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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 40

Valentina estava sentada na beira da cama, ainda com o coração aquecido pelo pequeno triunfo daquele dia.

Ter trabalhado bem, ter recebido elogio, ter sentido a própria cabeça funcionando… era como ter reencontrado um pedaço dela mesma.

Ela respirou fundo, deixando o ar entrar devagar.

Talvez — só talvez — a vida estivesse começando a voltar para o lugar.

O celular vibrou.

Uma vibração longa, insistente.

Número desconhecido.

Valentina franziu o cenho.

Atendeu.

— Alô?

Demorou um segundo a mais do que o normal até que a voz surgisse do outro lado da linha.

— Valentina? — suave, macia, quase hesitante. — É… Isabella.

O corpo de Valentina ficou tenso imediatamente.

— Isabella? O que houve?

Houve um breve silêncio — calculado, como se a outra escolhesse as palavras.

— Eu… eu sei que não somos próximas. — Isabella começou, a voz frágil, quase tremida. — Mas… eu encontrei algo. Algo que eu acho que você deveria ver.

Valentina sentiu o estômago apertar.

Algo naquelas palavras ativou o pior tipo de memória dentro dela.

— Encontrou… o quê? — a voz saiu baixa.

— Não quero falar por telefone. — Isabella respondeu, firme, porém delicada. — É delicado demais. Pessoal demais. Eu preferia te entregar nas suas mãos.

Valentina respirou fundo.

Um nó se formou na garganta.

— Isabella… se isso for sobre… — ela parou, incapaz de completar a frase.

Isabella não deixou que ela continuasse:

— É sobre os seus pais.

O coração de Valentina simplesmente… parou.

Por um instante, o quarto perdeu forma.

O ar ficou pesado, espesso.

Os pais.

Isabella continuou, com uma suavidade que parecia preocupação verdadeira:

— Eu achei documentos antigos… coisas que não deveriam ter ficado escondidas. Eu juro que hesitei antes de te ligar. — a voz dela tremeu um pouco. — Mas achei injusto não te avisar. Independentemente de qualquer coisa… você merece saber a verdade.

Valentina sentiu os olhos arderem.

Seu corpo inteiro pareceu balançar.

— Que tipo de documentos? — ela perguntou, num fio de voz.

— Eu prefiro te mostrar. — Isabella disse. — Mas, por favor… venha sozinha. Não quero envolver mais ninguém. É sensível demais.

Valentina hesitou.

Seu instinto recuou como um animal assustado.

Algo ali estava… estranho.

Mas o nome deles — pais — ecoava nas paredes internas dela, abrindo feridas que nunca fecharam.

— Eu vou te mandar a localização. — Isabella completou, suave. — Estarei te esperando. Não demore.

E antes que Valentina pudesse responder, Isabella desligou.

A notificação apareceu segundos depois:

localização enviada.

Valentina abriu a mensagem, mas não reconheceu imediatamente o endereço.

Não era um nome familiar, nem queria dizer nada para ela.

Só coordenadas.

Um ponto no mapa.

Ela respirou fundo, tentando estabilizar a mente ainda abalada.

Ela buscou a bolsa, respirando fundo, tentando acalmar o coração inquieto.

Abriu a porta do quarto.

E encontrou Clara no corredor, segurando um buquê de flores frescas.

— Senhora Valentina? — Clara sorriu, educada. — Vai sair?

— Sim… preciso encontrar alguém.

— Ah… — Clara inclinou a cabeça. — Infelizmente o motorista não pode levá-la. A dona Vittória o chamou para acompanhá-la em um compromisso.

Valentina sentiu o calafrio subir.

Rápido demais.

Forte demais.

— Mas posso chamar um táxi. — Clara completou, sorrindo. — É mais fácil e rápido. Vai te ajudar muito.

Valentina tentou entender o incômodo, mas estava emocionalmente desnorteada demais para decifrar a origem.

— Certo… obrigada. — murmurou.

Dez minutos depois, o táxi estacionou na frente da mansão.

Valentina entrou.

Os dedos tremiam um pouco.

O motorista perguntou o endereço.

Ela passou a localização.

Durante o trajeto, a cidade parecia mais sombria do que o normal.

As luzes borravam pelas janelas, e quanto mais o carro se aproximava do destino, mais apertado o coração dela ficava.

As ruas ficaram mais silenciosas.

As luzes mais espaçadas.

O vento mais frio.

E então — o táxi virou a última esquina.

O mundo de Valentina congelou.

Diante dela, imenso e escuro, estava o cais.

A marina.

Barcos parados.

Água escura.

Cordas rangendo.

Um vento cortante anunciando perigo.

O táxi parou.

— Chegamos, senhora. — o motorista anunciou.

Valentina desceu devagar.

A sensação foi IMEDIATA.

Um arrepio brutal subiu pelas costas, tão forte que ela precisou abraçar os próprios braços.

O vento bateu contra o rosto dela, gelado como aviso.

Ela olhou o ponto azul da localização no celular.

Era ali.

Exatamente ali.

— O que você está fazendo, Valentina…? — ela sussurrou para si mesma, com o coração martelando.

O celular vibrou de novo.

Isabella.

A voz doce veio pelo viva-voz:

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