O restaurante parecia ter sido desenhado para lembrar a quem entrava que dinheiro existia para ser exibido.
Luzes baixas, quentes, refletidas em cristais pendentes como pequenas estrelas domesticadas. Mesas espaçadas, guardanapos de linho engomados, talheres que brilhavam mais do que as joias em alguns pescoços. O tipo de lugar em que garçons não andavam — deslizavam.
Vittória Montenegro já estava ali quando Isabella chegou.
Sentada à mesa próxima à janela, de frente para a cidade iluminada, ela girava a taça de vinho branco entre os dedos longos, observando o líquido dançar com a mesma calma com que observava o mundo desmoronar quando era conveniente.
O vestido dela era de um verde profundo, tecido caro que abraçava a cintura com elegância. Os cabelos presos num coque perfeito, brincos discretos demais para o valor que tinham. Em Vittória, nada destoava. Nada era exagerado. Nada era inocente.
Isabella apareceu na entrada como um pequeno furacão mal contido.
Salto alto, vestido justo demais para o conceito de clássico, maquiagem impecável — ou teria sido, se os olhos vermelhos de choro não denunciassem o estrago da tarde.
O maître a reconheceu imediatamente, inclinando a cabeça, e a conduziu até a mesa.
— Chegou atrasada. — Vittória comentou, sem erguer o olhar de imediato. Não havia reprovação explícita, apenas um lembrete de hierarquia.
— Eu… — Isabella pigarreou, tentando recuperar um pouco de dignidade antes de sentar. —Desculpa, sogra. Mas tive um dia longo.
— Eu imagino. — Dessa vez, Vittória levantou os olhos para a futura nora com um interesse frio. — Sente-se, querida. Você está um desastre.
Isabella mordeu o lábio, mais pela humilhação acumulada do que pela frase em si, e puxou a cadeira.
Um garçom se aproximou com naturalidade ensaiada.
— O mesmo vinho para a senhorita? — perguntou, olhando para Isabella.
— Traga uma garrafa. — Vittória respondeu por ela, delicada. — Hoje, claramente, precisamos.
O homem se afastou.
Por alguns segundos, tudo o que se ouviu na mesa foi o tilintar distante de talheres e o murmúrio abafado de outras conversas. O silêncio de Vittória não era neutro; era uma pressão suave, um convite à confissão.
Isabella quebrou primeiro.
— Ele me humilhou, Vittória. — a voz saiu áspera, tentando não tremer. — Na frente de funcionários. Na própria empresa. Como se eu fosse… qualquer uma.
Os olhos de Vittória permaneceram firmes nela. Não havia choque. Só uma atenção cortante.
— Rafael? — perguntou, embora já soubesse a resposta.
— Quem mais seria? — Isabella soltou uma risada curta, amarga. — Eu fui vê-lo, ele não foi no hospital esses dias, não me visitou e sempre que ligava ele dizia: Estou ocupado, vou mandar o assistente Moreira, e ele simplesmente… — a mão dela fechou no guardanapo — mandou que me retirassem.
Os dedos de Vittória endureceram um pouco ao redor da taça, mas seu rosto permaneceu intocado.
— Mandou que a retirassem…? — repetiu, devagar, como quem prova as palavras.
— Disse que eu estava atrapalhando. Que não precisava de mim ali. — Isabella voltou o rosto para o lado, os olhos brilhando de raiva. — Como se eu fosse um estorvo. E tudo isso depois daquelazinha... aparecer.
Aquela mulher.
Não precisou dizer o nome.
No mundo Montenegro, havia uma novata que tinha virado sombra permanente: Valentina.
O garçom retornou com a garrafa, serviu as duas em taças finas e recuou sem ruído.

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