A sala de reuniões estava completamente fechada, isolada acusticamente, iluminada apenas pela luz fria das telas.
No centro da mesa, o sinal da escuta ainda pulsava em ondas verdes.
A voz de Valentina ecoava ali dentro como fantasma recente:
“Ela me deixou para morrer.”
“Eu acordei sozinha no meio do mar.”
“Eu achei que ia morrer.”
Silêncio.
Um silêncio tão pesado que até o ar parecia temer se mover.
Lucas estava sentado ao lado de Rafael… mas era como se estivesse sentado ao lado de um animal selvagem segurando o próprio instinto para não matar.
O assistente Moreira mantinha os braços rígidos ao lado do corpo, pálido, engolindo seco repetidas vezes.
E Rafael…
Rafael estava parado.
De pé.
Mãos apoiadas na mesa.
Cabeça baixa.
Parecia que cada palavra de Valentina tinha sido cravada diretamente na espinha dele.
Um músculo pulsava na mandíbula, marcando o ritmo do ódio.
Ninguém ousou falar.
Até que Lucas, respirando fundo, encarou o inevitável.
— E agora? — ele perguntou, quebrando o silêncio com coragem que nem ele sabia que tinha. — O que você vai fazer, Rafael?
O ar pareceu congelar.
Rafael ergueu o rosto devagar.
Os olhos — antes de tempestade — agora eram gelo puro.
Sem responder, ele desligou a escuta.
O clic ecoou como um tiro.
Ele pegou o cinzeiro de cristal da mesa — pesado, maciço, caro — e atirou com toda a força contra a parede.
O impacto foi brutal.
O cristal explodiu em centenas de pedaços, estilhaçando como pequenas lâminas que refletiam a luz fria da sala.
O som demorou para morrer.
Lucas fechou os olhos por um segundo.
Moreira deu um passo involuntário para trás.
E Rafael…
Rafael simplesmente respirou.
Longo.
Controlado.
Terrível.
— Eu não vou dar esse gosto a elas. — ele disse, finalmente. A voz era tão fria que queimava. — Nem a Isabella. Nem à minha mãe.
Lucas franziu o cenho.
— Então… você não vai contra-atacar?
Rafael ergueu o olhar.
— Vou. — respondeu, seco. — Mas não do jeito que elas acham. Não com gritos. Não com escândalos. Não com impulsos.
Ele se afastou da mesa, caminhando até a janela larga de vidro.
A chuva escorria pelos painéis externos.
A cidade parecia menor vista dali.
— Elas querem destruir a Valentina porque não suportam a ideia de perder território.
— De perder o controle.
— De perder o nome Montenegro.
Ele tocou o vidro com a ponta dos dedos, pensativo.
— Então eu vou tirar delas exatamente isso.
Moreira arregalou os olhos.
Lucas se inclinou para frente.
— Rafael… o que você está planejando?
Rafael virou de costas para a janela, e naquele instante seu rosto estava completamente no papel que o mundo temia:
Rafael Montenegro, o estrategista.
O predador de jaqueta sob medida.
O homem que vence sem levantar a voz.
— Preparem um baile de máscaras. — ele disse, firme. — No próximo final de semana.
Lucas piscou.
— Um… baile?
— Um baile de gala. — Rafael completou. — Com a fortuna Montenegro inteira exposta. Ouro, prata, cristais, imprensa, líderes internacionais. Quero tudo brilhando. Quero todo mundo lá.
Moreira anotou sem respirar.
Lucas cruzou os braços, confuso.
— Tá, mas… o que isso tem a ver com a Isabella?
Rafael deu um meio sorriso.
Não um sorriso caloroso. Nem simpático. Nem irônico.
Era um sorriso que anunciava guerra silenciosa.
— Vou apresentar a Valentina a todos eles.
— A todos os nomes.
— A todas as famílias.
— A todos os jornais.
— A todo o país.
Ele andou de volta até a mesa, apoiando uma mão sobre ela.
— E vou fazer isso como Montenegro.
— Como marido.
— Como líder desta família.
Lucas abriu a boca, chocado.
— Rafael… isso vai destruir a Isabella socialmente.
— Não só a Isabella. — Rafael murmurou. — Vai destruir a minha mãe. No único lugar onde ela realmente sente dor: no status.
Silêncio.
Dessa vez, não de medo.
De admiração.
De reconhecimento sobre o tipo de homem que estava diante deles.

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