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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 48

A empresa estava com o ar ainda mais frio do que o costume.

Rafael sentava-se à mesa de vidro blindado, revisando contratos como se estivesse desmontando bombas: rápido, preciso, sem hesitar.

Moreira entrou sem bater — o que, em qualquer outro dia, seria uma sentença de morte.

Hoje, Rafael apenas ergueu os olhos por meio segundo.

— Fale.

Moreira ajeitou o paletó, tenso.

— Senhor… começamos a rastrear a senhorita Moretti, como ordenado.

Mas… — ele respirou fundo — recebemos informação de que ela retornou para a Itália esta manhã.

Rafael passou a mão pela lateral do rosto. Nenhuma surpresa. Nenhuma reação violenta. Só um silêncio tão gelado que o ar tremeu.

— Traga ela de volta. — ele disse, seco. — Nem que seja nadando.

Moreira engoliu o próprio destino, assentiu e saiu quase tropeçando.

Já no corredor, ele puxou o telefone:

— Aqui é Moreira. — sua voz saiu firme. — Ordem direta do senhor Montenegro.

Tragam Isabella Moretti de volta ao Brasil… inteira ou remendada.

Não me importa como.

A porta do escritório abriu de novo.

Dessa vez, Lucas.

O oposto de Moreira: entrou como se fosse dono da sala, da empresa e do mundo, mesmo sabendo que não era.

— Bom dia, príncipe do caos. — ele comentou, jogando-se na cadeira à frente da mesa de Rafael.

Rafael não respondeu. Continuou lendo, anotando, assinando.

Lucas esperou três segundos.

Três longos segundos.

Depois soltou:

— Vou te falar uma coisa… — ele cruzou os braços. — Eu odeio mulheres, cientistas e que usam óculos de fundo de garrafa.

Rafael congelou a caneta no meio da assinatura.

E, pela primeira vez desde o amanhecer, o canto da boca dele ameaçou subir um milímetro.

Quase um sorriso.

Quase.

— Por quê? — Rafael perguntou, sem olhar para ele. — O que a senhorita Kato fez dessa vez?

Lucas jogou a cabeça pra trás, indignado.

— Vem. Vem ver essa loucura. — ele gesticulou como se contasse um atentado internacional. — Ela disse que se eu continuar seu amigo e te defendendo, ela me risca do caderninho dela.

Rafael ergueu os olhos. Devagar.

Um olhar que dizia “eu realmente quero ouvir onde isso vai parar”.

Lucas suspirou e continuou:

— EU NÃO TENHO CADERNINHO, RAFAEL. Quem tem caderninho é a minha mãe!

Eu tenho contatos telefônicos. CONTATOS.

Mas ela fala como se eu dormisse abraçado num diário rosa com caneta de glitter.

Rafael voltou aos contratos, mas o maxilar dele suavizou.

Sim, ele quase riu.

— Por que ela não quer que você seja meu amigo? — ele perguntou.

Lucas abriu os braços, dramático.

— Porque ela está uma FERA com você! — ele explicou. — Dizendo que você é frio, insensível, calculista, que deixou a cunhada quase morrer e ainda impediu ela de denunciar a Isabella…

Rafael parou de escrever.

Era sutil. Quase invisível. Mas ele parou.

Lucas percebeu.

— …e eu quase soltei que você fez uma mega operação pra salvar a Valentina—

Rafael ergueu o rosto tão rápido que Lucas engoliu o resto da frase.

— Eeeeiiii. — ele levantou as mãos. — Calma. É óbvio que eu não falei.

Eu tenho amor à minha vida.

Um homem precisa de instinto de sobrevivência nesse mundo.

Rafael voltou a olhar para os papéis.

A caneta desceu na folha, mas não com a mesma tranquilidade.

— Certo. — Rafael murmurou.

Lucas sorriu, aproveitando a fresta aberta.

— Ela tá mordida com você, cara. E olha… com razão.

— Isso não é problema dela. — Rafael respondeu.

— É sim. — Lucas rebateu, cruzando as pernas. — Porque quando uma mulher fica chateada com um homem que ela não suporta…

Significa que ela suporta ele mais do que quer admitir.

Rafael ergueu uma sobrancelha.

Lucas completou, satisfeito:

— Valentina não está indiferente. Isso é um fato.

Rafael trincou o maxilar. Assinou outro contrato. Fez de conta que não ouviu.

Lucas riu.

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