Entrar Via

Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 291

Ali estava ele. O homem que lia seus silêncios como quem lia balanços financeiros. O homem que percebia mudanças na cadência de sua respiração antes mesmo que ela escolhesse as palavras. O homem que, mesmo sem vê-la, já sabia que alguma coisa havia saído do eixo.

Ela engoliu em seco, odiando o alívio que a voz dele sempre provocava.

— Trabalhando até tarde — respondeu, e a própria mentira soou mais frágil do que gostaria.

Do outro lado, silêncio.

Rafael Montenegro tinha muitas formas de ameaça. Uma das mais eficientes era o silêncio que vinha antes de ele decidir até onde toleraria uma encenação.

— Valentina.

Só isso.

O nome dela.

Baixo. Firme. Sem aumentar o tom.

Pior do que qualquer grito.

Ela abriu os olhos e encarou a rua vazia à frente.

— Eu vou para casa — disse, escolhendo cada palavra com cuidado. — E quando eu chegar, nós vamos conversar.

Mais um silêncio. Mais pesado.

— Isso é você me poupando ou me testando? — ele perguntou afinal.

Valentina apertou o volante.

— Isso sou eu tentando entender primeiro.

Desta vez, a pausa foi diferente. Menos dura. Mais perigosa.

— Você está sozinha?

Ela quase respondeu no automático. Quase. Mas a imagem das fotografias, do caderno, da anotação da mãe, voltou com violência suficiente para fazê-la medir até a próxima respiração.

— Sim.

A resposta saiu limpa demais.

E talvez Rafael tenha percebido. Talvez não. Com ele, o problema sempre era esse: até o que ele não dizia parecia saber demais.

— Me manda sua localização agora — falou.

Valentina soltou o ar devagar.

Lá estava o velho impulso dele. O homem do controle. O rei do tabuleiro. O marido que amava protegendo como se proteção e posse fossem primos criados na mesma casa.

Em outro tempo, ela teria recusado na mesma hora.

Naquele, porém, apenas apoiou a cabeça no encosto e fechou os olhos por um segundo, exausta demais para transformar tudo em batalha.

— Eu vou dirigir até em casa, Rafael.

— Valentina.

— Eu vou chegar inteira — retrucou, mais baixo, mas sem ceder. — E quando eu chegar, eu preciso que você me escute antes de decidir qualquer coisa.

O silêncio do outro lado voltou. Ela quase podia vê-lo em seu escritório ou carro, mandíbula dura, uma mão no telefone, a outra talvez fechada em punho, recalculando o mundo porque a única variável que nunca obedecia perfeitamente era ela.

Quando ele falou, a voz veio ainda mais baixa.

— Dirige com cuidado.

Era pouco. E, ainda assim, era muito.

Porque naquele tom havia ordem, sim. Mas havia outra coisa também. Preocupação crua. Medo contido. O tipo de medo que ele odiava sentir.

Valentina abriu os olhos e fitou a bolsa outra vez.

— Rafael...

Ela não sabia o que viria depois do nome dele. Não sabia se queria pedir confiança, tempo ou só mais alguns minutos antes que a realidade ganhasse forma verbal.

Mas ele respondeu antes.

— Vá para casa.

Não era um fim de conversa.

Era uma promessa.

E talvez uma tempestade.

Valentina desligou devagar, largou o celular no colo e olhou mais uma vez para o depósito no retrovisor.

O passado não estava mais enterrado.

Agora ele vinha com ela.

E, pela primeira vez desde a morte dos pais, ela teve a certeza brutal de que a verdade não seria apenas dolorosa. Essa foi a última coisa que atravessou a mente de Valentina antes de ligar o carro.

O motor respondeu baixo, quase suave demais para o que ela carregava dentro do peito. As mãos ainda estavam firmes no volante, mas não havia mais tremor.

Ela saiu do estacionamento sem olhar para trás.

Desta vez, não por medo.

Mas porque sabia que, se olhasse, talvez não conseguisse ir embora.

O caminho até a mansão pareceu mais curto do que deveria. Ou talvez fosse apenas a mente dela que já não acompanhava o tempo da estrada. Cada semáforo, cada curva, cada farol refletido no vidro parecia existir em outra camada, distante, irrelevante.

O que importava estava no banco ao lado na bolsa.

Valentina estacionou, desligou o carro e ficou alguns segundos ali, imóvel, olhando para a própria imagem refletida no para-brisa escuro.

— Ótimo — murmurou para si mesma, com um traço quase irônico. — Era exatamente disso que eu precisava.

Pegou a bolsa, saiu do carro e entrou na mansão.

E então o mundo voltou a ter som.

— Valentina.

Ela parou.

Rafael estava na sala.

Capítulo 291—Mentiras 1

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário