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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 319

O corredor estava silencioso e o escritório parcialmente iluminado, com apenas o abajur sobre a mesa principal e a luz lateral perto da estante acesos. Enzo estava sem gravata, as mangas da camisa dobradas até os antebraços, olhando um conjunto de relatórios aberto sobre a mesa. Quando a ouviu entrar, ergueu os olhos e imediatamente percebeu que havia algo diferente na expressão dela.

— Aconteceu alguma coisa?

Ela fechou a porta atrás de si.

— Eu quero conversar.

Enzo largou a caneta devagar.

— Isso geralmente nunca vem acompanhado de coisa boa.

Apesar do tom leve, ele a observava com atenção demais.

Valentina não sorriu.

Caminhou até a poltrona à frente da mesa, mas não se sentou de imediato. Ficou alguns segundos olhando os papéis espalhados, os gráficos, as projeções, o tipo de organização metódica que dizia muito sobre quem passava tempo suficiente naquele espaço para controlar crises.

— Vários dias se passaram — começou, por fim, ainda de pé. — E eu achei, no começo, que certas matérias, certas falas, certas análises… fossem apenas coincidência.

Enzo continuou em silêncio.

Ela ergueu o olhar para ele.

— Mas já não parece acaso.

Um segundo. Dois.

Ele se recostou na cadeira.

— Sobre o que exatamente você está falando?

— Sobre nós.

A frase foi direta. Sem adorno. Sem fuga.

Enzo não reagiu de forma teatral. Não desviou, não recuou, não fingiu não entender. Apenas permaneceu olhando para ela, imóvel, como se soubesse que aquele momento pedia cuidado até na respiração.

— Estão nos transformando em símbolo de reconstrução — continuou Valentina. — O mercado, o conselho, a imprensa, os investidores. Tudo aponta para a mesma leitura. Você no comando. Eu ao seu lado. A empresa respirando melhor por causa disso.

Ela finalmente se sentou.

— E eu pensei muito antes de vir aqui.

Enzo apoiou os antebraços na mesa, entrelaçando os dedos.

— E no que você pensou?

Valentina sustentou o olhar dele.

— Que talvez aquilo que sua mãe falou não tenha sido absurdo. Só prematuro.

O silêncio que caiu entre os dois não era de desconforto. Era de densidade.

Enzo não respondeu de imediato, e isso, de algum jeito, a fez continuar.

— Eu sei o que parece — disse ela, mais baixa agora. — E sei o que significa. Eu já me casei uma vez por razões erradas. Sei como termina quando um contrato ocupa o lugar de qualquer verdade.

A garganta apertou por um instante, mas ela seguiu.

— Só que agora não é a mesma coisa.

Enzo inclinou levemente a cabeça.

— Não?

Valentina respirou fundo.

— Não. Porque agora eu sei exatamente o que estaria fazendo.

Ele ficou em silêncio.

Ela continuou.

— A empresa precisa de estabilidade. Augusto está esperando uma brecha. O conselho quer uma imagem coesa. O mercado já está respondendo a uma ideia que ninguém oficializou, mas que todo mundo entendeu. E eu… — ela parou por um segundo, procurando a palavra certa — …eu me sinto em dívida com você.

Enzo franziu o cenho, como se não tivesse gostado daquela parte.

— Não fala assim.

— É a verdade.

A resposta saiu rápida.

— Você esteve comigo quando eu não conseguia nem respirar direito. Sua mãe cuidou de mim quando eu não conseguia sequer ficar de pé. Você me puxou de volta quando eu já estava afundando naquele quarto sem perceber. E agora sua empresa está arcando com consequências que começaram por minha causa.

— Valentina—

— Não interrompe.

O tom dela não foi agressivo. Foi cansado.

Mas firme.

— Eu não estou dizendo isso por pena. Nem por impulso. Estou dizendo porque passei dias pensando… e cheguei à conclusão de que continuar fingindo que essa possibilidade não existe é quase infantil.

Enzo a observava como quem anda sobre vidro.

— O que você está propondo?

Ela soube, naquele instante, que não havia mais como recuar sem parecer covarde diante da própria ideia.

— Estou propondo que a gente considere isso seriamente.

A frase ficou entre eles.

Inteira. Clara. Irreversível.

Enzo soltou o ar devagar e se levantou. Deu a volta na mesa, não para pressioná-la, mas para diminuir a distância. Parou diante da poltrona, olhando para baixo, para ela, com uma expressão que não era surpresa completa… mas tampouco era a satisfação explícita de quem esperava aquilo.

— Eu não quero que você faça isso por pressão externa.

Valentina ergueu o rosto.

— Não estou fazendo.

— Nem por culpa.

Ela sustentou o olhar.

— Também não.

Enzo se abaixou um pouco, apoiando uma das mãos no braço da poltrona.

— Então por quê?

A pergunta veio baixa. Quase íntima.

Valentina demorou mais do que gostaria para responder.

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