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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 292

Valentina acordou antes do sol. Não por hábito. Mas porque a mente não desligou.

O quarto ainda estava mergulhado na penumbra suave das cortinas fechadas, o silêncio confortável da casa grande abraçando tudo ao redor, mas dentro dela… nada estava calmo.

Ela ficou alguns segundos deitada, olhando para o teto, sentindo o peso invisível das coisas que agora carregava.

Ela fechou os olhos por um instante, respirou fundo e afastou o pensamento antes que ele criasse raízes mais profundas.

Levantou-se com cuidado, sem fazer barulho, vestiu um robe leve e saiu do quarto.

A casa ainda despertava lentamente. A luz suave da manhã começava a invadir as janelas, tingindo o ambiente com um tom dourado discreto. Valentina desceu as escadas com passos silenciosos, como se não quisesse quebrar aquela falsa sensação de normalidade.

Na cozinha, Maria já organizava a mesa.

— Bom dia, senhora.

— Bom dia, Maria.

Valentina forçou um sorriso leve e sentou-se.

— Pode deixar que eu me sirvo hoje.

Maria assentiu, respeitando, e se afastou.

Valentina serviu café, pegou uma fatia de pão, mas não tinha fome de verdade. Era mais um gesto automático do que necessidade. Precisava ocupar as mãos. Precisava parecer… normal.

Porque tudo dentro dela gritava o contrário.

Ela levou a xícara aos lábios, sentindo o calor do café, tentando se ancorar naquilo, quando passos firmes ecoaram pelo ambiente.

Ela não precisou olhar para saber quem era.

Rafael.

Ele entrou como sempre fazia.

— Bom dia.

A voz veio baixa, mais suave do que o habitual.

Ele se aproximou e beijou a testa dela.

Valentina sorriu.

— Bom dia.

Rafael puxou a cadeira à frente, servindo-se com movimentos precisos, quase mecânicos. Mas os olhos… os olhos estavam nela.

— Por que levantou cedo hoje?

Ela tomou mais um gole de café antes de responder.

— Estava sem sono… algumas coisas na cabeça.

Rafael assentiu de leve, começando a comer, mas sem tirar a atenção dela.

O silêncio entre eles não era desconfortável.

Mas também não era leve.

Até que Valentina respirou fundo e puxou assunto.

— Hoje à noite a gente vai sair.

Rafael ergueu os olhos.

— Bianca vai para o Japão — continuou ela, agora com um tom mais natural. — E o Lucas não está nem um pouco feliz com isso.

Um traço de humor apareceu no rosto dele.

Pequeno.

Quase imperceptível.

— Então é por isso que ele estava de mau humor ontem.

Valentina sorriu, apoiando o cotovelo na mesa.

— É bem provável… e pelo que ela falou, talvez fique um tempo no laboratório. E lá é praticamente proibido uso de tecnologia.

Rafael balançou a cabeça devagar, entendendo mais do que ela disse em palavras.

— Faz sentido.

O silêncio voltou.

Mas dessa vez…

Valentina não deixou que se prolongasse.

Ela apoiou a xícara na mesa.

Os dedos ficaram ali, segurando a borda por um segundo a mais do que o necessário.

E então…

— Rafael… posso te perguntar uma coisa?

Ele ergueu os olhos imediatamente.

Um leve sorriso de lado surgiu.

— Pode.

Ela manteve o tom leve.

Cuidadoso.

Mas dentro…

Cada palavra era calculada.

— Você chegou a conhecer meus pais?

Rafael estava cortando uma fruta.

A lâmina parou.Por um segundo. Mas suficiente.

Valentina viu.

Ele retomou o movimento logo depois.

Natural.

Como se nada tivesse acontecido.

— Por que a pergunta?

Ele devolveu.

Valentina sorriu de leve, desviando o olhar.

— Por nada… estava pensando nisso esses dias.

Silêncio.

Rafael limpou as mãos com o guardanapo, levantando-se em seguida.

— Não cheguei a conhecer seus pais.

A resposta veio simples.

Ele passou por ela, mas parou ao lado por um breve instante.

— Vou estar no escritório. Se precisar de alguma coisa.

E saiu.

Valentina não respondeu.

Ficou ali, olhando para a mesa por alguns segundos.

O café já não tinha gosto.

Ela soltou o ar devagar, apoiando os dedos na testa.

— Senhor… por favor…

A voz saiu baixa.

Quase um sussurro.

Mas ela não terminou o pensamento.

Não conseguiu.

— Senhora.

A voz de Maria a trouxe de volta.

Valentina ergueu o rosto.

— Maria… já terminei, obrigada.

Maria sorriu, recolhendo a mesa, enquanto Valentina se levantava.

Subiu as escadas em silêncio.

Cada passo mais pesado do que o anterior.

No quarto, fechou a porta e foi direto até a bolsa.

Capítulo 292 — Entre o silêncio e o que não foi dito 1

Capítulo 292 — Entre o silêncio e o que não foi dito 2

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