O salão ainda vibrava com a presença de Rafael Montenegro.
Mesmo depois do discurso, mesmo com Lucas assumindo a continuidade técnica da apresentação, mesmo com os investidores se movendo como predadores elegantes em direção ao novo centro de poder… havia algo que permanecia.
Peso. Autoridade. Domínio.
Era como se o ar tivesse sido reorganizado.
E Valentina Diniz sentia isso na pele.
Cada respiração vinha mais curta. Cada batida do coração mais forte. Cada segundo mais perigoso.
Mas nada disso podia aparecer.
Nada.
Ela ajustou a postura ao lado de Enzo Montenegro, aproximando-se ligeiramente mais dele — um gesto pequeno, quase imperceptível para quem olhasse de fora.
Mas não para quem importava.
Enzo sentiu. Claro que sentiu.
Virou-se para ela, os olhos percorrendo seu rosto com atenção renovada.
— Você está bem?
A pergunta saiu baixa, controlada.
Mas carregada de algo que não era só preocupação.
Era necessidade.
Valentina ergueu o olhar para ele.
E, naquele instante… atuou.
Não como alguém despreparada. Mas como uma mulher que sabia exatamente o que precisava ser dito.
— Não.
A resposta veio suave. Mas firme. Os olhos dela voltaram-se brevemente para o palco… onde Rafael ainda era o centro de tudo.
E então, como se aquilo a incomodasse profundamente, desviou o olhar.
— Isso é uma piada, Enzo.
Ele franziu levemente o cenho.
— O quê?
Ela apertou a taça entre os dedos.
— O sistema de justiça.
Silêncio. Um segundo. Dois.
Ela respirou fundo, como se estivesse se contendo.
— Ele deveria estar preso.
A frase caiu limpa. Sem tremor. Sem dúvida. Como uma sentença.
Enzo a observou com atenção.
E algo dentro dele… relaxou.
Pouco. Mas relaxou.
— Eu sabia que você pensaria assim — murmurou, aproximando-se mais.
A mão dele pousou nas costas dela.
Firme. Possessiva.
Como quem marca território sem precisar dizer uma palavra.
Valentina não se afastou.
Não reagiu. Não agora. Mas a vontade de vomitar a cada toque, a vontade de correr para longe a cada segundo era grande.
— Não faz sentido — continuou ela, baixando levemente a voz. — Depois de tudo… depois de tudo que ele fez…
Ela deixou a frase morrer. Incompleta.
Como se fosse dolorosa demais para terminar.
Enzo aproximou o rosto do ouvido dela.
— Eu vou resolver isso.
A promessa veio carregada de veneno.
— Ele não vai durar muito tempo fora.
Valentina fechou os olhos por um breve instante.
Por fora, parecia alívio. Por dentro…Era outra coisa.
Era o corpo inteiro reagindo à presença de Rafael no mesmo ambiente.
Era a memória do toque dele. Era a consciência brutal de tudo que agora ela sabia.
Era a vontade quase física de atravessar aquele salão… e parar na frente dele.
Mas ela não se moveu. Não podia. Não ainda.
Quando abriu os olhos novamente, estava perfeita outra vez.
— Espero que sim.
Enzo sorriu de lado. Satisfeito. Convencido.
E então fez exatamente o que ela sabia que ele faria.
Começou a andar. Levando-a com ele. Pelo salão. Como se nada tivesse mudado. Como se ainda fosse dono de tudo. Como se ainda fosse dono dela. A mão nas costas deslizou lentamente até a cintura. Mais firme agora. Mais visível. Mais íntima.
Eles passaram por grupos de empresários, investidores, jornalistas discretos. Cumprimentos foram trocados. Conversas rápidas. Olhares analisando.
E, no meio disso tudo… Enzo falava. Baixo. Direto ao ouvido dela.
— Olha bem, Valentina… — murmurou. — Eles podem até se impressionar com uma apresentação bonita… mas isso não sustenta império.
Ela manteve o olhar à frente.

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