Valentina acordou mais tarde do que pretendia.
Por alguns segundos, ficou imóvel, os olhos ainda fechados, sentindo a maciez do colchão, o peso leve do lençol sobre o corpo e aquela estranha suspensão que existe nos instantes entre o sono e a consciência. Era o dia do casamento. A frase se formou devagar dentro dela, sem o impacto que talvez devesse ter, sem o desespero que outra mulher talvez sentiria. Não havia euforia. Não havia pânico. Havia apenas uma calma artificial, quase delicada demais, como se a mente estivesse protegendo a si mesma do tamanho real da decisão.
Foi o som discreto da porta se abrindo que a trouxe de vez de volta.
— Bom dia, senhora.
Valentina abriu os olhos e virou o rosto.
Por um instante, levou tempo demais para entender o que via.
— Maria?
A governanta sorriu com aquela doçura mansa que sempre parecera genuína demais para ser questionada, e foi só então que Valentina se sentou na cama com uma rapidez que fez o lençol escorregar um pouco sobre o colo.
— Maria… o que você faz aqui?
A mulher colocou a bandeja de café sobre a mesa lateral e se aproximou.
— O senhor Enzo pediu para eu vir trabalhar para a senhora aqui. Como o senhor Rafael acabou sendo preso, eu fiquei sem trabalho… e o senhor Enzo me contratou.
Houve qualquer coisa de absurdamente reconfortante e triste naquilo. Ver Maria ali, naquele quarto, naquela manhã, era como encontrar um pedaço de uma vida que tinha sido enterrada rápido demais embaixo de tragédia, julgamento, raiva e recomeço. Valentina se levantou sem pensar e foi até ela. As duas se abraçaram, e Maria a recebeu com a mesma simplicidade de sempre, como se não houvesse distância entre o ontem e o agora.
Valentina fechou os olhos por um segundo.
— Me desculpa… — murmurou, afastando-se apenas o suficiente para olhar para ela. — Eu tinha tantas coisas na cabeça… tanta coisa acontecendo… eu acabei nem pensando em você depois de tudo.
Maria sorriu com ternura quase maternal.
— Que isso, senhora. A senhora tinha problemas grandes demais para carregar. Eu jamais levaria isso para o coração.
Valentina soltou um suspiro leve, ainda abalada pela culpa súbita que a presença de Maria havia trazido.
— Mesmo assim…
— Mesmo assim nada — cortou Maria com gentileza. — Hoje é o grande dia, então esqueça essa mulher que fala demais e venha tomar café antes que eu precise brigar logo cedo.
A forma como ela disse aquilo arrancou de Valentina um sorriso pequeno, mas verdadeiro, e isso bastou para mudar um pouco a temperatura do quarto. Foi só então que ela percebeu o resto.
O vestido.
Estava ali.
Pendurado no suporte perto da janela, protegido por tecido leve, branco e elegante, como uma presença silenciosa esperando o momento certo de existir. Sobre a poltrona ao lado, caixas abertas exibiam sapatos, joias, acessórios e tudo o que compunha o ritual daquela transformação final. O véu, dobrado com cuidado, parecia mais simbólico do que real. Tudo estava no lugar.
Tudo pronto.
Valentina olhou para aquilo por alguns segundos e sentiu o coração apertar de uma forma estranhamente calma.
— Já deixaram tudo aqui…

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