O quarto estava silencioso. Não o silêncio pesado dos dias em que ela não queria sair da cama, nem o silêncio confortável de quem finalmente encontra descanso. Era um silêncio diferente. Tenso. Expectante. Como se algo estivesse prestes a acontecer… e o ar já soubesse antes dela.
Valentina estava sentada diante do espelho, olhando para o próprio reflexo sem realmente se ver. O vestido ainda não estava ali. Nem a maquiagem. Nem o cabelo pronto. Ainda não era o dia.
Mas já era quase.
Casamento.
A palavra já não soava estranha. Também não soava leve. Era… inevitável.
O celular vibrou sobre a penteadeira.
Ela olhou sem pressa. Número desconhecido.
Por um segundo, pensou em ignorar.
Não ignorou.
— Alô?
Silêncio.
Estático.
Depois—
— Va… Valentina?
O coração dela falhou uma batida.
— Bianca?
A voz veio quebrada, distante, como se estivesse atravessando uma tempestade.
— Meu Deus… finalmente… eu tô tentando… há dias…
Valentina se levantou de imediato.
— Onde você está? O que aconteceu com você? Você sumiu!
A ligação falhou por um segundo. Voltou.
— Eu… não podia falar… teve problema na pesquisa… sabotaram… — a voz dela cortava, falhava, voltava distorcida — …tá tudo errado… eu tive que me esconder…
Valentina franziu a testa, o corpo inteiro ficando em alerta.
— Bianca, calma. Do que você está falando? Sabotagem de quem?
Ruído. Interferência.
— Eu não sei ainda… mas tem gente envolvida… grande… eu achei coisas que não batem… Rafael…
O nome veio falhado. Mas veio.
Valentina fechou os olhos por um segundo.
— Bianca… já acabou.
Silêncio do outro lado.
— O quê?
— O julgamento já aconteceu. Ele foi condenado.
A respiração da amiga falhou do outro lado.
— Não… não… isso não faz sentido…
— Faz sim. Eu vi tudo. Eu levei tudo até o fim.
Outro ruído.
A voz voltou mais urgente.
— Valentina, escuta—
Valentina ficou em silêncio.
Por um segundo. Dois.
Então respondeu, baixa:
— Eu estou grávida.
O silêncio do outro lado foi brutal.
Pesado. Quase absoluto.
— …o quê?
— Três meses.
A voz dela saiu firme, mas cansada.
— E eu vou me casar amanhã.
A reação veio imediata.
— NÃO.
A palavra veio forte, mesmo falhada pela ligação.
— Você não vai fazer isso, Valentina. Você não pode. Não agora. Você não sabe de tudo ainda, você— não casa com ninguém agora. Espera eu voltar. Tem coisa errada nisso tudo. Tem muita coisa que você não viu ainda
A voz falhou. Cortou. Voltou.
— Espera por mim! Eu tô voltando, você precisa esperar—
— Bianca—
— NÃO CASA!
E então…
Silêncio. A ligação caiu.
Valentina ficou parada, o celular ainda pressionado contra o ouvido.
— Bianca?
Nada.
Ela afastou o aparelho devagar. Ligação encerrada. Tentou retornar. Sem sinal. De novo. Nada. Mais uma vez. Sem conexão.
Valentina ficou olhando para a tela por alguns segundos.
Aquilo não era exatamente estranho. Bianca sempre se metia em lugares isolados, desaparecia em pesquisas, voltava dias depois com teorias absurdas e certeiras.
Mas… Não assim.
Não daquele jeito. Não com aquela urgência. Não com medo.
E, ainda assim… Ela respirou fundo.
Amanhã era o casamento. Não dava mais pra parar tudo por uma ligação instável. Não agora.
Uma batida leve na porta.
— Entre.
Helena entrou com um sorriso suave, carregando uma pequena caixa de veludo nas mãos.
— Minha querida…
Valentina se virou.
— Desculpa interromper. Eu imaginei que você estivesse sozinha.
Ela se aproximou devagar.
— Eu queria te entregar isso antes de amanhã.
Colocou a caixa sobre a penteadeira e a abriu com cuidado.
Dentro, uma joia antiga.
Delicada. Elegante.
Carregada de história.
— Era da minha mãe — disse Helena, com a voz mais baixa, quase afetiva demais. — Sempre foi passada para a esposa do filho que assumia a família.

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