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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 317

A casa parecia mais silenciosa naquela noite.

Não um silêncio vazio. Mas aquele tipo de quietude que antecede algo importante, como se até o ar aguardasse.

Valentina estava no alto da escada quando parou diante do espelho do corredor.

Observou-se. Com calma.

O vestido era elegante, caía com precisão sobre o corpo, marcando suas curvas sem exagero. Os cabelos estavam soltos, levemente ondulados, e a maquiagem… suave o suficiente para não esconder o cansaço, mas firme o bastante para devolver presença.

Ela levou a mão ao ventre por um instante.

Inconsciente.

E então respirou fundo.

— Vamos.

A voz de Enzo veio de baixo.

Quando ela ergueu o olhar e começou a descer, ele já estava parado na base da escada.

E, pela primeira vez… não disfarçou.

O olhar dele subiu devagar.

Sem pressa. Sem vergonha. Sem aquele filtro social que normalmente escondia admiração.

Parou. Fixou. E ficou.

Valentina percebeu. Claro que percebeu.

E, por um segundo… o tempo pareceu desacelerar.

— Você está linda — disse ele.

Simples. Direto. Sem floreio.

Mas com verdade.

Ela piscou.

A frase a pegou desprevenida.

— Nem parece mãe — completou ele, com um leve sorriso no canto da boca, como se estivesse consciente do efeito que aquilo causaria.

Valentina arqueou levemente a sobrancelha.

— Isso foi um elogio ou uma tentativa de me irritar?

— Os dois — respondeu ele, sem hesitar.

Ela soltou um ar pelo nariz.

Mas… sorriu.

E isso foi suficiente para ele.

— Vamos? — perguntou, estendendo o braço.

Valentina olhou. Por um segundo. E então segurou.

O coquetel acontecia em um dos salões mais tradicionais da cidade.

Expectativa.

A entrada já estava tomada por empresários, investidores, jornalistas selecionados — todos ali para ver o novo presidente da Montenegro Corp.

E, inevitavelmente… quem estava ao lado dele.

Quando o carro parou, Enzo desceu primeiro.

Abriu a porta para ela. Estendeu a mão.

Valentina aceitou.

E, dessa vez, quando os dedos se encontraram…

não houve hesitação.

O salão se abriu diante deles como um cenário cuidadosamente montado.

Luzes douradas. Taças de cristal.

Murmúrios contidos.

E olhares. Muitos olhares.

Assim que entraram, a mudança foi perceptível.

As conversas diminuíram. As atenções se voltaram.

Valentina sentiu.

Não era só curiosidade. Era análise. Era julgamento. Era expectativa.

Ela ajustou levemente a postura.

A mão segurando o braço de Enzo com mais firmeza.

E ele… percebeu. Claro que percebeu.

A mão dele cobriu a dela por um segundo.

Pressionando levemente.

Um gesto pequeno. Mas suficiente para dizer:

estou aqui.

E ela ficou.

— Presidente Montenegro — cumprimentou um dos investidores, aproximando-se com um sorriso controlado. — Parabéns pela nomeação.

— Obrigado — respondeu Enzo, com segurança.

O homem desviou o olhar para Valentina.

— E a senhora… imagino que também esteja envolvida nesse novo momento.

Valentina sustentou o olhar.

— De certa forma.

O sorriso dele aumentou.

— Excelente. A Montenegro precisa de estabilidade agora.

Ele se afastou. Mas não foi o único.

Outros vieram. Cumprimentos. Palavras medidas.

E sempre… o mesmo olhar.

O mesmo interesse. O mesmo subtexto.

— Eles estão falando — murmurou Valentina, baixa, inclinando levemente o rosto em direção a Enzo.

— Sempre estão — respondeu ele.

— Sobre nós.

Ele não negou. Não confirmou.

Apenas virou o rosto na direção dela.

— Isso te incomoda?

Valentina hesitou. Por um segundo.

— Não sei.

Ele observou.

E então disse, baixo:

— Não precisa decidir agora.

Eles caminharam pelo salão.Lentos. Sincronizados.

Como se sempre tivessem feito aquilo.

E, quanto mais andavam… mais evidente ficava.

Os olhares. Os cochichos. As interpretações.

— Faz sentido — disse uma mulher mais ao fundo, sem perceber que Valentina estava próxima o suficiente para ouvir. — Ela sustentou tudo sozinha. Ele assume agora. É uma união forte.

— E necessária — respondeu o homem ao lado.

Valentina continuou andando.

Mas ouviu. Cada palavra. Guardou.

O discurso começou alguns minutos depois.

Enzo subiu ao pequeno palco.

O salão silenciou.

O olhar dele desceu rapidamente para a mão dela ainda apoiada no próprio braço.

— Continua comigo?

Valentina hesitou.

Um segundo.

Talvez dois.

E então… segurou o braço dele de novo.

— Continuo.

O sorriso dele foi pequeno. Mas verdadeiro.

Mais tarde, já no meio do salão, alguém se aproximou com mais ousadia.

— Presidente… — disse o homem, olhando entre os dois. — Posso dizer que estamos diante da nova dupla que vai reconstruir a Montenegro?

Valentina sentiu o olhar de Enzo.

Esperando. Não pressionando.

Mas… presente. Ela poderia negar.

Poderia recuar. Poderia se afastar. Mas não fez.

— Estamos diante de um recomeço — respondeu ela, calma.

O homem sorriu.

— Excelente resposta.

E se afastou.

Quando a noite começou a terminar, Valentina já não era a mesma mulher que havia descido aquela escada.

Algo havia mudado.

No carro, o silêncio voltou.

Mas agora… diferente.

Ela olhava pela janela.

Mas não via a cidade. Via as possibilidades.

As palavras. Os olhares. A ideia.

E, pela primeira vez…

ela não a rejeitou de imediato.

— Enzo — chamou, depois de alguns minutos.

— Hm?

Ela demorou um pouco antes de continuar.

— Aquilo que sua mãe disse…

Ele não virou o rosto.

Mas ouviu.

— Sobre o casamento.

Silêncio.

— Ainda é uma opção?

Agora ele olhou.

Devagar. Com cuidado.

— Só se for uma escolha sua.

Valentina assentiu.

E voltou o olhar para a janela.

Mas, dentro dela… a ideia já não parecia absurda.

Parecia… possível.

E isso… mudava tudo.

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