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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 297

A primeira coisa que voltou foi o som. Um bip constante, ritmado, distante… como se estivesse vindo de muito longe. Depois veio o peso no corpo. Os braços pesados, as pálpebras difíceis de abrir, a respiração lenta demais para alguém que, poucas horas antes, estava em pé, gritando, destruindo tudo.

Valentina abriu os olhos.

A luz branca do teto a atingiu de imediato, fazendo-a franzir a testa. O ambiente era estranho, limpo demais, silencioso demais. O cheiro de antisséptico veio logo em seguida, confirmando o que o corpo já começava a entender antes mesmo da mente acompanhar.

Hospital.

Ela tentou se levantar.

Rápido demais.

O mundo girou.

O braço puxou involuntariamente, e o soro preso à veia tensionou, fazendo-a levar a outra mão até ele, num impulso de arrancar aquilo de uma vez.

— Valentina, não faz isso.

A voz veio firme, mas baixa.

Enzo.

Ele estava ao lado da cama antes mesmo que ela conseguisse terminar o movimento, segurando suavemente o pulso dela para impedir que tirasse o acesso.

— Calma… calma, você acabou de acordar.

Ela parou.

Não porque quis.

Mas porque o corpo não respondeu.

A respiração veio mais curta, mais pesada, e ela acabou cedendo, deixando o peso voltar contra o colchão enquanto fechava os olhos por um segundo, tentando se localizar.

— Onde… — a voz saiu rouca — onde eu estou?

— No hospital — respondeu ele, mais baixo agora. — Você desmaiou mais cedo. Eu te trouxe pra cá.

Valentina ficou em silêncio por um instante.

As imagens vieram em flashes. Ela abriu os olhos de novo, mais alerta agora, e tentou se sentar.

Dessa vez, mais devagar.

Enzo a ajudou, ajustando o travesseiro atrás das costas com cuidado, como se estivesse lidando com algo frágil demais para movimentos bruscos.

— Devagar…

Ela respirou fundo, apoiando as mãos sobre o lençol.

— Enzo… obrigada.

Ele sorriu de leve, um daqueles sorrisos fáceis, tranquilos.

— Que isso, prima.

Ele se encostou na cadeira ao lado da cama, os olhos atentos a qualquer reação dela.

— Tentei falar com o Rafael… mas, como sempre, ele não me atendeu.

Valentina endureceu.

O olhar perdeu qualquer resquício de suavidade.

— Não é pra avisar ele.

A resposta veio seca. Direta. Sem espaço.

Enzo inclinou levemente a cabeça, observando.

— O que aconteceu?

Ela desviou o olhar.

O maxilar tensionou.

— Eu não quero falar dele.

Silêncio.

Não era evasão. Era recusa.

E antes que ele pudesse insistir, a porta se abriu.

O médico entrou com o prontuário em mãos, olhando rapidamente os dados antes de erguer os olhos para ela.

— Senhora Montenegro, a senhora precisa tomar mais cuidado com a sua saúde…

— Doutor.

Ela o interrompeu.

A voz saiu firme, mesmo com o corpo ainda instável.

— Me chame de Valentina Diniz.

O médico piscou, surpreso.

Baixou os olhos para o prontuário novamente.

— Como disse?

— Diniz.

Ela sustentou o olhar.

— Meu nome não é Montenegro.

Um breve silêncio se instalou.

— Sim… claro. Me desculpe.

Ele se recompôs rapidamente, profissional.

— Então, senhora Diniz… preciso que leve isso a sério. Seu quadro indica exaustão física e emocional, e—

Ele fez uma pausa curta, folheando o prontuário.

— — e há um ponto mais importante aqui.

Valentina franziu a testa.

O coração começou a acelerar sem motivo claro.

— A sua gravidez está em estágio inicial — continuou ele, com naturalidade — cerca de quatro semanas. É fundamental que a senhora cuide da alimentação, evite esforço físico e, principalmente, controle o estresse. Qualquer instabilidade pode levar a um aborto.

Silêncio.

O mundo pareceu travar.

— O que… o que o senhor disse?

A voz saiu mais baixa.

Mais lenta.

Como se precisasse repetir para si mesma.

O médico manteve o tom estável.

— A senhora está grávida. Quatro semanas.

As palavras ecoaram.

Grávida.

Quatro semanas.

Grávida.

O som do próprio coração ficou alto demais dentro da cabeça dela.

As mãos começaram a suar.

A respiração mudou.

O médico continuou falando, mencionando cuidados, consultas, alimentação, mas nada mais entrou.

Nada.

Porque tudo já tinha mudado.

Quando ele saiu, o silêncio que ficou foi diferente.

Valentina ainda estava olhando para frente.

Mas não estava vendo.

Capítulo 297 — O que cresce no silêncio 1

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