O salão da Fênix brilhava como se a noite tivesse sido moldada para impressionar.
Luzes âmbar deslizavam sobre painéis de vidro escuro, refletindo em mármore polido, taças de cristal e fileiras de empresários que pareciam mais atentos do que relaxados, embora todos fingissem naturalidade. O coquetel havia sido construído para isso: grandioso o bastante para marcar território, sofisticado o bastante para deixar claro que não era apenas uma festa, mas um aviso. Havia jornalistas selecionados, investidores estrangeiros, nomes fortes do setor automotivo, tecnologia, logística, fundos de investimento. O tipo de evento onde presenças pesavam mais que discursos e ausências diziam tanto quanto falas públicas.
Valentina entrou ao lado de Enzo como se ainda estivesse dentro da história que ele acreditava controlar.
O vestido que escolhera para aquela noite não tinha nada da doçura de uma noiva. Era escuro, elegante, justo o suficiente para lembrar que ela era mulher, sóbrio o bastante para anunciar que estava ali por algo maior do que vaidade. Os cabelos caíam soltos sobre os ombros, a maquiagem desenhava sua beleza com precisão, e a barriga, agora delicadamente visível sob o tecido, parecia menos fragilidade e mais promessa silenciosa.
Ao lado dela, Enzo parecia impecável.
Por fora.
Por dentro, o desgaste já começava a aparecer nas pequenas falhas que só olhos atentos reconheceriam. O sorriso surgia e morria rápido demais. A mandíbula travava entre um cumprimento e outro. O olhar varria o ambiente com a necessidade de quem tenta medir ameaças sem deixar que percebam que está ameaçado. Ele ainda vestia poder. Mas já não vestia certeza.
Valentina notou isso desde a entrada.
E notou outra coisa também.
As pessoas estavam ali. Sim. Falavam com ele. Sim. Mas não como antes.
Havia distância.
Sutileza.
Aquele tipo de recuo elegante que a alta sociedade domina muito bem, onde ninguém é grosseiro o bastante para ignorar alguém em público, mas todos deixam claro, em meio tom, em passos encurtados e sorrisos sem calor, que já não desejam ficar perto demais de quem começa a cheirar a ruína.
Dois empresários com quem Enzo certamente teria conversado por longos minutos em qualquer outra ocasião o cumprimentaram com a formalidade mais breve possível antes de se afastarem em direção oposta. Um investidor estrangeiro fez um comentário superficial sobre o mercado e não permaneceu o suficiente para ouvir a resposta completa. Um casal que se aproximou de Valentina com simpatia visivelmente medida mal olhou para Enzo antes de seguir adiante.
Ele sentia.
Claro que sentia.
E tentava esconder.
— Eles estão com medo de serem vistos ao meu lado — disse em tom baixo, quase sem mexer os lábios, enquanto fingia observar uma instalação tecnológica próxima ao bar.
Valentina ergueu a taça até a altura do peito, sem beber.
— Empresários costumam amar vencedores e temer escândalos — respondeu com a mesma suavidade. — Você sabe disso melhor do que ninguém.
Enzo soltou um meio riso sem humor.
— Você faz parecer uma lição de mercado.
Ela virou o rosto e sustentou o olhar dele por um segundo calculado.
— E não é?
Ele a observou por um instante a mais. Se desconfiou da calma dela, não deixou transparecer. Apenas desviou o olhar de volta para o salão.
— Quando isso passar, todos voltam.
Valentina deixou um sorriso leve tocar seus lábios.
Por fora, compreensão.
Por dentro, outra coisa.
Talvez não voltem, pensou.
Mas não disse.
Helena surgiu pouco depois, impecável em um vestido claro e joias discretas demais para não serem caras. Trazia consigo a elegância fria das mulheres que aprenderam a sobreviver dentro de famílias poderosas sem jamais parecerem desesperadas, embora o desespero as devore por dentro. Ela beijou o rosto de Valentina, tocou o braço do filho e observou o salão como quem tenta dominar o território pela pura disciplina do olhar.

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