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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 337

A noite envolvia o estacionamento em um silêncio quase absoluto.

As luzes amareladas projetavam sombras longas no chão de concreto, criando aquele tipo de cenário que parecia existir fora do tempo — neutro, esquecido, perfeito para encontros que não deveriam acontecer.

Valentina estava dentro do carro.

Imóvel.

As mãos apoiadas no volante, o olhar fixo no para-brisa, enquanto o mundo lá fora permanecia distante. Ela não mexia no celular. Não olhava o relógio. Não demonstrava ansiedade.

Mas pensava.

Cada detalhe. Cada risco. Cada possibilidade de erro.

E então… toc, toc.

Duas batidas leves no vidro.

Valentina não reagiu imediatamente. Virou o rosto devagar. Analisou o homem do lado de fora.

Alto. Postura relaxada demais para alguém comum. Olhar direto. Sem medo. Sem pressa.

Ela abaixou o vidro apenas o suficiente.

— Senhora… — a voz veio baixa, firme — me chamo Jack.

Silêncio.

Um segundo. Dois.

Valentina avaliou.

E então destrancou a porta.

— Entra.

Ele entrou sem fazer perguntas.

Fechou a porta.

O cheiro leve de chuva e noite veio junto com ele.

— Você sabe o que fazer? — perguntou ela, sem rodeios.

— O delegado Salomão já adiantou tudo.

Resposta direta.

Sem emoção. Perfeito.

Valentina pegou o celular e abriu a planta da mansão.

Girou a tela na direção dele.

— Aqui.

O dedo dela deslizou até o ponto exato.

— Escritório. Fica na ala lateral.

Ele observou. Memorizando.

— Embaixo da mesa.

Uma pausa.

— Tem um cofre.

Ela ergueu os olhos para ele.

— Eu quero tudo que estiver lá dentro.

O silêncio pesou por um segundo.

— Sem deixar nada.

Jack apenas assentiu.

— Entendido.

Valentina abriu uma pasta que estava no banco traseiro e a colocou no colo dele.

— No lugar… você deixa isso.

Ele abriu.

Papéis em branco. Muitos. Organizados.

— Substituição — murmurou ele.

Ela não respondeu. Não precisava.

— Ok, senhora.

Valentina ligou o carro.

— Quando eu entrar… você espera.

— Quanto tempo?

— Até a casa se estabilizar.

Ela virou o volante.

— Eu aviso quando for o momento.

Ele apenas encostou a cabeça no banco.

Silencioso.

Como se já estivesse dentro do trabalho.

A mansão Montenegro surgiu imponente diante deles.

Iluminada. Impecável. Mentirosa.

Valentina estacionou com naturalidade.

Desceu.

Sem olhar para trás.

Entrou.

E, no instante em que cruzou a porta… A máscara voltou.

— Senhora — Maria apareceu rapidamente.

— O jantar está pronto?

— Em vinte minutos.

Valentina sorriu.

Doce. Perfeita.

— Avise a senhora Helena e o senhor Enzo.

Maria assentiu.

— Sim, senhora.

— Vou tomar banho.

Subiu as escadas com calma. Cada passo calculado. Cada gesto controlado.

Dentro do quarto, o silêncio voltou a abraçá-la.

Valentina entrou no banheiro.

Fechou a porta.

E, por alguns segundos… Apenas ficou ali.

Respirando. Sentindo o próprio coração batendo forte.

Ela apoiou as mãos na pia e ergueu o olhar para o espelho.

— Sem erros… — murmurou.

E então começou.

A água caiu. Fria no início. Depois quente.

Ela deixou escorrer pelos ombros, levando com ela qualquer resquício de hesitação. Quando saiu, já era outra vez a mulher que todos conheciam.

Ou acreditavam conhecer.

No estacionamento… Jack abriu os olhos.

O tempo tinha passado. O suficiente.

Ele saiu do carro. Sem pressa. Sem ruído. Usando as sombras como aliado, ele já tinha entrado na rede de toda a casa, sabia com antecedência onde cada segurança estava, sabia cada canto daquele lugar, como se fosse sua própria casa.

O jantar foi servido. A mesa estava impecável.

Velas acesas. Taças alinhadas. Sorrisos forçados.

Helena foi a primeira a falar.

— Ainda é uma pena termos que adiar tudo.

Valentina inclinou levemente a cabeça.

— Concordo.

Enzo parecia mais cansado.

Os ombros tensos. O olhar menos controlado.

— Não tivemos escolha — disse ele, passando a mão pelo rosto. — A empresa está… em uma situação complicada.

Valentina pegou a taça. Girou o líquido lentamente.

— Complicada… ou crítica?

Ele a olhou.

Por um segundo. E então soltou o ar.

— Crítica.

Helena apertou os lábios.

— Parte dos nossos bens está bloqueada.

Valentina ergueu os olhos.

Como se não soubesse.

— Bloqueada?

Jack respirou fundo.

Encostou o dedo no leitor. A máquina respondeu.

Analisando. Processando.

Um segundo.

Dois.

Três.

Aceito.

A última trava cedeu.

O cofre abriu.

Lento.

Pesado.

Como se estivesse liberando algo que nunca deveria sair dali.

Jack olhou dentro.

E, pela primeira vez… Parou.

Na sala de refeições, Valentina segurava a taça.

Mas não bebia.

A intuição apertou o peito. Algo tinha mudado.

Ela não sabia o quê. Mas sentiu.

Dentro do cofre…

Pastas.

Muitas.

Organizadas.

Rotuladas.

E no topo…

Um nome.

O dela.

Jack não perdeu tempo.

Pegou tudo. Substituiu. Fechou. Reconfigurou.

E desapareceu.

O jantar terminou. Conversas vazias.

Sorrisos falsos. Promessas ocas.

Valentina subiu para o quarto sem pressa.

Como sempre. Como ninguém suspeitaria.

A porta fechou. Trancou. Silêncio.

Então…

toc.

Uma batida leve na janela lateral.

Valentina foi até lá.

Abriu.

Jack entregou a pasta.

Sem palavra. Sem olhar. Desapareceu na noite.

Ela fechou a janela.

Virou-se.

Caminhou até o centro do quarto.

E abriu. Fotos. Contratos. Áudios. Transferências.

Crimes. Muitos. Demais.

Enzo não era só culpado. Ele era monstruoso.

Valentina levou a mão à boca.

Não de fraqueza.

De controle.

E então… Sorriu. No escuro. Lento. Frio.

— Você vai cair, Enzo.

E, dessa vez… Não havia mais nada que pudesse impedir.

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