A porta da sala de reuniões da Montenegro Corp se abriu com força suficiente para interromper tudo.
O som seco ecoou pela sala de reuniões e matou qualquer conversa antes mesmo que alguém tivesse tempo de reagir. A mesa longa estava ocupada, telas ligadas, gráficos projetados, vozes que segundos antes discutiam decisões milionárias — tudo parou quando Valentina entrou.
Não havia hesitação nos passos dela.
Não havia dúvida.
Havia algo pior.
Havia decisão.
Os saltos marcaram o chão com firmeza enquanto ela avançava, ignorando completamente os olhares que se voltavam para ela, o desconforto crescente no ar, o silêncio que se espalhava como um aviso de que aquilo não deveria estar acontecendo.
Rafael ergueu os olhos.
E parou.
Não pela presença dela.
Mas pelo que viu.
Aquela não era a Valentina controlada, estratégica, sempre um passo à frente.
Aquilo… era outra coisa.
— Valentina—
Ele não terminou.
A pasta atingiu o peito dele com força suficiente para abrir no impacto, espalhando documentos, fotografias e folhas sobre a mesa de vidro. Algumas deslizaram até o chão, outras ficaram entre eles, como uma explosão silenciosa que dizia mais do que qualquer palavra.
Ninguém respirou.
— Você mentiu pra mim.
A voz dela não veio alta.
Veio baixa.
E por isso… pior.
Rafael baixou o olhar para os papéis.
Reconheceu.
E naquele segundo, por menor que tivesse sido, algo mudou.
Moreira foi o primeiro a reagir. Levantou-se imediatamente, percebendo o tamanho daquilo antes de qualquer outro.
— A reunião está encerrada.
Ninguém discutiu.
Cadeiras se moveram, pastas foram fechadas, passos apressados saíram da sala enquanto o silêncio crescia entre os três que ficaram. A porta se fechou, e o ar pareceu mais pesado do que antes.
Valentina começou a andar.
Devagar.
Sem direção fixa.
Uma risada escapou dos lábios, mas não tinha humor nenhum ali.
— Engraçado… — murmurou, passando a mão pelos cabelos. — Engraçado como tudo faz sentido agora.
Rafael permaneceu onde estava por um instante, os olhos ainda nos documentos, antes de levantá-los para ela.
— Você não deveria estar aqui.
Ela riu de novo, mas dessa vez houve algo mais duro naquele som.
— Sério? — virou-se para ele — Porque eu acho que eu deveria estar aqui há muito tempo.
Ele se levantou, mantendo a distância calculada.
— Valentina—
— Não fala meu nome.
Ela cortou, sem elevar o tom, mas com uma precisão que fez o ar entre eles encolher.
Apontou para a mesa.
Para as fotos.
Para tudo que agora existia entre eles.
— Explica isso.
O silêncio veio pesado, carregado de coisas não ditas.
Rafael passou a mão pelo maxilar, respirou fundo uma vez antes de responder.
— Isso não é o que você está pensando.
O sorriso dela foi lento.
Frio.
— Claro que não é.
Ela se aproximou.
Um passo.
Depois outro.
— Nunca é, né?
Ele tentou reduzir a distância.
— Me escuta—
— Eu escutei.
Agora a voz dela subiu, não em descontrole, mas em dor.
Ela puxou o gravador da bolsa e o jogou sobre a mesa. O objeto deslizou entre os papéis até parar diante dele.
— Eu ouvi a minha mãe, Rafael.
O nome dele saiu como acusação.
— Eu ouvi ela dizendo que estava sendo intimidada por você.
O silêncio se aprofundou.
Ele não respondeu imediatamente.
E isso foi tudo que ela precisou.
— Você mentiu pra mim olhando nos meus olhos.
Mais um passo.
Agora perto demais.
— Mentiu para mim várias vezes coml se fosse nada.
Ela riu, mas havia algo quebrado naquele som.
— Você chegou a conhecer meus pais?
Ela mesma respondeu, imitando o tom dele.
— “Não.”
O olhar dela endureceu.
— Mentira. Foram tantas mentiras eu te dei várias oportunidades de me contar.
Rafael avançou um pouco mais.
— Você está tirando conclusões—
— VOCÊ MATOU MEUS PAIS.
A frase não veio construída.
Veio lançada.
Crua.
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