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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 341

Valentina permaneceu mais alguns segundos ao lado de Enzo e Helena depois do fim da apresentação, sustentando no rosto a máscara exata que a situação exigia. O salão continuava vibrando em torno da Fênix, como se o mundo inteiro tivesse mudado de eixo diante de todos e só ela soubesse o quanto aquilo era maior do que um lançamento global. Empresários antes colados em torno do sobrenome Montenegro agora orbitavam Rafael com a rapidez oportunista de quem reconhece o novo centro de poder antes mesmo da queda anterior terminar de fazer barulho no chão.

Ela precisava sair dali.

Não porque fosse fraca.

Mas porque seu corpo já começava a cobrar o preço de tudo que sua mente vinha sustentando à força.

O estômago revirava. O bebê parecia inquieto. O peito estava apertado demais. E, no meio daquela luz dourada, daqueles copos altos e daqueles sorrisos caros, Valentina sentiu que precisava de um minuto sozinha antes que o próprio corpo a traísse.

Virou-se para Enzo com cuidado, como quem não queria chamar atenção.

— Eu vou ao banheiro.

Enzo inclinou levemente a cabeça, observando o rosto dela com aquela atenção controlada que, antes, ela confundiria com cuidado.

— Você está bem?

Valentina deixou um sorriso pequeno nascer, só o suficiente.

— Estou. Só o bebê precisando de um tempo.

Helena, ao lado, suspirou com delicadeza ensaiada.

— Vá, querida. Respira um pouco.

Valentina assentiu e se afastou sem pressa. Não correu. Não olhou para trás. Apenas atravessou o salão, passando por convidados, garçons e painéis de luz, até alcançar o corredor lateral onde ficavam os sanitários reservados do evento.

Ali, longe do palco e dos olhares, o som da festa chegou abafado, como se pertencesse a outra realidade.

Ela entrou no banheiro feminino e fechou a porta atrás de si.

O silêncio do ambiente foi imediato.

Espelhos altos. Mármore claro. Luz branca demais. O cheiro sutil de flores caras tentando mascarar limpeza recente. Nenhuma outra mulher ali. Nenhuma voz. Nenhuma testemunha. Apenas ela, o reflexo e a turbulência correndo por baixo da pele como uma correnteza escondida.

Valentina foi até a pia e apoiou as duas mãos na borda.

Respirou.

Uma vez.

Depois outra.

Os olhos desceram até a própria barriga, discreta sob o tecido, e o coração dela amoleceu por um segundo num lugar que nem a guerra, nem a culpa, nem a saudade tinham conseguido alcançar completamente.

— Calma, amor… — murmurou, levando a mão até o ventre. — Não faça a mamãe passar mal agora.

A voz saiu mais baixa, mais íntima, mais verdadeira do que qualquer outra que usara naquela noite.

— A gente precisa ser forte. Por nós dois.

Ela engoliu em seco e fechou os olhos.

— E pelo papai também.

A palavra doeu e acalmou ao mesmo tempo.

— Se a gente der brecha para o inimigo… ele mata o seu pai. E isso a mamãe não vai deixar acontecer.

Ela soltou o ar devagar, abaixou a cabeça e abriu a torneira, deixando a água correr sobre os dedos enquanto tentava fazer o coração voltar para dentro do peito de forma menos violenta.

Foi então que sentiu.

Não ouviu primeiro.

Sentiu.

Como se o ar do banheiro tivesse mudado de densidade. Como se o espaço inteiro tivesse reconhecido uma presença antes mesmo que a razão conseguisse nomeá-la. O corpo dela soube. O perfume alcançou o ambiente com aquela nota limpa, escura e inconfundível que a memória não tinha esquecido nem nos dias em que o odiou.

Valentina não se virou.

Endireitou lentamente a postura, os olhos ainda presos ao espelho, onde a porta ao fundo não aparecia inteira, apenas parte do espaço atrás dela.

Falou sem olhar.

— Você é um idiota, sabia?

Silêncio.

Parado a poucos passos.

As mãos nos bolsos da calça do terno. A cabeça levemente inclinada. O rosto mais próximo do que qualquer lembrança permitia, mais duro do que qualquer saudade perdoava. Mas os olhos… os olhos eram os mesmos. Aquele olhar carregado de alguma coisa funda demais para caber em palavras simples. Carinho. Dor. Controle. Amor. Tudo junto, comprimido na mesma direção.

Ele deu um passo à frente.

Só um.

E o sorriso leve que tocou seus lábios não tinha alegria. Tinha cansaço. Tinha intimidade. Tinha a estranha ternura de um homem que sabe que já perdeu demais para fingir distância completa.

— Você acha que, se eu tivesse contado desde o início, você estaria assim… bem… na minha frente?

A voz dele entrou nela como uma faca quente.

Não alta.

Não dura.

Mas devastadora.

Valentina respirou fundo e deu também um passo na direção dele.

— E me deixar com o inimigo era a melhor estratégia?

Rafael virou o rosto por um instante, como se mastigasse a própria resposta antes de soltá-la no mundo. Então voltou a olhá-la e deu outro passo.

— Eu sabia que, para me atingir, ele iria atrás de você.

Ela avançou mais um.

— Então você arriscou a minha vida.

— Nunca.

A resposta veio rápida demais para ter sido pensada. Instintiva. Verdadeira. Os olhos dele escureceram.

— Se você nunca percebeu… nunca te deixei sozinha. Nem por um dia.

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