O quarto finalmente ficou silencioso quando Rafael e Moreira saíram.
O fechamento da porta foi quase um soco no peito.
Valentina inspirou devagar.
O corpo ainda doía, mas a alma… a alma estava recém-esfregada no asfalto.
Bianca puxou uma cadeira com aquele jeito estabanado e se jogou nela.
— Eu juro que se eu ver aquele homem respirando mais alto perto de você, eu—
Valentina ergueu a mão, cansada.
— Bia… chega. — ela disse, num tom fraco, mas firme. — Você precisa descansar. Vá pra casa. Eu prometo que não vou sair daqui.
Bianca arregalou os olhos.
— COMO É QUE É?!
— Eu não vou sair dessa casa, Bia. — Valentina repetiu, sentando-se devagar na cama. — Eu estou bem. Só preciso de descanso. E… preciso voltar ao trabalho. Já perdi muitos dias.
Bianca abriu a boca para retrucar, mas Valentina continuou:
— Ainda tenho que juntar os cinco milhões pro tio, lembra?
Bianca virou o rosto. Respirou fundo.
E então… abriu a bolsa.
Aquele barulho do zíper pareceu um trovão dentro do quarto.
Ela tirou um cartão metálico.
Prata.
Discreto.
Pesado.
E colocou na mão de Valentina.
— Aqui tem um milhão e meio. — ela disse, direto. — Não é muito. Mas é seu. Eu quero que você aceite.
Valentina quase derrubou o cartão.
— Bianca… você enlouqueceu?!
— Não. — Bianca respondeu, séria como nunca. — Você sabe que eu só tenho acesso ao dinheiro da família quando eu me casar. Até lá, vivo com o que eu mesma trabalho.
Ela engoliu seco.
— E eu guardei isso pra emergências. E VOCÊ, Valentina, é a maior emergência da minha vida.
Valentina devolveu o cartão para ela.
— Nem pensar.
Bianca empurrou de volta.
— Aceita logo, mulher.
— NÃO. — Valentina cruzou os braços. — Eu não vou aceitar seu dinheiro. Nunca.
— Vai sim! — Bianca rebateu, empurrando mais uma vez. — Eu tô mandando!
— Eu não sou sua filha pra você mandar!
— MAS BEM QUE PODIA SER, AÍ EU TE COLOCAVA NUMA BOLHA PRA NINGUÉM TE MATAR!
As duas congelaram.
E então… riram.
Riram até doer o abdômen.
Até manchar a risada com lágrimas.
Bianca se curvou para frente, segurando o rosto.
Valentina segurou a mão dela, tremendo.
E então…
As duas simplesmente desabaram num abraço.
Um abraço apertado.
Trêmulo.
Cheio de medo, raiva, alívio, amor.
— Eu achei que ia te perder, Val… — Bianca chorou. — Eu não sei o que faria.
— Eu também achei que ia te perder de vez… — Valentina sussurrou. — Lá no mar… eu só pensava em você. Em como ia ser injusto… deixar você sozinha.
Elas se abraçaram mais forte.
Quando finalmente se separaram, Valentina pegou o cartão.
Olhou por longos segundos.
E respirou fundo.
— Eu aceito. — ela disse, firme.
Bianca sorriu entre lágrimas.
Mas Valentina continuou:
— Com uma condição.
— Ai meu Deus. Lá vem você. — Bianca revirou os olhos.
— É um empréstimo. — Valentina afirmou. — Eu vou devolver cada centavo assim que o contrato com o Rafael acabar e eu receber o dinheiro dele.
Bianca abriu um sorriso pequeno, cheio de orgulho.
— Tudo bem. — ela disse. — Eu espero. Mesmo querendo te dar isso e pronto… eu espero.
Elas se abraçaram mais uma vez.
Depois Bianca se levantou, enxugando as lágrimas com a manga.
— Vou deixar você descansar antes que eu comece a chorar de novo. — ela fungou. — E amanhã volto com café, biscoito e fofoca.
— Obrigada, Bia.
— Te amo, sua chata. — Bianca murmurou.
— Também te amo, sua exagerada.
Bianca saiu.
A porta se fechou com um clique suave.
E Valentina ficou sozinha.
O silêncio do quarto era pesado… mas não vazio.
Ela olhou para o cartão nas mãos.
E chorou.
Chorou silenciosamente, como quem derrama a última lágrima de uma fase.
Depois enxugou o rosto com força.
Respirou fundo.
— Chega. — ela murmurou para si mesma. — Eu não vou mais chorar.
Valentina sentou diante do notebook.
Ligou.
A tela iluminou o rosto ainda marcado pela dor… mas pela determinação também.
Notificações começaram a pipocar:
● 7 novos casos enviados pelo professor Álvaro
● Faturas pendentes de clientes antigos
● Uma reunião agendada para a noite
● Mensagens de recomendação de possíveis clientes
Trabalhos que ela mesma lutou para conquistar.
Que ela correu atrás na universidade.

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