Valentina estava sentada na beira da cama, ainda com o coração aquecido pelo pequeno triunfo daquele dia.
Ter trabalhado bem, ter recebido elogio, ter sentido a própria cabeça funcionando… era como ter reencontrado um pedaço dela mesma.
Ela respirou fundo, deixando o ar entrar devagar.
Talvez — só talvez — a vida estivesse começando a voltar para o lugar.
O celular vibrou.
Uma vibração longa, insistente.
Número desconhecido.
Valentina franziu o cenho.
Atendeu.
— Alô?
Demorou um segundo a mais do que o normal até que a voz surgisse do outro lado da linha.
— Valentina? — suave, macia, quase hesitante. — É… Isabella.
O corpo de Valentina ficou tenso imediatamente.
— Isabella? O que houve?
Houve um breve silêncio — calculado, como se a outra escolhesse as palavras.
— Eu… eu sei que não somos próximas. — Isabella começou, a voz frágil, quase tremida. — Mas… eu encontrei algo. Algo que eu acho que você deveria ver.
Valentina sentiu o estômago apertar.
Algo naquelas palavras ativou o pior tipo de memória dentro dela.
— Encontrou… o quê? — a voz saiu baixa.
— Não quero falar por telefone. — Isabella respondeu, firme, porém delicada. — É delicado demais. Pessoal demais. Eu preferia te entregar nas suas mãos.
Valentina respirou fundo.
Um nó se formou na garganta.
— Isabella… se isso for sobre… — ela parou, incapaz de completar a frase.
Isabella não deixou que ela continuasse:
— É sobre os seus pais.
O coração de Valentina simplesmente… parou.
Por um instante, o quarto perdeu forma.
O ar ficou pesado, espesso.
Os pais.
Isabella continuou, com uma suavidade que parecia preocupação verdadeira:
— Eu achei documentos antigos… coisas que não deveriam ter ficado escondidas. Eu juro que hesitei antes de te ligar. — a voz dela tremeu um pouco. — Mas achei injusto não te avisar. Independentemente de qualquer coisa… você merece saber a verdade.
Valentina sentiu os olhos arderem.
Seu corpo inteiro pareceu balançar.
— Que tipo de documentos? — ela perguntou, num fio de voz.
— Eu prefiro te mostrar. — Isabella disse. — Mas, por favor… venha sozinha. Não quero envolver mais ninguém. É sensível demais.
Valentina hesitou.
Seu instinto recuou como um animal assustado.
Algo ali estava… estranho.
Mas o nome deles — pais — ecoava nas paredes internas dela, abrindo feridas que nunca fecharam.
— Eu vou te mandar a localização. — Isabella completou, suave. — Estarei te esperando. Não demore.
E antes que Valentina pudesse responder, Isabella desligou.
A notificação apareceu segundos depois:
localização enviada.
Valentina abriu a mensagem, mas não reconheceu imediatamente o endereço.
Não era um nome familiar, nem queria dizer nada para ela.
Só coordenadas.
Um ponto no mapa.
Ela respirou fundo, tentando estabilizar a mente ainda abalada.
Ela buscou a bolsa, respirando fundo, tentando acalmar o coração inquieto.
Abriu a porta do quarto.
E encontrou Clara no corredor, segurando um buquê de flores frescas.
— Senhora Valentina? — Clara sorriu, educada. — Vai sair?
— Sim… preciso encontrar alguém.
— Ah… — Clara inclinou a cabeça. — Infelizmente o motorista não pode levá-la. A dona Vittória o chamou para acompanhá-la em um compromisso.
Valentina sentiu o calafrio subir.
Rápido demais.
Forte demais.
— Mas posso chamar um táxi. — Clara completou, sorrindo. — É mais fácil e rápido. Vai te ajudar muito.
Valentina tentou entender o incômodo, mas estava emocionalmente desnorteada demais para decifrar a origem.
— Certo… obrigada. — murmurou.
Dez minutos depois, o táxi estacionou na frente da mansão.
Valentina entrou.
Os dedos tremiam um pouco.
O motorista perguntou o endereço.
Ela passou a localização.
Durante o trajeto, a cidade parecia mais sombria do que o normal.
As luzes borravam pelas janelas, e quanto mais o carro se aproximava do destino, mais apertado o coração dela ficava.
As ruas ficaram mais silenciosas.
As luzes mais espaçadas.
O vento mais frio.
E então — o táxi virou a última esquina.
O mundo de Valentina congelou.
Diante dela, imenso e escuro, estava o cais.
A marina.
Barcos parados.
Água escura.
Cordas rangendo.
Um vento cortante anunciando perigo.
O táxi parou.
— Chegamos, senhora. — o motorista anunciou.
Valentina desceu devagar.
A sensação foi IMEDIATA.
Um arrepio brutal subiu pelas costas, tão forte que ela precisou abraçar os próprios braços.
O vento bateu contra o rosto dela, gelado como aviso.
Ela olhou o ponto azul da localização no celular.
Era ali.
Exatamente ali.
— O que você está fazendo, Valentina…? — ela sussurrou para si mesma, com o coração martelando.
O celular vibrou de novo.
Isabella.
A voz doce veio pelo viva-voz:

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