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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 306

Assim que entrou, foi direto até a pia e mal teve tempo de se inclinar antes de vomitar.

O corpo se curvou por inteiro, reagindo à mistura de estresse, gravidez, raiva e aquele reencontro maldito que ela havia fingido estar preparada para enfrentar. Uma mão se apoiou na porcelana fria da bancada, a outra no próprio ventre, como se precisasse segurar a si mesma por dentro.

Quando a onda passou, ficou ali por alguns segundos, respirando mal, ouvindo apenas o próprio sangue nos ouvidos.

Lurdes, do lado de fora, bateu de leve.

— Senhora? Quer que eu chame um médico?

Valentina enxaguou a boca, abriu a torneira e deixou a água fria correr pelos pulsos antes de responder.

— Não.

A voz saiu rouca.

Ela ergueu o rosto e olhou para o espelho.

A imagem devolveu uma mulher pálida, de olhos mais brilhantes do que deveria, a maquiagem minimamente intacta, mas a expressão… dura de um jeito novo. Não era só tristeza. Não era só ódio.

Era guerra misturada com uma espécie de luto que ainda não sabia dizer seu nome.

E, por baixo de tudo, havia outra verdade ainda mais irritante: ele ainda fazia isso com ela.

Sem tocar.

Sem falar.

Sem sequer precisar se aproximar.

Bastava estar no mesmo espaço, respirando o mesmo ar, para o corpo dela se lembrar de tudo aquilo que a mente vinha tentando enterrar à força.

Valentina fechou os olhos por um instante, apertando a borda da pia até os dedos doerem.

— Não — disse para o próprio reflexo, baixa, dura. — Não hoje.

Quando saiu do banheiro, o rosto já estava recomposto. Lurdes a olhou com cautela, claramente preocupada, mas inteligente o bastante para não insistir.

— O corredor ainda está livre — informou, mais baixa agora.

Livre.

Era uma palavra ridícula.

Nada estava livre ali.

Valentina assentiu e retomou o caminho.

Foi então que Lucas surgiu.

Ele vinha da direção oposta, de terno escuro, gravata levemente afrouxada, o rosto mais cansado do que ela lembrava. Ao vê-la, desacelerou. E, pelo jeito como os olhos dele percorreram o rosto dela por um segundo a mais do que o necessário, ficou claro que ele tinha percebido o que o resto do mundo ainda não via: ela não estava só fria. Ela estava no limite.

— Val — chamou, baixo.

Ela parou.

Não por vontade.

Mas porque Lucas, naquele instante, não era só mais um rosto da equipe Montenegro. Era também o homem que já estivera próximo demais para ter sua presença transformada em nada de um dia para o outro.

Só que o tempo de proximidade tinha acabado.

— O que foi? — perguntou, seca.

Lucas respirou fundo, aproximando-se apenas o bastante para falar sem ser ouvido pelo corredor inteiro.

— O que você está fazendo é injusto.

A resposta dela veio rápida, afiada.

— Você é amigo dele, Lucas. Então não venha aqui pedir por ele.

A frase já teria sido suficiente, mas ela não parou.

— E se ainda quiser ser alguma coisa perto da sua amiga, não faça isso. Bianca jamais aceitaria que você viesse me cercar por causa dele.

A mudança no rosto dele foi imediata.

Como se o nome de Bianca tivesse aberto um corte que ainda não fechara.

Lucas desviou o olhar por meio segundo, depois voltou a encará-la com uma rigidez diferente.

— Você não sabe toda a história — disse, mais baixo, mais sério do que antes.

Valentina soltou um riso sem humor.

— A única história que eu preciso saber está nas provas. Está nas fotos. Está no áudio da minha mãe. Está na mentira dele.

Lucas passou a mão pelo maxilar, cansado.

— Val, se cuida. E cuida da sua saúde. Você não está bem.

Ele fez uma pausa, olhando além dela por um instante.

— Aliás, acho que vocês dois estão da mesma forma.

Por reflexo, ela olhou.

E o viu de novo.

Rafael não estava mais no ponto exato onde antes, mas tinha avançado alguns passos no corredor. Agora estava mais perto. Perto demais. Falava com um dos advogados, mas o corpo inteiro dele parecia em estado de contenção. Como se cada músculo tivesse sido treinado naquela manhã para não desobedecer a ordem mais importante do dia: não vá até ela.

O pior era que, para qualquer um olhando de fora, parecia exatamente isso — distância.

Só que Valentina já o conhecera o suficiente para perceber as rachaduras invisíveis.

Ele não olhava para ela.

Não diretamente.

Mas ela sentiu.

O peso.

A tensão.

A presença dele ocupando o espaço inteiro.

E então aconteceu.

Os dois lados começaram a se mover quase ao mesmo tempo, obrigados pela lógica do corredor estreito, pelos seguranças, pelos advogados, pelas portas do plenário se abrindo ao fundo.

Valentina avançou.

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