No quarto Valentina se remexia, o corpo virando de um lado para o outro, os lençóis embolados ao redor das pernas como se tentassem contê-la — e falhavam.
Rafael estava sentado na poltrona desde que terminou de ajeitar tudo.
Não tinha coragem — nem explicação lógica — para sair.
Ele observava.
Vigiava.
E pela primeira vez em muito tempo… não sabia o que fazer com as próprias mãos.
Quando a febre chegou forte demais, Valentina começou a murmurar palavras desconexas.
As primeiras foram baixas, quase inaudíveis.
— Bianca… eu… eu não consigo…
Rafael inclinou-se na direção dela.
— Valentina? — chamou, controlado.
Ela não respondeu ao nome. Apenas continuou falando com alguém que não estava ali.
— Cinco… cinco milhões… — sussurrou, a voz falhando. — Ele quer cinco milhões… eu… não tenho…
A mandíbula de Rafael se fechou.
Valentina tremia, os olhos se movendo por trás das pálpebras fechadas.
— Eu não posso pedir pra ele… — choramingou. — …se eu pedir… fico presa… pra sempre… nunca mais saio dessa casa…
Rafael sentiu algo estranho e incômodo dentro dele.
Ele se aproximou mais, a voz baixa.
— Valentina, olha pra mim.
Mas ela não olhou.
A febre subiu mais.
Ela tentou se virar na cama e gemeu de dor.
Rafael pegou o termômetro.
Encostou na testa dela.
O número subiu rápido demais.
— Droga…
Ele levantou, foi até o banheiro e voltou com um copo d’água e o comprimido.
Sentou-se ao lado dela.
— Você precisa tomar isso — disse, tentando mantê-la acordada.
Valentina virou o rosto, delirante, assustada.
— Não… não quero… não… por favor…
Rafael tentou novamente.
— Abra a boca, Valentina.
Ela empurrou a mão dele, fraca.
— Eu vou me afogar… não… não…
Rafael fechou os olhos por um segundo, como quem tomava uma decisão que nunca deveria tomar.
Depois colocou o comprimido na própria boca.
Passou a mão pela nuca dela, inclinou o rosto dela para o dele e encostou seus lábios nos dela — não como um beijo, mas como uma transferência urgente.
A boca dela se abriu por reflexo.
Ele empurrou o comprimido com a língua e ofereceu o gole d’água, guiando a.
Valentina engoliu.
Quando Rafael se afastou…
Ele ficou imóvel, sua respiração falhando um pouco.
— Papai… mamãe ??? Porquê me deixaram?— ela murmurou, perdida.
A palavra atravessou o peito dele como faca.
Antes que ele pudesse responder, ela o puxou.
As mãos dela agarraram a camisa dele com força inesperada, e ela o trouxe para perto como se estivesse se afogando de novo.
— Não vai… não deixa eu cair… — implorou, encostando o rosto no peito dele. — Não me deixa…
Rafael tentou afastá-la — e falhou.
Ela tremia demais. Estava quente demais.
Respirava contra o peito dele como se o mundo dependesse disso.
E ele ficou ali.
Primeiro rígido.
Depois menos rígido.
Depois… parte daquilo.
Valentina descansou o rosto na clavícula dele, quase desmaiada, e a mão dela escorregou pela manga da camisa, segurando-o como uma criança desesperada.
Rafael não teve escolha a não ser apoiá-la.
Ele passou o braço pelas costas dela, firme, sustentando seu peso enquanto ela apagava contra ele.
A febre a dominou de vez.
Ela murmurou algo que ele não conseguiu entender.
E então desabou totalmente, adormecida, exausta, respirando rápido contra a pele dele.
Rafael ficou parado por longos segundos, o corpo dela colado ao dele, o cheiro da água ainda no cabelo dela, a mão dela agarrada à camisa dele como se ele fosse o único chão firme no mundo.
Ele deveria soltá-la.
Mas não soltou.
Ele deveria colocá-la no travesseiro.
Mas ficou ali com ela no peito.

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