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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 316

A noite chegou mais silenciosa do que o dia merecia. Depois da reunião, depois da assinatura, depois das palmas que ainda ecoavam na mente como um som distante demais para ser comemorado, Valentina voltou direto para o escritório.

Foi quando a mensagem chegou.

Enzo: Te busco às oito. Sem discussão.

Ela olhou para o celular por alguns segundos.

Quase respondeu.

Quase recusou.

Quase inventou uma desculpa.

Mas não respondeu.

E, às oito em ponto, ele estava lá.

O carro parou diante do prédio, e quando Valentina entrou, encontrou Enzo já sentado no banco de trás, o olhar erguendo-se imediatamente para ela.

Havia algo diferente nele.

Não era só a roupa — o terno mais alinhado, a postura ainda mais firme.

Era a energia.

Mas, ao mesmo tempo… Algo mais pessoal.

— Boa noite — disse ele, e o tom não era formal.

Era… próximo.

Valentina assentiu.

— Boa noite.

Ele fez um gesto leve para que ela se sentasse ao lado dele.

Ela sentou.

A porta se fechou. O carro começou a andar.

Silêncio.

Mas não desconfortável.

— Eu devia agradecer — disse ele, depois de alguns segundos.

Valentina virou o rosto.

— Não precisa.

— Preciso, sim.

O olhar dele encontrou o dela.

— Você confiou em mim hoje.

Ela sustentou o olhar por um instante.

— Eu fiz o que achei certo.

— Mesmo assim.

Ele não desviou.

— Obrigado.

Valentina respirou fundo.

Algo naquele jeito…

Direto, mas sem pressão…

mexia.

— Para onde estamos indo? — perguntou, desviando o assunto.

Um sorriso leve surgiu no canto da boca dele.

— Surpresa.

— Não gosto de surpresas.

— Mente mal.

Ela quase sorriu.

O restaurante era discreto.

Elegante.

Reservado o suficiente para não chamar atenção.

Sem imprensa. Sem olhos curiosos.

Enzo desceu primeiro e estendeu a mão para ela.

Valentina hesitou por um segundo.

Um segundo mínimo.

E então aceitou.

Os dedos dele envolveram os dela com firmeza.

Quente.

Seguro.

E… demoraram.

Mais do que o necessário.

Quando ela desceu, ele ainda não soltou.

Valentina percebeu.

Mas não puxou a mão de volta.

E ele também não.

Só depois de alguns passos ele soltou.

Natural.

Como se não tivesse sido nada.

Mas foi.

A mesa já estava pronta.

Reservada. Velas baixas. Luz suave.

Intimidade suficiente para ser perigosa.

Enzo puxou a cadeira para ela.

Valentina se sentou.

Observou.

Ele.

O gesto.

A forma simples.

Mas… diferente.

Rafael nunca fazia isso.

Nunca precisou ou nunca quis.

— Você está me olhando como se estivesse me analisando — disse Enzo, sentando-se à frente dela.

— Estou.

Ele sorriu.

— E o veredito?

Valentina apoiou o cotovelo na mesa, o olhar ainda fixo nele.

— Ainda não decidi.

— Isso é bom ou ruim?

— Ainda não decidi isso também.

Ele soltou um riso baixo.

— Justo.

O garçom apareceu, serviu vinho, explicou o cardápio.

Eles pediram.

E, quando ficaram sozinhos de novo, o silêncio voltou.

— Você voltou ao escritório hoje — comentou ele.

— Voltei.

— E?

Valentina desviou o olhar por um instante.

— Nada mudou.

— Mudou, sim.

Ela voltou a encará-lo.

— O quê?

Ele apoiou os braços na mesa.

O olhar mais sério agora.

— Você.

Valentina sentiu o impacto.

— Eu não sei se isso é bom — disse ela, mais baixa.

— Eu sei.

Ela arqueou levemente a sobrancelha.

— Sabe?

Devagar.

Como se não quisesse.

Mas respeitasse.

— Desculpa — disse, mas não parecia arrependido.

— Não peça desculpa por algo que fez de propósito.

— Então não peço.

Ela soltou um ar pelo nariz.

E, sem perceber… sorriu.

Enzo observou.

Com atenção.Com calma. Como se guardasse aquilo.

Quando saíram do restaurante, a noite estava fria.

Valentina cruzou os braços instintivamente.

Antes que percebesse, o casaco de Enzo já estava sobre seus ombros.

Ela ergueu os olhos para ele.

— Você não precisa—

— Eu quero.

Sem espaço para recusa.

Ela ficou em silêncio. O tecido ainda quente.

Com o cheiro dele.

E isso… foi um erro.

Porque trouxe uma memória involuntária.

Rafael.

O perfume dele. O jeito como ela reconhecia a presença dele sem precisar olhar.

Valentina fechou os olhos por um segundo.

Rápido.

Quando abriu… Enzo ainda estava ali.

— Você ficou distante — comentou ele, observando.

— Só estou cansada.

Ele não insistiu.

Mas percebeu. Claro que percebeu.

No caminho de volta, o silêncio veio de novo.

Mas, dessa vez… mais íntimo.

Valentina olhava pela janela.

Mas não via a cidade. Via o que tinha acontecido.

Era perigoso.

Quando o carro parou, Enzo desceu primeiro.

Deu a volta. Abriu a porta para ela.

Estendeu a mão.

De novo.

Valentina olhou.

Por um segundo.

E então aceitou.

Dessa vez… sem hesitar.

Os dedos se entrelaçaram.

E ficaram.

Mais uma vez… um pouco mais do que deveriam.

E, pela primeira vez desde que tudo começou a desmoronar…

Valentina sentiu algo diferente do vazio.

Não era amor.

Não era paz.

Mas também não era dor.

Era… calor.

E isso, naquele momento… era suficiente.

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