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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 296

A porta da sala de reuniões da Montenegro Corp se abriu com força suficiente para interromper tudo.

O som seco ecoou pela sala de reuniões e matou qualquer conversa antes mesmo que alguém tivesse tempo de reagir. A mesa longa estava ocupada, telas ligadas, gráficos projetados, vozes que segundos antes discutiam decisões milionárias — tudo parou quando Valentina entrou.

Não havia hesitação nos passos dela.

Não havia dúvida.

Havia algo pior.

Havia decisão.

Os saltos marcaram o chão com firmeza enquanto ela avançava, ignorando completamente os olhares que se voltavam para ela, o desconforto crescente no ar, o silêncio que se espalhava como um aviso de que aquilo não deveria estar acontecendo.

Rafael ergueu os olhos.

E parou.

Não pela presença dela.

Mas pelo que viu.

Aquela não era a Valentina controlada, estratégica, sempre um passo à frente.

Aquilo… era outra coisa.

— Valentina—

Ele não terminou.

A pasta atingiu o peito dele com força suficiente para abrir no impacto, espalhando documentos, fotografias e folhas sobre a mesa de vidro. Algumas deslizaram até o chão, outras ficaram entre eles, como uma explosão silenciosa que dizia mais do que qualquer palavra.

Ninguém respirou.

— Você mentiu pra mim.

A voz dela não veio alta.

Veio baixa.

E por isso… pior.

Rafael baixou o olhar para os papéis.

Reconheceu.

E naquele segundo, por menor que tivesse sido, algo mudou.

Moreira foi o primeiro a reagir. Levantou-se imediatamente, percebendo o tamanho daquilo antes de qualquer outro.

— A reunião está encerrada.

Ninguém discutiu.

Cadeiras se moveram, pastas foram fechadas, passos apressados saíram da sala enquanto o silêncio crescia entre os três que ficaram. A porta se fechou, e o ar pareceu mais pesado do que antes.

Valentina começou a andar.

Devagar.

Sem direção fixa.

Uma risada escapou dos lábios, mas não tinha humor nenhum ali.

— Engraçado… — murmurou, passando a mão pelos cabelos. — Engraçado como tudo faz sentido agora.

Rafael permaneceu onde estava por um instante, os olhos ainda nos documentos, antes de levantá-los para ela.

— Você não deveria estar aqui.

Ela riu de novo, mas dessa vez houve algo mais duro naquele som.

— Sério? — virou-se para ele — Porque eu acho que eu deveria estar aqui há muito tempo.

Ele se levantou, mantendo a distância calculada.

— Valentina—

— Não fala meu nome.

Ela cortou, sem elevar o tom, mas com uma precisão que fez o ar entre eles encolher.

Apontou para a mesa.

Para as fotos.

Para tudo que agora existia entre eles.

— Explica isso.

O silêncio veio pesado, carregado de coisas não ditas.

Rafael passou a mão pelo maxilar, respirou fundo uma vez antes de responder.

— Isso não é o que você está pensando.

O sorriso dela foi lento.

Frio.

— Claro que não é.

Ela se aproximou.

Um passo.

Depois outro.

— Nunca é, né?

Ele tentou reduzir a distância.

— Me escuta—

— Eu escutei.

Agora a voz dela subiu, não em descontrole, mas em dor.

Ela puxou o gravador da bolsa e o jogou sobre a mesa. O objeto deslizou entre os papéis até parar diante dele.

— Eu ouvi a minha mãe, Rafael.

O nome dele saiu como acusação.

— Eu ouvi ela dizendo que estava sendo intimidada por você.

O silêncio se aprofundou.

Ele não respondeu imediatamente.

E isso foi tudo que ela precisou.

— Você mentiu pra mim olhando nos meus olhos.

Mais um passo.

Agora perto demais.

— Mentiu para mim várias vezes coml se fosse nada.

Ela riu, mas havia algo quebrado naquele som.

— Você chegou a conhecer meus pais?

Ela mesma respondeu, imitando o tom dele.

— “Não.”

O olhar dela endureceu.

— Mentira. Foram tantas mentiras eu te dei várias oportunidades de me contar.

Rafael avançou um pouco mais.

— Você está tirando conclusões—

— VOCÊ MATOU MEUS PAIS.

A frase não veio construída.

Veio lançada.

Crua.

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