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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 288

Valentina ficou alguns segundos parada diante do depósito, com a chave fria apertada entre os dedos e a sensação nítida de que o mundo, do lado de fora, havia diminuído de volume. O estacionamento vazio, a fachada desgastada, o letreiro quase apagado, o vento arrastando poeira pela calçada — tudo parecia distante, como se aquele lugar existisse numa dobra esquecida da cidade, onde o tempo apodrecia sem testemunhas.

O endereço no papel estava certo. Ela conferira três vezes no caminho, mais por necessidade de controlar o tremor interno do que por dúvida real. O envelope de Andrade ainda parecia pesar dentro da bolsa, embora agora o conteúdo mais perigoso já estivesse diante dela: a chave, a fechadura, a escolha.

Sozinha.

Essa era a parte que a incomodava mais.

Não o medo simples, direto, honesto. Valentina conhecia o medo e sabia administrá-lo. O que a atravessava naquele instante era algo mais traiçoeiro, mais denso. Era a consciência de que talvez estivesse prestes a tocar em algo que mudaria para sempre a forma como ela olhava para os próprios pais, para a própria história e, talvez, para Rafael.

O nome dele passou por sua mente como uma sombra quente, firme, irritantemente presente.

Ela poderia ter ligado. Bastava um telefonema, uma frase curta, uma respiração mais pesada do outro lado da linha, e em menos de quinze minutos aquele lugar estaria cercado por homens dele, carros escuros e ordens secas. Rafael pisaria ali com aquela calma ameaçadora que só ele sabia sustentar, tomaria a situação para si e transformaria o desconhecido em território controlado.

E era justamente por isso que ela não ligaria.

Porque, dessa vez, precisava entrar primeiro.

Precisava ver com os próprios olhos antes que qualquer filtro, qualquer proteção, qualquer decisão tomada em nome dela mudasse a textura da verdade.

Valentina ergueu os olhos para a fileira de portas metálicas. O número do box estava ali, discreto, enferrujado nas bordas, quase banal. Quase ridículo, na verdade. Tanta coisa podia acabar dentro de uma sala de concreto mal iluminada. Famílias inteiras cabiam em caixas. Segredos cabiam em envelopes. Vidas cabiam em papéis amarelados que ninguém mais lia.

Ela inspirou fundo, olhou ao redor uma última vez e se aproximou.

A fechadura resistiu no primeiro giro.

Valentina apertou os lábios, sentindo o coração bater com força demais, como se o próprio corpo já soubesse o que sua mente ainda tentava racionalizar. Tentou outra vez, com mais firmeza, e ouviu o clique seco ecoar no corredor estreito.

O som foi pequeno. Mas dentro dela pareceu uma ruptura.

Por um instante, ela apenas ficou ali, com a mão apoiada no metal frio, sem levantar a porta.

Seu reflexo surgiu distorcido na superfície gasta da chapa: olhos atentos, maxilar tenso, o cabelo preso de qualquer jeito desde a saída do escritório, a expressão de uma mulher que aprendera a sobreviver antes mesmo de aprender a descansar. Havia dias em que ela mal se reconhecia naquela versão de si mesma — esposa de Rafael Montenegro, nome forte em tribunais, alvo de olhares, mulher moldada pela pressão e pelo fogo. Mas naquele instante, diante daquela porta, havia algo mais antigo nela. Algo que não tinha sobrenome de marido, nem postura impecável, nem voz afiada em audiências.

Havia apenas a filha.

A filha de um casal morto cedo demais.

A filha de duas pessoas cuja ausência havia construído silenciosamente cada uma das muralhas que ela carregava desde então.

Com um movimento firme, ela puxou a porta metálica para cima.

O barulho rasgou o silêncio do corredor.

Capítulo 288 — A porta 1

Capítulo 288 — A porta 2

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