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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 307

O plenário estava lotado antes mesmo de a audiência começar.

A imprensa tinha sido mantida do lado de fora por determinação do juiz, mas isso não diminuía a sensação de espetáculo. O caso era grande demais, barulhento demais, carregado demais para caber apenas na linguagem fria do Direito. O nome Montenegro por si só já arrastava atenção; ligado ao nome Diniz, então, tornava-se um incêndio nacional.

Valentina entrou sem olhar para os lados.

A sala era ampla, formal, revestida daquele tom neutro que tribunais gostam de usar para fingir imparcialidade, mas nada ali parecia neutro naquela manhã. Havia olhos demais acompanhando cada passo seu. Advogados, assessores, servidores, representantes legais, curiosos autorizados a assistir. Todos sabiam que estavam diante de algo raro: a queda pública de um homem que durante anos parecera inalcançável.

Lurdes seguia um passo atrás, com a pasta principal nas mãos e o semblante firme de quem também entendia o peso daquilo tudo. Quando Valentina alcançou a mesa da acusação, pousou a própria pasta sobre a madeira com delicadeza demais para a violência que carregava por dentro, sentou-se, ajeitou o blazer com um gesto curto e só então ergueu os olhos.

Do outro lado, Rafael já estava ali.

Impecável.

Silencioso.

Intocável por fora.

O terno escuro estava alinhado como sempre, o rosto sem marcas visíveis de qualquer desgaste, a postura reta demais para quem tinha o nome arrastado pelas manchetes do país inteiro. Mas Valentina o conhecera o suficiente para perceber aquilo que ninguém mais veria à primeira vista. A rigidez excessiva dos ombros. A imobilidade calculada. O modo como ele parecia conter o próprio corpo dentro de uma ordem que não podia quebrar.

Ele não olhou para ela imediatamente.

E isso, de alguma forma, a irritou ainda mais.

Porque parecia estratégia.

Porque parecia frieza.

Porque parecia a continuação perfeita de tudo que ela agora associava a ele: controle, silêncio, cálculo.

Valentina sustentou o olhar por mais alguns segundos antes de desviar, não por fraqueza, mas porque precisava se firmar em algo além daquele rosto. Abriu a pasta, conferiu rapidamente a organização dos documentos, respirou fundo e tentou ignorar o próprio corpo. O enjoo do corredor tinha diminuído, mas o gosto amargo ainda permanecia no fundo da boca, junto com a lembrança maldita do perfume dele, daquela proximidade sem toque que doera mais do que uma discussão teria doído.

Do outro lado, a defesa parecia pronta.

Era uma equipe forte. Famosa. Cara. Homens e mulheres acostumados a salvar nomes maiores do que a própria moral. Ainda assim, algo estava errado. Valentina sentiu isso antes mesmo da primeira fala. Não era fraqueza. Não era incompetência. Era uma espécie de contenção. Como se estivessem todos fazendo o necessário para parecerem presentes… mas sem usar toda a força que sabiam ter.

Aquilo não a tranquilizou.

Pelo contrário.

A irritou mais.

Quando o juiz entrou, todos se levantaram.

A formalidade enrijeceu ainda mais o ar. Depois das saudações iniciais e das observações protocolares, a audiência foi oficialmente aberta. As primeiras falas giraram em torno da natureza do processo, da dimensão das provas reunidas, do caráter público do caso e da necessidade de manter a ordem num julgamento que, mesmo sem câmeras ali dentro, já tinha o país inteiro apoiado sobre a porta.

Então veio o momento.

O juiz passou a palavra à acusação.

Valentina se levantou.

Sem pressa.

Sem tremor aparente.

A pasta já estava aberta no ponto exato. Os dedos pousaram sobre a madeira por um segundo antes de ela erguer o rosto para o magistrado.

— Excelência — começou, a voz baixa, firme, perfeitamente colocada — hoje eu não estou aqui apenas para sustentar uma acusação. Estou aqui para demonstrar como o excesso de poder, quando aliado à ausência completa de limites, é capaz de corromper tudo ao redor.

O silêncio no plenário se aprofundou.

Ela não olhou para Rafael.

— O réu diante desta corte não responde apenas por movimentações financeiras suspeitas, evasão fiscal, lavagem de dinheiro e manipulação patrimonial. Ele responde por um padrão. Um padrão de conduta. Um padrão de ocultação. Um padrão de destruição.

Valentina deu um passo curto, apenas o bastante para mudar o eixo do próprio corpo e tornar sua presença ainda mais central.

— As provas reunidas pela acusação não se baseiam em rumores, interpretações emocionais ou ilações frágeis. Baseiam-se em documentos. Registros. Transferências. Pareceres técnicos. Conexões contratuais. Arquivos preservados. E, principalmente, em um encadeamento de fatos tão sólido que qualquer tentativa de tratá-lo como coincidência seria, no mínimo, intelectualmente desonesta.

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