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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 41

Gotas.

Primeiro foram só isso.

Pequenas, frias, insistentes — caindo no rosto dela como dedos impacientes tentando despertá-la.

Valentina mexeu a cabeça, um gemido rouco escapou da garganta.

Tudo estava pesado.

O corpo.

Os olhos.

A mente.

Uma dor lenta pulsava no fundo do crânio, como se algo lá dentro tivesse sido desligado à força.

Ela tentou respirar fundo.

O ar veio úmido, salgado… gelado.

A segunda coisa que ela sentiu foi o balanço.

Não suave.

Não acolhedor.

Um balanço irregular, brusco, que fazia seu estômago virar e revirar como se quisesse subir pela garganta.

Valentina forçou os olhos a abrirem.

Um trovão rasgou o céu.

A luz branca do raio iluminou tudo por UM segundo — e o horror caiu inteiro sobre ela.

Ela estava em um barco.

O céu era um monstro de nuvens escuras.

A chuva que antes eram gotas virou jorros.

O vento cortava como navalha.

E o oceano — o oceano estava VIVO.

Ondas batendo contra o casco.

Água invadindo partes do deque.

O barco gemendo como se fosse partir ao meio.

Ela se levantou num solavanco — e quase caiu.

— O quê…? — a voz dela saiu mais ar do que som.

Ela apoiou uma mão na parede lateral do barco, tentando estabilizar o próprio corpo.

A cabeça rodopiava.

O mundo parecia inclinar.

Só água escura em todas as direções.

A tempestade engoleria tudo.

O pânico veio como um soco.

— Isabella?! — ela gritou, a voz se quebrando. — Isabella! Tem alguém aqui?! Tem alguém… — mais um trovão abafou o resto.

A resposta foi o vento uivando contra seu rosto.

Valentina cambaleou até a parte central do barco, segurando nas bordas, o corpo chocando contra a madeira molhada a cada balanço violento.

Ela escorregou, bateu o joelho, gemeu — mas levantou.

— Pelo amor de Deus… — sussurrou, tentando não entrar em pânico. — Tem alguém aqui? Alguém?!

Nada.

Só o mar rugindo.

Ela correu até a pequena escada que levava ao interior da cabine.

Abriu a porta com um estalo.

Vazia.

O interior estava completamente vazio.

Não havia vozes, passos, sombra de alguém. Nada que dissesse que alguém tinha estado lá havia minutos.

O barco era uma casca oca no meio do oceano.

Ninguém.

Só o eco da própria respiração sufocada.

— Não… não, não, não… — ela murmurou, a voz falhando, enquanto voltava correndo para o deque.

A chuva agora caía com tanta força que machucava a pele.

O vento chicoteava os cabelos no rosto.

As ondas batiam no casco como murros.

— Meu Deus… — ela segurou a cabeça com as duas mãos. — O que eu faço? O que eu faço…?

Ela tentou respirar.

Não conseguiu.

Tentou de novo.

Nada.

O terror fechava o peito como uma mão gigante.

A garganta de Valentina apertou.

Uma onda inesperada atingiu a lateral, e a água entrou pela porta aberta, encharcando seus pés. Ela se assustou e voltou cambaleando para o deque, batendo o ombro na porta no processo.

— Deus… — ela sussurrou, sentindo o corpo começar a tremer. — Deus, por favor…

Ela precisava respirar. Precisava pensar. Precisava de ajuda.

Foi então que lembrou.

O celular.

Ela correu até a bolsa jogada perto do banco de trás, os dedos trêmulos demais para abrir o zíper. Conseguiu abrir na terceira tentativa, derrubando a bolsa inteira no chão molhado.

— Não… não, não, não…

Ela se levantou cambaleando, agarrou a bolsa jogada perto do banco e abriu com violência.

Vazia.

Só a carteira.

Só a chave do quarto.

Nada de celular.

— Não… não pode… — ela vasculhou mais fundo, virou a bolsa ao avesso, espalhou tudo no chão molhado.

Mas já sabia.

O celular não estava ali.

Uma onda alta bateu na lateral do barco.

A água subiu, molhou tudo, arrastou parte das coisas para longe.

Valentina segurou a borda do banco para não ser derrubada.

Ela gritou.

Um grito que nasceu do fundo da alma.

— SOCORRO!!! ALGUÉM!!! POR FAVOR!!!

A tempestade respondeu com outro trovão.

Ela fechou os olhos, as lágrimas se misturando com a chuva.

— Eu vou morrer… — sussurrou, a voz quebrada. — Eu vou morrer aqui…

O barco balançou tão forte que ela caiu outra vez, batendo o ombro, gemendo alto.

Cada músculo tremia.

O mar era um animal selvagem.

E ela era só… humana.

— Rafael… — a palavra escapou antes que ela percebesse. — Onde você está…?

Outro trovão.

Dessa vez tão perto que o chão tremeu.

O barco inclinou perigosamente para o lado.

A água invadiu o deque.

Valentina agarrou o corrimão com toda força, os dedos escorregando.

O desespero subiu pela garganta como ácido.

O vento rugiu.

A chuva cegava.

O mar engolia o horizonte.

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