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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 36

O motorista estacionou diante do prédio antigo da Universidade de Direito de São Paulo.

Valentina respirou fundo antes de descer.

Roupa simples.

Cabelo preso.

Pulsação rápida demais para alguém que “só veio pegar documentos”.

O campus parecia exatamente igual — e completamente diferente.

O mesmo portão antigo, as mesmas colunas gastas pelo tempo… e, ainda assim, Valentina se sentiu como uma intrusa caminhando entre lembranças que não eram mais dela.

Nunca tinha percebido o quanto a universidade era barulhenta: risadas ecoando, passos rápidos, mochilas batendo nas costas, vozes discutindo jurisprudência como se o mundo fosse simples.

Ela parou por um instante no pátio central.

E reconheceu o banco onde passou madrugadas estudando para Moot Court.

O corredor onde chorou depois da primeira prova oral.

A janela onde recebeu o e-mail de aprovação para Harvard.

Parecia outra vida — porque era.

A Valentina que tinha caminhado ali era firme, afiada, inquebrável.

A de agora… respirava como quem tenta colar os pedaços enquanto continua andando.

Ainda assim, ela ergueu o queixo.

Porque, se esse lugar a moldou uma vez, podia moldá-la de novo.

O hall da universidade tinha aquele cheiro de livro velho, café barato e futuro — o futuro que ela tinha sonhado por anos e que parecia distante demais agora.

Alguns estudantes passaram por ela conversando alto, rindo de assuntos que não importavam… e, por um instante, ela sentiu inveja daquela despreocupação juvenil.

Entrou no saguão em silêncio.

A febre tinha ido embora, mas o peso da vergonha não.

Era como se cada tijolo daquele prédio lembrasse quem ela tinha sido… e quem ela não podia mais ser.

Quando subiu o segundo lance de escadas, ouviu uma voz conhecida:

— Senhorita Diniz? Ou… Montenegro agora?

Valentina congelou por meio segundo antes de virar.

Professor Elias Moreira.

Alto, expressão serena, olhar que enxergava além da aparência — um dos poucos professores que ela realmente respeitava.

Ela sorriu.

Pequeno, mas verdadeiro.

— Professor… que bom vê-lo.

Ele se aproximou com aquele jeito de quem percebe tudo, mas pergunta só o necessário.

— Recebi alguns e-mails seus. Notei certa… urgência.

Aconteceu algo?

Valentina baixou o olhar.

— Estou procurando consultorias, pareceres… qualquer coisa que possa fazer remotamente. Eu… eu preciso trabalhar.

Elias ficou em silêncio por alguns instantes, analisando cada detalhe dela: o cansaço nos ombros, a palidez leve, a tensão presa no queixo.

— Estão te recusando, não é?

— Sim. — ela respondeu baixo. — Alguns nem atendem. Outros dizem que “não convém se associar a mim no momento”.

Elias franziu o cenho, visivelmente irritado.

— Você salvou empresas inteiras com seus pareceres. — disse. — Gente medíocre adorando ver gigante tropeçar… típico.

Valentina respirou fundo, surpresa com a dureza dele.

— Professor… eu não quero compaixão. Eu só preciso de trabalho.

— Não estou oferecendo compaixão. — Elias corrigiu, firme. — Estou oferecendo oportunidade porque você é uma das mentes mais brilhantes que já passaram por aqui. O resto é ruído.

Ela desviou o olhar.

Era estranho ouvir isso depois de tantos dias ouvindo “não”.

— Eu achei que… ninguém mais acreditava em mim.

— As pessoas esquecem fácil. — Elias respondeu. — Mas talento não some. Ele só fica soterrado até alguém limpar o entulho.

Valentina mordeu o interior da bochecha.

— O meu nome… está muito exposto. E as pessoas… preferem evitar riscos.

Uma dor silenciosa atravessou o olhar dele.

— Sempre achei injusto como o mercado trata escândalos. Basta meia verdade para apagarem anos de mérito.

Ela piscou rápido.

Precisava tanto ouvir aquilo.

— Eu tenho um projeto — Elias disse — um caso internacional de compliance e estrutura societária. Preciso de alguém com sua formação e precisão técnica.

O trabalho é remoto. Bem pago.

E urgente.

Valentina pisou fundo no chão para não balançar.

— Está… me oferecendo uma vaga?

— Estou dizendo que quero você na equipe.

Mas preciso de dedicação real. Nada de desaparecer ou adoecer por exaustão.

Você consegue?

Ela assentiu sem hesitar.

— Consigo.

Eu preciso disso.

Ele sorriu — um sorriso que não carregava pena.

Carregava respeito.

— Então venha à minha sala. Vamos alinhar prazos, documentos e sistema de acesso.

Valentina seguiu o professor pelo corredor, e a cada passo sentia a alma ganhar um centímetro de volta.

Era como se um pouco daquela mulher que conquistou Harvard estivesse voltando para o corpo.

A sala do professor tinha cheiro de livro novo, ar-condicionado e café forte.

E, pela primeira vez em dias, ela se sentiu… segura.

Elias virou o laptop para ela.

— Preencha aqui: nome completo, especialidade, contato profissional. — disse. — E uma identificação para emissão de contrato.

Valentina travou.

“Nome”.

Se colocasse Diniz, o escândalo renascia como fantasma.

Se colocasse Montenegro, Rafael entraria no problema — e não, não, não… isso ela não podia permitir.

Respirou fundo. Valentina ficou olhando para a caixa de texto como quem encara um abismo.

O cursor piscava. Impaciente.

“Nome completo”.

Como se fosse simples.

Seu nome real estava contaminado demais.

Diniz carregava a sombra de Rogério.

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