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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 320

A decisão de ir até a prisão não nasceu de coragem.

Nasceu de exaustão.

Valentina passou dois dias tentando convencer a si mesma de que não precisava daquilo, de que o silêncio já bastava, de que o tribunal, a sentença e o som das algemas já tinham encerrado tudo o que existia entre ela e Rafael Montenegro. Mas a verdade era outra. Havia coisas demais ainda presas dentro dela, coisas que nem o julgamento, nem a queda pública, nem a distância tinham conseguido arrancar.

Era como se uma parte da história continuasse aberta, apodrecendo em silêncio.

E ela precisava fechar.

Nem que fosse com ódio.

Nem que fosse tarde demais.

Quando o carro parou diante do complexo penitenciário, Valentina permaneceu imóvel por alguns segundos, olhando através do vidro escurecido para a fachada fria, cinzenta, sem qualquer traço de humanidade. O lugar parecia construído para lembrar a qualquer um que entrasse ali que liberdade era uma coisa frágil, e que certas portas, uma vez fechadas, mudavam para sempre o homem que ficava do outro lado.

O motorista aguardou em silêncio.

Valentina levou a mão ao ventre quase por reflexo, sentindo o tecido do vestido ajustado ao corpo e a curva ainda discreta, mas já real, da gravidez que começava a existir também por fora. Três meses. O tempo tinha avançado mais rápido do que ela percebera, e agora nada dentro dela era apenas sobre ela.

Ela soltou o ar devagar.

— Vamos.

Os procedimentos foram frios, burocráticos, demorados. Documento. Assinatura. Espera. Olhares. Portas abrindo. Portas fechando. O som metálico dos trincos ecoava pelos corredores com uma dureza que chegava a ser ofensiva. Valentina caminhava acompanhada por um agente, os passos controlados, a pasta fina presa contra o corpo, o envelope dentro dela mais pesado do que papel deveria ser.

Convite.

Ultrassom.

Duas coisas pequenas.

Duas coisas capazes de destruir.

Quando finalmente chegou à sala de visita reservada, o agente indicou a cadeira de um dos lados da divisória de vidro grosso. Havia o telefone preso ao suporte, a luz branca demais no teto, a assepsia impessoal de lugares onde ninguém quer ficar mais do que o necessário. Valentina sentou-se devagar, ajustando a respiração, tentando conter o tumulto que começava a crescer por dentro.

Ela tinha ensaiado palavras.

Algumas.

Mas, agora, nenhuma parecia suficiente.

A porta do outro lado se abriu.

Rafael entrou.

O tempo não parou, mas mudou de densidade.

Ele vinha escoltado, com passos firmes, a postura ainda reta demais para alguém vestindo o uniforme neutro da prisão. O tecido áspero e sem forma não apagava quem ele era. Tampouco a luz cruel daquele lugar conseguia arrancar dele a presença que sempre preenchera os espaços antes mesmo que alguém tivesse coragem de nomeá-la.

Mas havia mudança, sim.

Não na estrutura do rosto. Não no corpo. Não na maneira como andava.

A mudança estava no que faltava.

Faltava o poder visível.

Faltava o mundo obedecendo à simples inclinação da cabeça.

Faltava o império ao redor.

Ainda assim… ele não parecia quebrado.

E isso a irritou imediatamente.

Rafael sentou-se do outro lado sem pressa. Os olhos subiram até o rosto dela e ali ficaram. Não havia surpresa. Não havia ironia. Não havia satisfação amarga. Havia apenas um silêncio profundo, atento, perigoso de tão contido.

Valentina pegou o telefone.

Ele fez o mesmo.

Por um segundo, nenhum dos dois falou.

A respiração dela parecia alta demais.

O olhar dele, insuportavelmente estável.

Foi isso que a fez começar.

— Eu quase não vim.

A voz saiu mais baixa do que ela queria.

Ela endureceu.

— Quase achei que não valia a pena.

Rafael continuou em silêncio.

Apenas ouvindo.

Como sempre.

Como no julgamento.

Como em tudo.

E aquilo voltou a irritá-la.

— Mas eu precisava vir — continuou, apertando o telefone com força. — Precisava encerrar isso de uma vez. Precisava falar olhando na sua cara, porque você me deve ao menos isso.

Nada.

Nenhuma palavra.

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