sorriu de leve.
— Eu gosto disso.
Ela não reagiu ao comentário.
Apenas indicou a cadeira à frente.
— Senta.
Ele sentou.
Sem tirar os olhos dela.
Lurdes entrou logo depois, colocando a bandeja com duas xícaras sobre a mesa.
— Chá, senhora.
— Obrigada.
— Senhor Enzo.
Ele assentiu com a cabeça.
— Lurdes.
Ela saiu.


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