Entrar Via

Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 324

Valentina acordou mais tarde do que pretendia.

Por alguns segundos, ficou imóvel, os olhos ainda fechados, sentindo a maciez do colchão, o peso leve do lençol sobre o corpo e aquela estranha suspensão que existe nos instantes entre o sono e a consciência. Era o dia do casamento. A frase se formou devagar dentro dela, sem o impacto que talvez devesse ter, sem o desespero que outra mulher talvez sentiria. Não havia euforia. Não havia pânico. Havia apenas uma calma artificial, quase delicada demais, como se a mente estivesse protegendo a si mesma do tamanho real da decisão.

Foi o som discreto da porta se abrindo que a trouxe de vez de volta.

— Bom dia, senhora.

Valentina abriu os olhos e virou o rosto.

Por um instante, levou tempo demais para entender o que via.

— Maria?

A governanta sorriu com aquela doçura mansa que sempre parecera genuína demais para ser questionada, e foi só então que Valentina se sentou na cama com uma rapidez que fez o lençol escorregar um pouco sobre o colo.

— Maria… o que você faz aqui?

A mulher colocou a bandeja de café sobre a mesa lateral e se aproximou.

— O senhor Enzo pediu para eu vir trabalhar para a senhora aqui. Como o senhor Rafael acabou sendo preso, eu fiquei sem trabalho… e o senhor Enzo me contratou.

Houve qualquer coisa de absurdamente reconfortante e triste naquilo. Ver Maria ali, naquele quarto, naquela manhã, era como encontrar um pedaço de uma vida que tinha sido enterrada rápido demais embaixo de tragédia, julgamento, raiva e recomeço. Valentina se levantou sem pensar e foi até ela. As duas se abraçaram, e Maria a recebeu com a mesma simplicidade de sempre, como se não houvesse distância entre o ontem e o agora.

Valentina fechou os olhos por um segundo.

— Me desculpa… — murmurou, afastando-se apenas o suficiente para olhar para ela. — Eu tinha tantas coisas na cabeça… tanta coisa acontecendo… eu acabei nem pensando em você depois de tudo.

Maria sorriu com ternura quase maternal.

— Que isso, senhora. A senhora tinha problemas grandes demais para carregar. Eu jamais levaria isso para o coração.

Valentina soltou um suspiro leve, ainda abalada pela culpa súbita que a presença de Maria havia trazido.

— Mesmo assim…

— Mesmo assim nada — cortou Maria com gentileza. — Hoje é o grande dia, então esqueça essa mulher que fala demais e venha tomar café antes que eu precise brigar logo cedo.

A forma como ela disse aquilo arrancou de Valentina um sorriso pequeno, mas verdadeiro, e isso bastou para mudar um pouco a temperatura do quarto. Foi só então que ela percebeu o resto.

O vestido.

Estava ali.

Pendurado no suporte perto da janela, protegido por tecido leve, branco e elegante, como uma presença silenciosa esperando o momento certo de existir. Sobre a poltrona ao lado, caixas abertas exibiam sapatos, joias, acessórios e tudo o que compunha o ritual daquela transformação final. O véu, dobrado com cuidado, parecia mais simbólico do que real. Tudo estava no lugar.

Tudo pronto.

Valentina olhou para aquilo por alguns segundos e sentiu o coração apertar de uma forma estranhamente calma.

— Já deixaram tudo aqui…

Valentina quase respondeu, mas algo lhe chamou atenção lá fora.

Enzo.

Ele cruzava a frente da casa ao lado de Dario com passos rápidos demais para aquele dia. Não havia leveza nele. Nem aquele charme calmo que se tornara tão habitual. O corpo inteiro estava em tensão. Os dois falavam algo que ela não conseguia ouvir, mas o ritmo, a postura, o modo como Dario se inclinava ligeiramente para ele enquanto andavam… tudo cheirava a problema.

— Maria… — murmurou, sem tirar os olhos da janela. — O que está acontecendo?

A governanta olhou para fora também, mas só por um instante, rápido demais para parecer análise.

— Talvez o senhor tenha ido ao trabalho, senhora. O casamento é só no fim da tarde, sabe como é… homens como ele, até num dia desses, ainda pensam em empresa.

Valentina soltou um sopro breve pelo nariz.

Porque, sim, aquilo era a cara de Enzo.

Responsável. Disponível. Atento a tudo.

Ainda assim, alguma coisa na imagem dele saindo tão cedo, tão apressado, ficou se movendo dentro dela de forma estranha, como uma pedra pequena dentro do sapato da mente.

Mas ela não insistiu.

Talvez porque não quisesse.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário